Lia Holanda

O que eu carrego de mais valioso em mim são as palavras, elas mudam suficientemente rápido para acompanhar meu ritmo interno.

Quando nos apartamos da leveza de ser

Porque o sentir verdadeiro te pega desprevenido e não pede para entrar.

" No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas 
que o vento não conseguiu levar:
 um estribilho antigo 
um carinho no momento preciso 
o folhear de um livro de poemas
 o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."
Mario Quintana


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Quem dita as nossas emoções? Na maioria das vezes padrões sociais e o que aprendemos na infância determinam o nosso comportamento. As relações sociais, cada vez mais são permeadas por emoções prontas, o sentir autêntico tornou-se quase uma transgressão, mas e se por acaso sentimos o oposto daquilo que é esperado?

Depois de aprender a apreciar o efêmero, resignificamos a maneira de viver as experiências, uma alegria ou tristeza só duram o tempo suficiente para nos darmos conta de que elas estão lá. Sempre que lembro de fatos pontuais negativos, esqueço quantas vezes fui feliz, mesmo ao atravessar os conflitos. Nós temos o papel de fazer com que o passado sirva apenas de ponte para construir o futuro, e criar um ambiente agradável para abrigar o que há de bom sem estagnar nos acontecimentos. Camuflar às emoções pode atuar inclusive no sentido inverso, não só encobrir as lagrimas com sorrisos, mas também podemos nos sabotar, adiando os momentos felizes, pois toda tristeza tem lá suas alegrias.

Esse tipo de alegria inesperada proibida e antissocial para mim é a mais verdadeira, ela não espera nada em troca, nos pega desapercebidos e quando vemos já passou, mas nem por isso deixou de estar lá, muito pelo contrário existiu preenchendo todos os requisitos para deixar saudade. Esse tipo de emoção respira liberdade e para encontrá-la novamente você deve aprender a deixá-la ir. É uma alegria espontânea que nos deixa mais leves, e odeia compartimentos abarrotados de coisas antigas e sentimentos descartáveis. Quando ela chegar a trate bem, não é necessário banquetes regados de coisas supérfluas, nem muitos holofotes e preparativos. O que vale mesmo é um cafezinho, pão com manteiga, arroz com feijão ou suco de maracujá, afinal ela tem que se sentir em casa para querer ficar.

Será que estamos hospedando bem os sentimentos positivos? Como anda a prioridade das visitas e o quarto de hóspedes? Quem controla o que vai entrar na sua casa é você, melhor não deixar o interfone ocupado dialogando com pedintes e ladrões de alegria. Quem mais me ensinou sobre a alegria, foram os momentos de tristeza, afinal somos contraditórios por natureza, chame de bipolaridade ou loucura mas quem nunca sentiu vontade de sorrir em alguma situação que se deve chorar? Teatralizar emoções esperadas nos distancia da leveza que é o sentir verdadeiro, de nada adianta colocar os sentimentos ruins no sótão, se foi você que abriu a porta para eles entrarem.

Este é um pedido de desculpas por todas as vezes que a alegria chegou e eu nem sequer percebi.

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Lia Holanda

O que eu carrego de mais valioso em mim são as palavras, elas mudam suficientemente rápido para acompanhar meu ritmo interno. .
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