Larissa Peron

hay que endurecerse, Peron sin perder la ternura jamás

Palavrões

De onde vêm? Para que servem? Como eles se reproduzem?
Uma história do c*%#lho e a p*rra toda


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Comemoração, agressividade, relação sexual ou mindinho na quina da gaveta: todo mundo xinga – independente da classe social ou nível de educação. Os palavrões vivem na parte animal do cérebro humano. Enquanto a linguagem e a consciência se formam no neocórtex (a área mais complexa e mais desenvolvida do córtex), os termos de baixo calão nascem no nosso primitivo sistema límbico.

"O palavrão é o que eu chamo de flagrante delito de humanidade” – afirma o linguista francês Gilles Guilleron – “Quando xingamos com um palavrão, a máscara social cai e a pessoa mostra que é um ser humano como qualquer outro”. Guilleron é professor de letras modernas e autor do Pequeno Dicionário de Palavrões. Para ele as palavras sujas também são a “prova de evolução das relações sociais”. Nos tempos do Cro-Magnon, nossos ancestrais diretos mais antigos, por exemplo, a linguagem ainda era bastante limitada e a resposta emocional imediata era um golpe de tacape.

Acredita-se que o palavrão seja sincrônico à linguagem, porém, não há registros do primeiro palavrão oficial da história. Textos escritos em francês a partir do século X têm o registro mais antigo na língua: puta. Do latim putidus, podre, estragado. Já no século XVIII, o nome feio da vez entre os falantes da língua inglesa foi bloody (sangrento, em tradução literal). O termo – ainda usado na Grã-Bretanha – chocava e ofendia os ouvidos da alta sociedade.

south park.jpg em Merda no Ventilador, segundo episódio da quinta temporada de South Park, o sucesso de audiência da palavra merda (shit) no seriado Cop Drama faz com que os executivos da HBO queiram dá-la mais uso. Neste episódio, "merda" é dita 162 vezes

E o que faz de uma palavra, palavrão? De acordo com o etimólogo Deonísio da Silva, “a palavra vira tabu quando ganha um sentido simbólico”. Caralho, por exemplo, era o nome daquela pequena cesta no alto dos mastros das caravelas, local de vigia e também de castigo para marinheiros infratores. Na série O Guia do Mochileiro das Galáxias a palavra mais ofensiva do universo além-Terra é bélgica.

O palavrão, geralmente, é uma busca por alívio relacionado a partes do corpo, excrementos e sexo (Freud explica). Resume e representa a sensação de quem o fala. Para o psicólogo cognitivo Steven Pinker, “mais do que qualquer outra forma de linguagem, xingar recruta nossas faculdades de expressão ao máximo: o poder de combinação da sintaxe; a força evocativa da metáfora e a carga emocional das nossas atitudes, tanto as pensadas quanto impensadas”.

E dizem que alivia mesmo: em experimento realizado em 2009, o psicólogo britânico Richard Stephens (que também já investigou o hábito de mascar chiclete e os efeitos cognitivos da ressaca) concluiu que “quando xingamos, desencadeamos efeitos emocionais nas pessoas e em nós mesmos. E isso pode ser útil para fazer com que sintamos menos dor”. É foda.


Larissa Peron

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