distração planejada

Entretenimento direcionado para preencher a mente

celiosg

Nada deu certo, me tornei escritor de histórias desconhecidas.

Bond. James Bond.

Sean Connery e George Lazenby.


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Não lembro exatamente quando ou qual foi o primeiro filme de 007 que vi na vida. Acredito que fora algum estrelado por Roger Moore. Finalmente encontrei disposição para rever todos os 23 filmes do maior espião do mundo. Voltar para a década de 60, para o início de tudo, não foi nenhum desafio e nada decepcionante.

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007 Contra o Satânico Dr. No (1962)

Frequências de rádio estão interferindo nos lançamentos de foguetes em Cabo Canaveral, Flórida. As interferências poderiam desviar mísseis de suas rotas e atingir ao invés de locais desertos, cidades e postos militares. Quando um agente britânico e sua assistente que investigavam a origem das transmissões em uma ilha da Jamaica desaparecem, o Mi-6 envia 007 para dar continuidade ao caso. Bond descobre um agente da CIA como aliado e, juntos, logo chegam ao nome do Dr. No, o dono da Crab Key, uma pequena ilha que todos os habitantes locais têm medo de visitar e na qual pousa uma lenda de que é habitada por um dragão. Logo, James Bond (Sean Connery) descobre que o Dr. No faz parte da SPECTRE, uma organização terrorista composta por pessoas influentes e capazes de qualquer ato para conseguir poder e dinheiro.

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Não se engane pela capa. Foi a partir daqui que surgiram todas aquelas referências que se tornaram icônicas ao mundo da espionagem: a maleta estilo 007, os equipamentos especiais dos agentes secretos, as mulheres fatais, os cientistas loucos, milionários excêntricos, assassinatos surpresa, passagens e painéis secretos e até o famoso vilão misterioso que segura um gato branco, tão utilizado em sátiras como no desenho do inspetor Bugiganga e Austin Powers. Bond é apresentado aos espectadores da maneira usual. Jogando cartas, quando uma mulher pergunta seu nome e vem a resposta: “Bond. James Bond.” O ator Sean Connery, com 31 anos na época, foi o azarão claramente responsável em grande parte pelo sucesso do personagem. Azarão por não ter sido cogitado para o papel inicialmente. Dos seis finalistas de uma competição de caráter publicitária para escolher o melhor homem para o papel, nenhum foi consenso. O produtor Albert Broccoli resolveu então investir no quase desconhecido Connery, que foi claramente desaprovado pelo criador Ian Fleming. Apenas depois de ver o filme, o escritor declinou e reconheceu que o ator estava perfeito no papel. Nem a United Artists o queria como Bond e, ainda hoje, o homem continua sendo considerado o melhor intérprete, inclusive por mim, do espião mais famoso do mundo. A trama é simples em sua essência. Em alguns pontos talvez até um pouco imatura por alguns detalhes mas, ainda assim, após 4 décadas se mostra uma obra imortal. Bond não é um herói perfeito ou onisciente. Cínico, frio, com um certo desleixo e vez por outra ajudado mais pela sorte que pelas habilidades. Demonstra até medo quando capturado pelo inimigo. A fama de sedutor já é confirmada logo nos primeiros momentos. Não perdoa nem as inimigas. Os vilões da série são um destaque a parte. O Mr. No é um cientista oriental que perdeu as mãos por conta de suas experiências com radioatividade e as substituiu por próteses metálicas. Ele mesmo explica todo o plano para seu “convidado” durante um jantar, situação que se tornaria habitual na franquia. Outra parte boa de acompanhar 007 em suas missões é que além das belezas dos locais aos quais ele é enviado, Jamaica neste caso, há ainda a beleza das mulheres. E apenas nesse filme foram 3, com destaque para a atriz Ursula Andress como a Honey Rider, uma loira que surge na praia da ilha do Dr. No bem na frente de Bond em um biquíni sensual, ao menos para a época. A mulher estaria meramente colhendo conchas para vender. Parece até roteiro de filme pornô, impressão ainda mais reforçada pelos diálogos entre o casal. Acabou que foi um sucesso e logo no ano seguinte 007 estaria de volta.

