Lia Holanda

O que eu carrego de mais valioso em mim são as palavras, elas mudam suficientemente rápido para acompanhar meu ritmo interno.

De repente me dei conta de que assim como os cabelos, tudo que passa torna-se cinza

Um texto sobre o envelhecimento retratado como um futuro que deve ser visto com bons olhos, e contra a plastificação da existência e dos sentimentos, em respeito aos contrastes.


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Cada uma das cores tem a sua beleza, mas não há nada como contrastes, o preto e o branco coexistindo, um representa a ausência de cor, o outro a mistura de todas as cores. Nós oscilamos entre esses dois extremos, a existência permeia esses sentimentos opostos e contraditórios. A passagem do tempo é uma mistura dos dois tons, acinzentada pelas diversas combinações que o tempo faz. O nascimento é a mistura de todas as cores, afinal chegamos aqui novinhos em folha prontos para começar a colorir, e por fim chega a morte trazendo a ausência de cor, não é a toa que tradicionalmente todos vestiam preto para marcar o ritual de deixa-se ir.

Cor é vida e quando começa a acinzentar, nada melhor do que aceitar a brincadeira de comemorar aniversários, cabe a nós decidirmos se queremos nos apegar mais ao fim ou ao começo. A natureza sabe muito bem como se apropriar das cores, a maoria das rochas e pedras também são acinzentadas, isso mostra o cuidado que devemos ter para não nos tornamos rígidos e inflexíveis à medida que o tempo passa, e continuar a ilustrar nossas histórias, pois o cinza faz parte da existência, assim como essa folha que inicialmente era branca, e logo após contrasta com as palavras, agora só me resta deixá-la ir e ocupar algum outro vazio.

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O tempo vai colorindo as horas, minutos e segundos, nos convencendo de que não devemos temer o preto, já que graças a ele temos a possibilidade de poder recomeçar sempre. E nessa brincadeira, observo com atenção as cores da existência, a que mais me chama atenção é o céu acinzentado dos dias chuvosos, pois mostra que a natureza também precisa sublimar o peso das nuvens que guardam uma história infantil, e alimentam nossa antiga imaginação na brincadeira de enxergar algo particular no desenho imprevisível das alturas. Pois é, as vezes elas se acinzentam, mas não podemos deixá-las ir, temos que colorir de novo. O que seria de nós, sem as histórias que foram contadas a nós e as outras que contamos a nós mesmos ? Todos os dias reformulamos essa história, apagamos capítulos acrescentamos parágrafos, afinal podemos editar o livro quantas vezes quisermos. E é brincando de preencher vazios e superar o medo dos acinzentados que vou pintando a tela em branco da cor que eu quiser, no final das contas fica tudo cinza mesmo .

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Lia Holanda

O que eu carrego de mais valioso em mim são as palavras, elas mudam suficientemente rápido para acompanhar meu ritmo interno. .
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