Carlos Batalha

Arquitetura e urbanismo por formação, estratégia digital por profissão, leituras por diversão.

Eleições, que mídia nós somos, e o que nunca disse Mussum

Sempre se fala que a mídia dá uma ajeitadinha na realidade para adequá-la melhor aos seus interesses. Mas, principalmente nessa época de eleições, até que ponto somos nós a mídia que propaga inverdades como se verdades fossem?


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Assim disse Mussum sobre as curvas da mulher brasileira na sua coluna trimensal no Jornal do Comércio de Piraporanga do Sul: "Bem disse Caio F. Abreu no seu livro de contos Os Lusíadis: um dia frio, um bom lugar pra ler um livris, é ela menina que vem e que passis, na lua, no sol, na luz de Tietis".

Sempre se fala que os veículos de comunicação dão uma ajeitadinha na realidade para adequá-la melhor à realidade que eles gostariam que fossem. Já nós, leitores, esperamos a isenção perfeita, mesmo sabendo que todos somos isentamente tendenciosos a algo, mesmo quando queremos esconder. Naquele passado distante, apesar de recente, onde os veículos de comunicação eram poucos e voltados à massa caberia aos leitores apenas fazer mimimi caso achassem que algo não seguia a linha certa. E sonhar com um mundo onde a comunicação tivesse mais participação do povo, esse ente que detém o monopólio das virtudes humanas. A mídia, então, seria composta por um universo de sites diversos e redes sociais, onde cada um de nós, o povo, poderia compartilhar apenas as verdades mais verdadeiras do mundo. Mas, será que nós só propagamos notícias com credibilidade irrefutável? Nós, o povo, nos preocupamos com a veracidade do que postamos, ou apenas passamos adiante na fé de que tudo é real?

Alguém escreve e muitos compartilham, sem o menor interesse em saber se aquilo é verdade. Muitos dirão: mas é um erro por boa-fé. Pois é... coração puro não basta, né? Afinal, como dizem que disse alguém: "de boas intenções o inferno está cheio". Então, as novas tecnologias que permitem que possamos ser ativos no sistema de comunicação, e não somente receptores passivos de mensagens, se tornam, ironicamente, uma máquina viral de inverdades.

E em períodos eleitorais isso se multiplica absurdamente. Acompanho abismado como amigos compartilham as mais absurdas notícias, de fontes pouco ou nada confiáveis, numa ligeireza e com a confiança de estarem revelando a verdade oculta. E assim se propaga uma cadeia de boatarias. Nas trincheiras cegas do combate eleitoral cada lado fica com suas verdades inventadas para satisfazer aquilo que querem, e assim seguem, cada vez mais convictos.

O mesmo personagem famoso apoia e condena candidatos, e vaga assim pela timeline, mudando de lado a cada postagem. E essas inverdades distorcem justamente a opinião daqueles que admiramos. Quem acha Zezinho Fulano legal é um agente difusor das verdades que ele nunca disse. E, assim, o seu suposto personagem preferido anda livre, leve e solto nesse debate-boca-telefone-sem-fio virtual, sendo amado ou odiado pela opinião que nunca teve.

Mas nós, o povo, não temos compromisso com A Verdade. Isso é responsabilidade que devemos cobrar só da tal grande mídia, do governo, dos outros.

Quem gostou desse texto, curta. Quem gostou muito, compartilhe. E cada compartilhamento vai gerar R$ 1,00 em doação para o bebê doente que ficou triste depois que seu cachorro fugiu. E isso é verdade. Saiu na Forbes...


Carlos Batalha

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