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Moscou Contra 007 (1963)

O estrategista da organização secreta SPECTRE traça um plano para conseguir um aparelho russo de decodificação chamado Lektor, e eliminar James Bond por conta de sua interferência anterior. Rosa Klebb, uma ex-oficial da KGB e agora integrante da SPECTRE, se passando ainda por uma oficial em ativa, ordena que a bela espiã russa Tatiana Romanova (Daniela Bianchi) entre em contato com os ingleses e peça asilo político. Em troca, entregará o Lektor. A única exigência é que seja Bond o agente a coordenar a operação, uma vez que Romanova finge estar apaixonada por ele. O desenrolar da operação é acompanhado de perto por um assassino treinado que aguarda o momento certo para intervir, matar Bond e Romanova e obter o Lektor.

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Moscou Contra 007 foi lançado apenas um ano após a primeira aventura cinematográfica de 007 e contou com um orçamento duplicado de 2 milhões de dólares. Assim como as bandas de rock das décadas de 60 e 70 lançavam praticamente um disco por ano, assim foi com as primeiras produções de James Bond. E a mesma fórmula deu certo. Esse segundo longa metragem repetiu o que de melhor havia no primeiro e acrescentou mais alguns detalhes que se tornariam obrigatórios no universo da espionagem. A maior parte do filme se passa em um trem no qual viajam Bond, Romanova (a espiã russa que finge estar apaixonada por Bond e portanto decidida a deixar sua pátria), Kerim Bey (o contato em Istambul, um chefe da inteligência local, um homem espirituoso que tem vários de seus filhos como operativos) e o agente secreto da SPECTRE. Sequências de encontros e desencontros, códigos secretos e assassinatos e finalmente um tenso confronto com o inimigo oculto resultando em uma corrida contra o tempo e contra a sorte para conseguirem cruzar a fronteira a salvos. Neste episódio, o chefe da SPECTRE aparece pela primeira vez, ainda que não possamos ver seu rosto, apenas uma mão acariciando um gato branco, cena que se repetirá até o 5º filme da série, no qual finalmente é revelado seu rosto. A figura de Q surge com a famosa “maleta 007”, cheia de truques como gás, uma faca escondida, um rifle desmontável e um compartimento secreto contendo moedas de ouro, tudo usado providencialmente pelo agente nos momentos oportunos. As feministas provavelmente detestam Bond pelo seu modo galanteador e ar superior que faz com que as mulheres praticamente se tornem coadjuvantes sexuais na série. Creio que apenas isso bastaria para criar um antagonismo, mas a coisa vai mais além. 007 não hesita em esbofetear a bela Romanova para fazer com que fale a verdade acerca de sua missão. Não há lei Maria da Penha entre os espiões. O mesmo vale para Rosa Klebb, a vilã sexagenária que termina em uma tosca luta corporal contra Bond, tentando golpea-lo com uma lâmina envenenada que sai da sola de seu sapato. A velha assassina garante umas boas risadas uma vez que é impossível levar a sério a situação.

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007 Contra Goldfinger (1964)

James Bond (Sean Connery) se depara com Auric Goldfinger (Gert Frobe), um milionário negociador de ouro, arrogante, narcisista e tremendamente trapaceiro. Bond desmascara uma de suas trapaças durante um jogo de cartas e ainda seduz sua acompanhante. Claro que Goldfinger não é o do tipo que deixaria de acertar as contas. No dia seguinte, Bond é atacado e quando acorda, a mulher está morta e completamente coberta por tinta dourada. Tentando encontrar provas de que Goldfinger contrabandeia ouro, Bond descobre seu grande plano: Invadir o Fort Knox. O que seria algo insano a princípio, se revela uma artimanha capaz de abalar toda a economia mundial.

