distração planejada

Entretenimento direcionado para preencher a mente

celiosg

Nada deu certo, me tornei escritor de histórias desconhecidas.

Rock n’ roll Junkies – A música acabou

Uma rápida visita a 12 lápides do cemitério dos músicos mortos por overdose


A música pesada estará sempre associada às drogas. Não que os músicos e adeptos de outros estilos musicais sejam puristas ou exemplos de estilo de vida. O fato é que o rock é sincero o suficiente para explicitar seus excessos com orgulho, retribuindo o desprezo de seus detratores com indiferença. Um estilo que fala abertamente sobre sexo, drogas, guerras, assassinatos, de Deus e do Diabo e alguns rockstars não conhecem limites em cima ou fora dos palcos.

rock n roll junkies.jpg

O assassinato de Robert Johnson aos 27 anos teria desencadeado uma maldição no mundo do rock pesado. Até onde contei, foram vinte e dois músicos mortos na temida idade. De qualquer forma, a relação abaixo não tem apenas o critério da idade como é o caso da maldição. São artistas geniais e geniosos, cuja criatividade natural foi impulsionada pelo consumo de entorpecentes que, depois, acabaram por se voltar contra eles, minando a produtividade e, por fim, suas vidas.

Phil Lynott – Apenas sua mãe não o abandonou. E um padre. Morreu em 04/01/86

phil lynnot.jpg

O líder do Thin Lizzy desde cedo teve uma vida desregrada. Após a dissolução da banda e a separação de sua esposa, seu vício em heroína aumentou exponencialmente. Ele se tornou o vagabundo errante de suas próprias canções. Sua mansão era rodeada por traficantes e outros tipos suspeitos, fortes indícios da decadência do baixista, tal como o círculo de abutres que rodopiam acima do animal prestes a se tornar uma carcaça sem vida. Na década de 80, o músico chegou a gastar mil libras por semana com cocaína e heroína. Foi encontrado inconsciente e ficou em coma por 11 dias. Acompanhado por sua mãe e na presença de um padre, finalmente morreu por falência múltipla dos órgãos e infecção generalizada.

Brian Jones – Amante do Blues, marido do álcool. Morreu em 02/07/1969

brian jones.jpg

Mick Jagger e Keith Richards são os membros mais famosos dos Rolling Stones, mas o guitarrista Brian Jones foi o fundador e líder do grupo durante seus primeiros anos de existência, além de ser, também, um grande músico. Para não dizer que os outros músicos eram anjos, a própria banda viria a se tornar sinônimo de drogas no Reino Unido. Brian Jones foi um sujeito muito ativo. Pai aos 16, aos 17 e aos 19 anos. Três filhos com três mães diferentes, inclusive uma delas uma mulher casada. Seu último disco com os Stones foi Beggar’s Banquet. A capa com o vaso sanitário foi bem apropriada para ilustrar a situação do músico. Entrou em um turbilhão de drogas, álcool e paranóia. Para que a banda pudesse sobreviver, seu criador teve de ser demitido. Brian Jones então morreu afogado em sua própria piscina após um mergulho fatal. Oficialmente a causa foi uma mistura de asma, álcool e drogas. Extraoficialmente, teria sido assassinado por uma figura misteriosa, Frank Thoroughgood. O rock n’ roll sempre gostou de uma boa conspiração.

Steve Clark - Amor, fama e fortuna. Nada disso importava. Morreu em 08/01/1991

steve clark.jpg

Guitarrista e uma das peças fundamentais para a ascensão do Def Leppard. Wasted, Rock Brigade, Let it Go, Bringin’ on the heartbreak, Foolin e Photograph são algumas das canções de autoria de Steve Clark que projetaram o grupo como uma das maiores bandas do planeta na década de 80. Extremamente tímido e com tendências à depressão, Steve logo o álcool como terapeuta. Fama, fortuna e viagens pelo mundo não ajudaram. A bebida também não o deixava exatamente feliz. Se não bebia, era acometido por tremores que não o deixavam tocar. Logo, tinha de beber para trabalhar. Tentou se livrar do alcoolismo se internando várias vezes em clínicas de reabilitação e, finalmente, tirou seis meses de licença da banda para tentar se recuperar. Encontrado morto, o laudo médico apontou excesso de analgésicos, antidepressivos e... álcool.

