Lia Holanda

O que eu carrego de mais valioso em mim são as palavras, elas mudam suficientemente rápido para acompanhar meu ritmo interno.

Somos todos banais perante a lei

Quando o sujeito cala, a sociedade fala, e ela tem muito a dizer. Uma breve reflexão sobre a anulação dos sujeitos, inspirado em Relatos Selvagens

Esse texto não tem intuito de expressar preferências políticas .


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Relatar nos faz pensar em algo que já ocorreu, cronologicamente o relato se situa no passado. Em nossa conjuntura social, só temos direito ao relato, algo que motiva a passagem ao ato pela perda do valor da palavra em sua essência, visto que o sistema não enxerga de maneira holística quem vos fala. O jeito encontrado para simbolizar essa ausência de escuta aberta e sem julgamentos, faz uma linha tênue com a violência e por que não arriscamos dizer que seria a própria. Cada vez mais, o sujeito fica amordaçado nessa fala desatualizada que encaixota a sua subjetividade, gerando uma repetição incessante pouco elaborada, e medidas padronizadas. Tudo bem, não é possível ouvir a todos, seus motivos e “desrazões”, mas a questão aqui é, quem será a exceção.

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Em duas horas de filme vemos um desenho perfeito de como funciona nossa sociedade através de uma grande sensibilidade do diretor que contrastada com cenas de atos violentos, nos faz ver que a falta de empatia, e esse concurso velado do"ter", perante a lei é crime passional. A política é uma forma de poder, mas se for só isso, serve de alimento para a desigualdade, sustentando uma política Van Gogh onde moram medidas punitivas e padrões generalistas em sua tentativa falha de anular o sujeito. No filme vemos que o que nos blinda pode sim nos deixar vulneráveis, as vezes somos o nosso maior perigo, essa falsa sensação de onipotência pode nos iludir, mas a realidade sempre encontra alguma forma de se fazer presente.

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A cada dia em meio a essa loucura as pessoas se tornam algo mais parecido com um algarismo romano, e diante de todo esse cenário fico esperando para ler o livro de história dos meus filhos daqui a alguns anos e ainda fazer as perguntas para eles decorarem pra prova sobre toda essa bagunça que também constrói o que somos. Porque o ser humano pensa que evolui, mas o problema está lá, só tirando um cochilo, e hoje resolveu acordar aqui. O terror da invisibilidade está em todo lugar, um terrorismo de egos, sufocados por um sistema que cobra caro e não permite parcelar. Minhas palavras são insuficientes para dizer o que eu sinto em relação a violência, eu só sei que se tornar visível através de um mal dirigido a outro, é se cegar para sempre, e beber um gole de sua insignificância todos os dias.


Lia Holanda

O que eu carrego de mais valioso em mim são as palavras, elas mudam suficientemente rápido para acompanhar meu ritmo interno. .
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