Carlos Batalha

Arquitetura e urbanismo por formação, estratégia digital por profissão, leituras por diversão.

Como Adam Smith veria os selfies das moças no Instagram

Por trás dos filtros do Instagram há muito mais de psicologia e economia comportamentais do que podemos imaginar...


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And the Oxford goes to... selfie! Pois é, o tradicional dicionário Oxford incluiu selfie na sua versão digital e ainda concedeu à palavra a honraria de "palavra do ano", o que faz o termo saltar de uma gíria plebeia a um termo nobre. Segundo o dicionário, selfie é uma foto tirada de si mesmo, normalmente de um smartphone ou webcam e postada em uma rede social. E, por aqui no Brasil, a palavrinha também já virou moda. Afinal, é muito mais bacana tirar um selfie do que um autorretrato, principalmente depois dessa reforma ortográfica que tirou o charme do hífen e deixou a palavra assim meio brucutu.

Enfim, selfies são imensamente usadas pelas mocinhas que adoram divulgar seu #treino, #workhard, #health, #lookdodia, #espantaasinvejosas, e por aí vai. Mas o que as moças do Instagram tem a ver com Adam Smith?

Para a economia, incentivo é a vantagem oferecida com o objetivo de aumentar a produção e melhorar o rendimento. Mas não se engane, caro leitor. Em economia, nem tudo que reluz é necessariamente ouro, e o incentivo pode ser algo menos tangível e mais sentimental, como o desejo de ser benquisto. Somos sociais e necessitamos da validação da comunidade em que vivemos. Como disse o psicólogo William James em "Os princípios da psicologia":

"Não poderia ser elaborada punição mais demoníaca, se tal coisa fosse fisicamente possível, do que estar numa sociedade e passar totalmente despercebido por todos os seus membros".

Agora voltemos à moças em seus selfies na academia, por exemplo. Quando a menina posta a foto no Instagram, cuidadosamente despojada, lindamente natural mesmo que posadamente artificial, mostrando o resultado do treino, o que ela deseja? Qual o incentivo para se dedicar a meses de treinamento, alimentação regrada e dores musculares? Basta a satisafação de se olhar no espelho e gostar do resultado? Bem, se estamos falando de sentimentos e economia, é aí que entra Adam Smith. Em seu "Teoria dos Sentimentos Morais", no capítulo “Da origem da ambição e da distinção social”, diz:

“Ser notado, ser atendido, ser visto com simpatia, complacência e aprovação, são todos os benefícios a que podemos aspirar".

Postar a foto se torna, então, essa busca pela aprovação, e os likes são o sistema de incentivos. Cada like recebido é esse benefíco de ser notada, é a validação social que estimula mais produção e melhor rendimento.

Então, parafraseando outro britânico, há mais coisas no selfie e na tela do que sonha a nossa economia...


Carlos Batalha

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