dobra

ecos de um barro oco

Franklin Marques

Franklin Marques tem suas melhores inspirações no mar, dentro ou fora dele. Marinheiro de primeira viagem faz poesia com duas mãos esquerdas, erra a rima e o traço

Garbo: uma atriz distante

Greta Lovisa Gustafson, a Divina, Greta Garbo carrega uma vida misteriosa. Dificilmente dava entrevistas e atendia ao público. Como, então, Garbo se tornou a grande estrela de Hollywood entre as décadas de 20 e 30?


Qual atriz sobreviveria à era das celebridades, caso em toda sua carreira tivesse concedido apenas quatorze entrevistas? Pois então, Greta Lovisa Gustafson, a misteriosa Greta Garbo conseguiu essa proeza, tornando-se umas das grandes estrelas da Sétima Arte.

Nascida em Estocolmo (Suécia) no dia 18 de setembro de 1905, Garbo foi a última dos três filhos de uma família de camponeses. Aos quatorze anos, após o falecimento do pai, precisou largar os estudos para começar a trabalhar. Desde então o silêncio, nesse caso das fotografias, definiam uma trajetória discreta e de sucesso.

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Dona de um rosto expressivo e de olhar marcante, Greta começou sua carreira no silêncio dos filmes mudos. A saber, The Torrent de 1926, Flesh and the Devil de 1927, e Anna Karenina de 1928. Sua carreira, diferente de muitos outros artistas, não parou com o surgimento do cinema falado, Garbo foi uma das poucas estrelas de Hollywood que ousou expor a voz.

Em Anna Christie, de 1930, ela apresenta ao mundo sua voz profunda e sensual, tingido por um leve sotaque sueco. Deixando, desse modo, o público mais surpreso e admirado ao seu enigmático semblante. O filme chega a ser promovido fazendo referência ao fato dela falar e se torna um sucesso, mesmo Garbo não ficando satisfeita com o próprio desempenho.

Podemos destacar mais dois eventos em sua carreira, primeiro sua interpretação da Dama das Camélias em Camille, de 1937, sendo considerada a melhor de todos os tempos. Em seguida, a comédia Ninotchka, de 1939, que tem como chamada “Garbo ri”, fazendo referência a uma cena em um bistrô parisiense, no qual a heroína dá a primeira risada de sua carreira.

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O que poucos podiam imaginar é que Garbo deixaria preservada sua voz, sua vida e sua intimidade. Ficando conhecida por não receber vistas enquanto estava gravando. De todo modo, Greta Garbo foi uma das estrelas mais queridas entre os anos de 1920 a 1930, tendo como marca sua discrição, evitando a publicidade e fofocas. Em Grand Hotel, de 1932, sua personagem afirma: “Eu quero ficar sozinha”, parece que essa frase reflete sua vida pública.

Exceto no início da carreira, Garbo não fornecia entrevista, nem autógrafos, não atendia aos fãs, nem compareceu a nenhuma “avant première” dos filmes que estrelou. Essa predileção pelo sigilo concede à Garbo o título, mantido por toda sua vida, de “A Divina”, a bela, a distante, a inacessível. Após o relativo fracasso de seu último filme, Two-Faced Woman, de 1941, Garbo põe fim à sua carreira, no auge da sua glória. Ela morreu em 1990, aos 84 anos em Nova York. Suas cinzas estão enterradas no cemitério de Estocolmo.


Franklin Marques

Franklin Marques tem suas melhores inspirações no mar, dentro ou fora dele. Marinheiro de primeira viagem faz poesia com duas mãos esquerdas, erra a rima e o traço.
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