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No universo de 007, há dois tipos de inimigos bem delineados: os grupos criminosos, como a SPECTRE, e os milionários excêntricos com planos que misturam a genialidade e a loucura. Goldfinger faz parte do segundo grupo. Nesta terceira aventura, o agente James Bond se mostra ainda mais falível e humano, sofrendo vários revezes de seu inimigo. Aliás, é mesmo difícil encarar Goldfinger com seriedade. O homem parece apenas mais um milionário gordo, arrogante, vingativo e burro. Não é bem assim, ao menos na parte do burro. Q (Desmond Llewelyn) já havia aparecido no filme anterior, mas não devidamente apresentado como “Q”. O inventor apresenta a Bond seu primeiro carro, um Aston Martin cheio de truques. Os produtores tentaram um acordo com a fabricante para cederem o veículo de graça, mas tiveram mesmo de pagar por ele. Depois do sucesso de Goldfinger a situação mudou e nunca mais tiveram de desembolsar dinheiro para os carros de 007. A Bond Girl da vez coube a atriz Honor Blackman, com 37 anos à época. Uma idosa para os padrões do agente secreto, valendo o título de mais velha Bond Girl da série e também o nome mais, digamos assim, curioso: Pussy. Pode significar gatinha, mas também outra coisa. Não poderia deixar de mencionar o capanga oriental de Goldfinger, Oddjob (Harold Sakata), o gordinho que parece feito de aço com um chapéu capaz de decapitar uma estátua. Sim, achei Goldfinger levemente inferior aos anteriores.

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007 Contra a Chantagem Atômica (1965)

Emilio Largo (Adolfo Celi), um dos principais operativos da SPECTRE, coloca em movimento um ambicioso plano de extorsão global. Ao se apoderar de duas bombas atômicas roubadas de um jato a serviço da OTAN, ameaça destruir uma grande cidade da Inglaterra ou dos Estados Unidos caso não receba 100 milhões de libras esterlinas. O MI-6 reúne todos os agentes com permissão para matar e os envia pelo mundo na esperança de que consigam encontrar as bombas em apenas 7 dias, prazo dado para realização do pagamento. James Bond (Sean Connery), seguindo uma pista tênue, parte para Nassau, Caribe, onde encontrará a irmã do piloto assassinado e, por fim, Largo.

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007 Contra a Chantagem Atômica é tão dinâmico quanto sugere o pôster. Inicia com uma sequência de ação na qual James Bond luta contra o Coronel Bouvar, um operativo da SPECTRE que havia forjado a própria morte. Após matar o inimigo, Bond foge do prédio em grande estilo, voando com um jato portátil. Depois, acompanhamos uma reunião da SPECTRE presidida pelo misterioso líder e seu icônico felino branco, na qual os líderes informam os retornos financeiros das operações criminosas. Após a reunião e o rotineiro extermínio de algum traidor, Largo aciona a bem sucedida operação para roubar as ogivas, o que resulta na convocação simultânea de todos os nove principais agentes do MI-6 em uma mesma sala, mas apenas o rosto de um deles é mostrado. Como não poderia deixar de ser, a melhor pista de 007 é uma mulher. Uma mulher muito bonita. Nesta quarta aventura, o personagem já está praticamente consolidado. O espectador já está confortavelmente naturalizado com a personalidade de James Bond. Até parece que Sean Connery não está atuando, mas sendo ele mesmo. Não à toa o ator considera realmente sua melhor atuação do personagem. Os combates aquáticos renderam um Oscar de Melhor Efeitos Visuais (lembre que estamos em 1965). Falando em visual, Largo parece um pirata por conta do tapa-olho, combinando com o clima de Piratas do Caribe. Algo extremamente raro acontece durante esta missão: Bond é atingido por um tiro! Tudo o que se espera de uma aventura de James Bond está neste filme. Belas mulheres, vilões caricatos, tramas gigantescas, locais paradisíacos e as tiradas bem humoradas de 007.

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Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967)

Uma cápsula americana tripulada é interceptada e literalmente engolida por outra espaçonave. O governo russo nega qualquer participação e, pouco depois, o mesmo acontece com uma cápsula russa. Os Estados Unidos estavam prontos para intervir belicamente, mas a Inglaterra consegue manter as animosidades parcialmente sob controle e o MI-6 envia seu melhor agente para o Japão, local onde foram detectadas ressonâncias indistintas da misteriosa nave sequestradora. Para agir com total liberdade, livre dos espiões da SPECTRE, a agência britânica de inteligência forja a morte de James Bond (Sean Connery).