John Bonham – Um senso de humor estranho e imprevisível Morreu em 25/09/1980

john bonham.jpg

Eis aqui um bom exemplo de como devemos separar o artista da pessoa. Ter Bonzo por perto era meio que como ter um Hell Angel na vizinhança. Uma bomba relógio. Tony Iommi o escolheu como padrinho de casamento e, ao saber que não haveria álcool na ocasião, ele simplesmente destruiu a recepção. Bonham faleceu após um dia inteiro de bebedeira, sufocado no próprio vômito. Alguém fez a conta e apresentou 40 doses de vodca como causa da morte. Quando Geezer soube de seu falecimento, apenas disse ‘ótimo’. Como consequência, o Led Zeppelin se separou, abraçou incólume a imortalidade e escapou de passar pelas agruras da década de 80, onde muitos grupos conterrâneos amargaram uma péssima fase principalmente pela ascensão de outros estilos musicais, como inicialmente a NWOBHM, o thrash, o hard rock farofa e, já no começo da década de 90, o fatídico grunge. Será que foi sorte? Que outra banda continuou tendo tanto sucesso quanto o Led mesmo tendo encerrado atividades há aproximadamente 34 anos, excetuando-se algumas apresentações recentes com o filho do baterista?

Keith Moon – Morte por excesso de tudo Morreu em 07/09/1978

keith moon.jpg

Para tocar no The Who, o sujeito não poderia ter um comportamento exatamente normal e aceitável pela sociedade. Keith Moon era um baterista fantástico e sua agitação fora dos palcos se tornou lendária. Entre alguns feitos mais famosos estão a destruição de um banheiro de hotel com dinamite e ter atirado um Cadillac na piscina. Adepto do uso de fantasias, em certa ocasião usou uma de Hitler. Um amor de pessoa, suas últimas palavras foram “Se não está a fim de fazer, foda-se”, dito a namorada quando, deitados na cama, pediu que ela fizesse seu café da manhã. Após 28 comprimidos de Heminevrin, um medicamento utilizado contra epilepsia e alcoolismo, faleceu. A dosagem diária recomendada era de 2 comprimidos. Alguns dizem que não foi apenas o medicamento, mas um excesso generalizado de tudo que o matou. Ao contrário do Led, o Who continuou a carreira. Rei morto, rei posto.

A triste e solitária morte de Johnny Thunders Morreu em 23/04/1991

johnny thunders.jpg

O padroeiro dos junkies, das putas e dos desesperados de acordo com seus adoradores. Irresponsável, incoerente, disperso, alcoólatra e drogado. Estas foram algumas das qualidades atribuídas a ele. O New York Dolls é o grupo reconhecido como a banda mais junkie do mundo, logo, seu guitarrista tinha de estar à altura, sendo reconhecido como o mais famoso viciado de Nova York. Após a breve ascensão e meteórica queda dos Dolls, Thunders tentou vários projetos. Nada deu. Foi encontrado morto com o corpo totalmente retorcido em um hotel em New Orleans. A polícia não se deu ao trabalho de investigar, fato que gera suspeita até hoje de que não foi uma morte natural. Coisa para Cold Case. Trinta e seis horas antes de sua morte havia gravado um cover da música Born to Lose com uma banda de punk rock alemã. Apropriado.

Gary Thain – Muito tempo no mundo da fantasia. Morreu em 08/12/1975

gary thain.jpg

Mais um da lista dos 27 anos. Gary tinha um fraco por substâncias alucinógenas. Gravou em 72 o clássico Demons and Wizards do Uriah Heep. Sobreviveu a um choque elétrico quando estava se apresentando com a banda em Dallas, Texas, em 1974, sofrendo várias queimaduras. O negócio foi tão violento que o músico foi arremessado por três metros de distância. O acidente aliado ao crescente abuso de drogas estava prejudicando suas habilidades musicais, e logo foi demitido do Heep. Uma doença venérea e um problema cardíaco também o estavam debilitando, mas foi a heroína quem o arrematou. A namorada o encontrou morto na banheira de casa. Overdose.

David Byron – O Deus Dourado que derreteu Morreu em 28/02/85

david byron.jpg

Cirrose hepática causada pela bebida, ataque cardíaco e epilepsia. Gravou dez álbuns com o Uriah Heep. Os dez melhores para muita gente, aliás. Era um rockstar do tipo mais insuportável, o 24/7. Sua morte foi praticamente ignorada pela imprensa, que sempre ignorou o Uriah Heep. Vocalista já tem, por natureza, um ego inflado e certos aditivos pioram esta condição. Chegou ao ponto em que o cantor não distinguia bem as coisas a ponto de confundir aplausos com vaias, como em um show na Philadelphia, onde xingou o público que o ovacionava. A atitude se tornou comum. Isso quando não caia do palco em pleno show. Fatalmente teve de ser demitido para que a banda sobrevivesse. Não foi fácil e o Heep está em atividade até hoje graças à persistência do guitarrista Mick Box. Já Byron só persiste na memória dos fãs.

