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Nada deu certo, me tornei escritor de histórias desconhecidas.

O Demônio na Música

A associação da imagem do Diabo ao som do Rock Pesado.


Desde o princípio o rock esteve associado à contravenção e ao diabólico. Em 1970 o Black Sabbath lança seu primeiro LP, que viria a ser considerado, apesar de controvérsias, a primeira obra de Heavy Metal. A partir de então a ligação entre o Demônio e a música pesada se tornaria cada vez mais explícita. A intenção da banda não era exaltar o mal, apesar das letras da faixa título e de N.I.B. e da cruz invertida no encarte do disco. A ideia do nome da banda veio do baixista Gezzer Butler que, observando o cartaz do filme Black Sabbath (1963), estrelado por Boris Karloff, observou corretamente que as pessoas pagavam para sentirem medo assistindo filmes de horror. O mesmo então poderia se aplicar à música. A faixa tema do disco mencionava o próprio Satã perseguindo um homem aterrorizado enquanto que N.I.B. mostra Lúcifer atormentado pelo amor, tentando convencer uma jovem (espero eu) que não é um mau partido. Nada para ser tão levado a sério. Mas foi. As acusações de que o grupo seria satanista apenas incentivaram milhares de jovens ao redor do mundo a comprarem ainda mais discos e aprenderem a tocar instrumentos musicais. Pouco mais de uma década depois, o Heavy Metal estaria no auge criativo e logo surgiriam novos estilos ainda mais extremos como o thrash, o death e o Black metal.

A correlação menos óbvia entre a música pesada e o Diabo se explica historicamente. No início, o som do Black Sabbath era uma mistura de Blues pesado com variações e improvisações do Jazz, ambos estilos já estigmatizados pela sociedade predominantemente formada por brancos anglo saxões. A escala de Blues possui o tritão (Si Bemol), a nota do Diabo, proibida de ser tocada durante a Idade Média por ser justamente o som de invocação das Bestas.

“O Black Sabbath podia cantar sobre Satã, mas ainda assim pedia a Deus para ajudá-los! As pessoas vão ao cinema para ver filmes do Drácula, mas ninguém quer ser o vampiro. No Venon nós queremos ser o Demônio, queremos ser os vampiros.” (Cronos, vocalista da banda inglesa Venon)

Logo, grupos religiosos se postaram contra o Heavy Metal, que representaria a adoração ao Demônio. É difícil explicar para um cristão fanático a diferença entre um fã ou músico que é realmente satanista, outro que apenas se interessa pela música em si, um terceiro que enxerga as alusões macabras apenas como metáforas que estraçalham ironicamente a crença dos religiosos e até um quarto que entra na curtição apenas pela “doidera” envolvendo drogas e a sensação divertida de assustar a vizinhança. O Black Sabbath abriu uma espécie de portal pelo qual chegaram ao nosso mundo bandas muito mais diabólicas como Bathory, Celtic Frost, Deicide, Candlemass, Marduk, Mercyful Fate, Morbid Angel, Slayer e Venon. Algumas destas, verdadeiras usinas que reproduziriam o som do inferno, capazes de causar uma sequela permanente em qualquer cristão que leve a sério as escrituras sagradas ou até mesmo a um ateu de ouvidos sensíveis. Vozes guturais, riffs nervosos e velozes e um visual agressivo e sobrenatural refletido nas capas dos discos, nas expressões e vestimentas dos músicos. Abaixo, capas de álbuns que explicitam a relação entre a música pesada e o Demônio.

Venom-Black-Metal-1982.jpg

Black_Sabbath_born_Again-f.jpg

Bathory 1984.jpg

celtic frost to mega therion 1985.jpg

Epicus Doomicus Metallicus 1986.jpg

Slayer-Reign_in_blood-1986.jpg

morbid angel blessed are the sick 1991.jpg

Marduk_-_Fuck_Me_Jesus 1995.jpg

Mercyful_Fate_Time-[Front]-[www.FreeCovers.net].jpg

deicide till death do us part.jpg


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