Lia Holanda

O que eu carrego de mais valioso em mim são as palavras, elas mudam suficientemente rápido para acompanhar meu ritmo interno.

O dia em que perguntei para Siri o que fazer da vida

Garantias não temos de nada e podemos apostar em tudo, os mais velhos falam de um mundo de oportunidades, mas quem disse que elas não nos atormentariam dia e noite.


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Em meio a um redemoinho de questionamentos que permeiam a alma humana, eu estava em um ambiente muito simbólico para mim, no aeroporto voltando para casa, em uma conexão. Esse evento me chamou atenção para o fato de que na verdade não havia nada para eu me conectar, exceto aqueles motivos tradicionais, pois minhas sensações e sentimentos ainda não possuíam destinatário. Algo me dizia fortemente que o meu prazo de validade expiraria em pouco tempo naquele lugar que eu aprendi a chamar de casa, não conseguia mais brincar de silenciar os sonhos e caçar borboletas imaginárias. As vezes a insegurança de mudar aperta, mas para os que apostam na intuição, o coração sempre fala mais alto do que o cérebro, e o meu estava gritando.

A Siri não me respondeu nada que adiantasse, ela poderia responder que eu deveria ir para o polo norte, ou sul, mas no fim das contas eu iria fingir que tudo aquilo foi um desconforto momentâneo. Imersa nessa pós-pós-pós modernidade de questionamentos, meu coração era meu guia mais certeiro, que a tempos eu recusava a sua ajuda para coisas mais relevantes, pode parecer óbvio mas nem tanto, já que procurar a coragem para segui-lo é onde se encontra o verdadeiro desafio. Coincidências estão nos olhos de quem vê, colocar a culpa nos astros, nos chakras, no carma, não vai te livrar dessa nossa condição socrática, Eureka! Mesmo eu não sabendo de nada, meu coração talvez saiba de tudo, só falta asumir algumas incertezas do meu ego.

Algum tempo depois, na sala de embarque, uma borboleta não muito amigável se aproxima de mim, e eu na tentativa fracassada de evitá-la, bato o cotovelo em um material nem um pouco macio, a partir daí ao me concentrar na dor que sentia, lembrei que talvez estivesse desperdiçando minha liberdade. Aquela dor que eu senti me lembrou subjetivamente da que eu sentia para desapegar da minha zona de conforto, viajando para voltar e se sentir em casa novamente, recusava que meu recomeço precisava de uma outra morada.

As vezes a liberdade é uma borboleta hostil que com o passar do tempo vai nos trazendo nossa essência de volta, é pra lá que eu vou.


Lia Holanda

O que eu carrego de mais valioso em mim são as palavras, elas mudam suficientemente rápido para acompanhar meu ritmo interno. .
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