Janis Joplin – O espírito do sexo livre Morreu em 04/10/1970

janis joplin.jpg

Janis era o espírito da autodestruição da juventude de sua época. Por conta de sua insegurança com o próprio corpo e sua falta de afinidade com os colegas de escola, ela escolheu a companhia do álcool. Quando começou sua carreira profissional como cantora, se viciou em metanfetaminas e bebidas. Chegava a tomar licores com até 80% de teor alcoólico. Depois veio também a heroína. Em certa ocasião, em uma festa em São Francisco, quebrou uma garrafa na cabeça de Jim Morrison após uma discussão. Na noite de sua morte, tomou um pico, um quarto de uma garrafa de tequila e alguns calmantes. Seu corpo foi encontrado 18 horas depois, de bruços, entre a cômoda e a cama. Aparentemente, caiu e bateu a cabeça mas o que a matou foi uma overdose.

Jim Morrison – Amigo da dor e da morte como todo poeta tem de ser Morreu em 03/07/1971

jim-morrison.png

Mais um que foi encontrado pela namorada. Provável vítima da heroína, Morrison morreu solitário em uma banheira em um apartamento em Paris. Provável porque, como nenhuma autópsia foi realizada, a causa foi apontada como falência do coração por abuso de drogas. O poeta do rock n’ roll vivia constantemente chapado e depressivo e, claro, a banda não aguentou o ritmo. Aqui e ali foi acusado de gestos obscenos e profanação. “As pessoas temem mais a morte que a dor. É estranho. A vida machuca mais que a morte. Quando morremos, a dor acaba. Acho que é uma amiga.”

Jimi Hendrix – Monterey Purple Haze. LSD da melhor qualidade. Morreu em 18/09/1970

jimi hendrix.jpg

Um daqueles casos estilo Cold Case porque alguns insistem em dizer que foi homicídio e não uma acidental mistura de analgésicos e vinho tinto. Nem isso. O problema mesmo foi ter se asfixiado no próprio vômito. Mais um do seleto clube dos 27, seu nome não está ausente de nenhuma lista séria de melhores guitarristas do mundo. Quando tocou no Monterey Pop Festival, aquele no qual protagonizou uma das cenas mais antológicas do rock, tocando fogo na própria guitarra, Hendrix havia tomado dois tabletes de LSD produzidos por Owsley Stanley, um guru do ácido. Seu vício em drogas se tornou problemático ao ponto de, em certos casos, o show ter de ser cancelado após apenas duas músicas e, em outros, ele nem conseguir subir ao palco. Hendrix brilhou intensamente e logo se apagou. Gravou quatro discos em apenas 3 anos.

Paul Kossof - Tão livre quanto um cadáver frio pode ser Morreu em 19/03/1976

paul kossoff.jpg

O guitarrista do Free foi indicado em 2003 pela Rolling Stone como um dos grandes guitarristas de todos os tempos. Seu vício foi um dos motivos da quebra da banda, ainda que, naturalmente, Andy Fraser e Paul Rodgers hora ou outra não se suportaram mais e a separação fatalmente ocorreu, o que só piorou o vício de Paul. Após o término da banda, o guitarrista entrou em piloto automático com parada final no cemitério. No seu apartamento, pessoas desacordadas pelo chão, traficantes oferecendo seus produtos e um depressivo Kossof jogado no sofá dia e noite. Mesmo assim a banda conseguiu se reunir e lançar mais um disco, mas a atuação do guitarrista no palco era penosa e terminou por ser substituído temporariamente. De volta, sofreu uma espécie de ataque epiléptico enquanto realizava uma passagem de som. Overdose. Sobreviveu e ainda se apresentou com a banda uma última vez. Morreu em um avião quando ia de Los Angeles para Nova York. A causa oficial foi um edema cerebral e pulmonar, certamente facilitados por seus vícios.

Os sobreviventes

Junkies célebres que sobreviveram a décadas de abusos com álcool e drogas ou conseguiram pular fora antes da perda total. Apenas para citar alguns: Ozzy Osbourne de pé e cantando após tantos anos de excessos é praticamente um milagre; Eric Clapton lutou para se livrar do vício em heroína; Alice Cooper era alcoólatra; Dave Mustaine gastou todo o adiantamento da gravadora para o primeiro disco do Megadeth com drogas; Os integrantes do Motley Crue dizem ser a banda que mais usou drogas; Eddie Van Halen gostava de cocaína mas bebia mais que cheirava; Zakk Wylde recebeu um ultimato médico. Ou parava de beber ou o álcool o mataria brevemente.


celiosg

Nada deu certo, me tornei escritor de histórias desconhecidas..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/musica// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //celiosg