Larissa Peron

hay que endurecerse, Peron sin perder la ternura jamás

Across the Universe – uma beatleviagem

E se, ao invés de despontar em pubs de Liverpool, nos anos 60, os Beatles tivessem sassaricado por aí? Aperte os cintos, it’s a long and winding road


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Se o Fab Four começasse nos Estados Unidos, provavelmente as roupas dos Lonely Hearts do Sargento Pimenta seriam outras, escolhidas após um desafio num episódio de Project Runaway. Devidamente vestidos, fariam um show na final do Superbowl. Em 11 de setembro de todo ano, tocariam All You Need is Love no Central Park. E no dia quatro de agosto, como uma releitura de Marilyn desejando “Happy birthday, mr. President”, os Beatles cantariam Birthday para Obama em um palco ornado como um gigante e psicodélico bolo.

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Descendo até Cuba seria simples, não haveria Beatles. Já se fossem peruanos, nada de letras. O mundo jamais cantaria “…I need a fix cause I’m going down…” (e Belchior jamais teria escrito Comentários a Respeito de John). Os Beatles seriam um quarteto de flautas de pã e George Harrison, guia de trilhas em Machu Picchu nas horas vagas. Já na Venezuela, no primeiro single do grupo – entre governo Chavez e confusão com a imprensa – cantariam “I haven’t read the news today, oh boy…”. E se tivessem despontado na Argentina, Besame Mucho teria outro tom e seria um belo e intenso tango. Se.

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Voando para a Europa e pousando na Alemanha de Hitler, os dois primeiros singles seriam Sie Liebt Deutschland e Komm Gib Mein Fürer Deine Hand, com videoclipes produzidos e dirigidos por Goebbels. Se nascessem na França, seria possível ouvi-los cantar “Michelle, ma belle, sont le mots qui vont très bien ensemble” nos fins de tarde, na Pont des Arts. Mas se fosse na Espanha, Ringo tocaria castanholas para los amigos cantores de flamenco. Em Liechtenstein, morariam em Vaduz, seriam aclamados pelos locais e fariam grandes shows organizados pelo príncipe Hans Adam II, mas ninguém mais no mundo os conheceria. Afinal, quem conhece Liechtenstein?

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Explorando o mapa mundi, Beatles nas antigas Repúblicas Socialistas Soviéticas têm a autoexplicativa Back to USSR. Já na África do Sul é fato que seria com eles o show de abertura da Copa do Mundo 2010, e, em algum momento, cantariam Blackbird para Nelson Mandela. E se o Fab Four perambulasse pelo Oriente Médio? Talvez fossem descobertos por Angelina Jolie, em uma de suas viagens pela ONU ou para adotar crianças, sentados por alguma paisagem árida tocando (em capacetes de soldados mortos) ‘Stop Battle’ Fields Forever.

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Mas os Beatles poderiam ser brasileiros (dizem as más línguas que Deus também é), o que abre mais possibilidades do que os peixinhos a nadar no mar ou os beijinhos que Caetano dará na sua boca. Talvez passando os anos 60 em terras tupiniquins Paul então escrevesse canções de protesto. Se esperassem um pouquinho, é certo que teriam uma faixa no LP Tropicalia ou Panis et Circenses, e seriam vaiados, junto com os Mutantes e Gil, por usarem guitarras e uma cítara na execução de Domingo no Parque no Festival da Record de 67. Lucy in the Sky With Diamonds seria lançada em seguida.

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Mas os besouros também poderiam empunhar pandeiros, cavaquinhos e pagodear (na lage) Oh, Darling ou I Call Your Name – por exemplo. A diferença é que o Fab Four seria, no mínimo, Fab Fourteen, como todo grupo de pagode que se preze. E por que não o Bonde dos Beatles, com muito rebolado e peróxido de hidrogênio, cantando “…come co-come co-come together right now over me…” ao som do batidão? Abadá do quarteto para entrar na micareta e vê-los no trio elétrico? Ou se passassem a ser a banda da temporada na Malhação? E se seus filmes musicais fossem com Os Trapalhões?

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Ainda bem que os Beatles despontaram nos pubs de Liverpool, nos anos 60, e não ficaram sassaricando por aí.


Larissa Peron

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