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A missão agora é impedir a 3ª Guerra Mundial. Bond é auxiliado pela inteligência nipônica liderada por Tiger Tanaka (Tetsurô Tamba) e sua bela assistente. Bond é assassinado e seu corpo sepultado no mar, onde é resgatado por mergulhadores e levado para um submarino britânico onde M (Bernard Lee) e a Senhorita Moneypenny (Louis Maxwell) o aguardam para repassarem os detalhes da missão. Pausa para as tiradas bem humoradas de 007 e então de volta ao trabalho. Já no oriente, Bond persegue um assassino até a Química Osaka, onde ocorre o melhor combate que já vi na série até o momento. Sempre achei as coreografias das lutas um tanto quanto toscas mas esta cena específica na qual 007 enfrenta um “touro oriental” chega a ser empolgante. Na fuga da empresa, mais surpresas, traições e passagens secretas até o surgimento do Tigre, o chefe da inteligência local. O asiático vez por outra tenta mostrar ao agente britânico a superioridade de sua tecnologia e procedimentos, o que resulta em cômicas réplicas de 007. Detalhe: até aqui Bond já está na terceira mulher. Desta vez Q traz um mini helicóptero com um arsenal que é totalmente utilizado contra quatro aeronaves inimigas em uma extensa batalha ao som da famosa trilha sonora. As investigações levam novamente à SPECTRE e finalmente o rosto de seu líder, Blofeld (Donald Pleasence), é revelado. Provavelmente Com 007 Só Se Vive Duas Vezes é o mais divertido da franquia até então e o último no qual Sean Connery estava disposto a participar. Aqui se encerra o que seria a “era de ouro” do agente 007. Na próxima missão, entrará em cena um novo ator e erros serão cometidos de todas as partes.

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A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969)

Quase que por acaso, James Bond (George Lazenby) impede que uma mulher se suicide em uma praia. Antes que pudesse fazer qualquer pergunta, um grupo de homens armados aparece para levar a moça e eliminar Bond. Na confusão, a donzela em apuros foge, mas o agente descobre que ela está hospedada no mesmo hotel que ele e o reencontro termina da maneira usual para 007: na cama. Na manhã seguinte, Bond é levado à força para encontrar Draco (Gabriele Ferzetti), um conhecido chefe criminoso que se revela o pai de Tracy (Diana Rigg), a garota que tentara se matar no dia anterior, e oferece a inusitada proposta de que Bond case com sua infeliz filha. Em troca de informações acerca do paradeiro de Blofeld, líder da SPECTRE, o agente aceita iniciar uma convivência com Tracy. A pista de Draco o leva aos Alpes suíços, onde, disfarçado como um renomado genealogista, encontra Blofeld e descobre seu novo plano de esterilizar todos os seres vivos do planeta.

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Sai Sean Connery por decisão própria e entra Geoge Lazenby, sobre quem recaiu toda a culpa da fraca aceitação deste longa. Bobagem. Um conjunto de fatores contribuiu para que A Serviço Secreto de Sua Majestade fosse o maior desastre cinematográfico da história de 007, mas nenhum fator foi tão importante quanto o roteiro com momentos ridículos acima do aceitável. O primeiro choque acontece quando Bond enfrenta um grupo de homens na praia. Todas as cenas de luta sofreram a aplicação de um efeito visual que acelera as imagens, algo completamente desnecessário e que conferiu às cenas um ar pastelão como aquela antiga série televisa do Batman. Só faltou adicionarem as famosas onomatopeias coloridas. Nem a música tema foi perdoada. Modificaram tornando-a mais sutil, sem energia. De resto, até que Lazenby não se saiu mesmo tão mal substituindo Connery. Seu personagem é mais passional mas conseguiu manter (quase) de forma geral o que Connery construiu. Depois que M (Bernard Lee) o destitui do código 00 por achar que o agente não está trazendo resultados, ele intempestivamente pede demissão, fato que só não é consumado por conta da intervenção da secretária Moneypenny (Lous Maxwell). A partir de então, a trama volta aos padrões normais com investigações e espionagens, o que logo leva ao covil de Blofeld na Suíça onde as coisas se tornam tão estranhas quanto um episódio de Arquivo X. No filme anterior, Com 007 Só Se Vive Duas Vezes, Bond havia finalmente ficado cara a cara com o líder da SPECTRE, um sujeito careca com uma cicatriz vertical na face direita que o deixava parecido com um primo do personagem Jonah Hex. O plano de Bond adentrar seu esconderijo sob a identidade de outra pessoa não parecia fazer o menor sentido uma vez que o inimigo já o conhecia. Eis que o encontro acontece e Bond não é reconhecido! O filme anterior foi simplesmente ignorado. O ator que fez Blofeld foi substituído, continuou careca, mas a cicatriz sumiu. A partir de então parece que estamos assistindo aqueles filmes classe B, imitações de produções famosas. Ao menos nosso herói continua insaciável. Blofeld se finge um médico excêntrico que pesquisa cura de alergias raras, atraindo moças ricas de todo o mundo. Imagine soltar James Bond em um local isolado cheio de mulheres. O homem marcou 3 encontros noturnos em uma única noite, mesmo sob o olhar atento da governanta, uma coroa russa e rude, tão feia quanto a sua conterrânea em Moscou Contra 007 e aparentemente com a mesma crueldade. A situação parece coisa saída daquelas obras nazi-exploitation. Mais uma vez, a SPECTE chantageia o mundo com um plano de esterilização em massa. O MI-6 recebe ordens para não tentar mais nada, mas Bond se une ao pai de seu novo amor e partem para um ataque pesado à base de Blofeld. Terminada a guerra, Bond decide deixar o serviço secreto e casa mesmo com a Tracy. A festa de casamento é mostrada com todas as pompas em algo semelhante a final de novela das oito global, com direito a presença de M, Q e da senhorita Moneypenny, se acabando de chorar. Nem por 1 milhão de dólares Connery aceitou voltar ao papel. Decisão acertada. Visto isoladamente, A Serviço Secreto de Sua Majestade talvez nem seja tão ruim assim mas, se acompanhar seguidamente desde a estreia com 007 Contra o Satânico Dr. No até este, impossível não constatar a queda.

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Os Diamantes São Eternos (1971)

O MI-6 é incumbido de investigar um misterioso tráfico de diamantes. Logo, James Bond (Sean Connery) segue para Las Vegas, onde assume a identidade de Peter Franks, um homem que faz parte da rede de contrabando. Logo, descobre que todos os que estiveram envolvidos com as pedras foram assassinados e as investigações levam a Blofeld (Charles Grey), o líder da SPECTRE.

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A escolha do ator para o papel de James Bond foi árdua. George Lazenby não quis continuar por conta de alguns pontos do contrato e por achar que a coisa ia mal mesmo. Burt Reynolds não estava disponível. Adam West recusou por ser americano e achar que apenas um inglês seria apropriado para o papel. Michael Gambon ficou impossibilitado por conta do físico. Na última hora Sean Connery concordou em voltar incentivado também por um cachê astronômico de 1,5 milhão de dólares. Nem a quantia parece tê-lo deixado satisfeito. É nítida e chega a ser até cômica a sua expressão de insatisfação em vários momentos. Nesta sétimo longa, a coisa está mesmo mais relaxada e propensa para o humor, com exceção do início, no qual temos um 007 parecido com O Justiceiro da Marvel, arrebentando tudo pela frente até encontrar e matar Blofeld, líder da SPECTRE, por conta dos acontecimentos do último filme. A novidade é que desta vez ele não está mais careca. De volta à programação normal, temos dois assassinos homossexuais que parecem ter saído de algum desenho estilo Looney Tunes, os Mr.Wynt e Mr. Kidd. Deveriam mesmo morrer apenas pelos diálogos ridículos. A cena na qual Bond finalmente os enfrenta é até digna de filme do Máscara. Bambi e Thumper, as duas guarda-costas do presidente de um laboratório de pesquisas, é outra dupla bizarra e dão uma senhora surra em 007. A mais chata e talvez até mais fraca Bond girl até o momento coube à atriz Jill St. John. Até posso passar a impressão de que Os Diamantes São Eternos também é um produto ensandecido feito por um punhado de homens de negócios gananciosos por dinheiro dispostos a qualquer coisa para extrair da franquia mais alguns dólares. De fato, verdade. A trama é confusa mas, ainda assim, é um filme divertido embora não encerre com chave de ouro essa fase da história cinematográfica de 007. Na próxima missão, entra em cena o novo James Bond, Roger Moore.


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Nada deu certo, me tornei escritor de histórias desconhecidas..
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