dois senhores

Jornalismo e Literatura, pois todo jornalista fere no peito o escritor

Cíntia Silva

Jornalista (com diploma), bisneta de revolucionário, apaixonada por: Jornalismo, Literatura, História e Coxinha (não exatamente nessa ordem)

A minha parte Jessica James e a sensação de se reconhecer em um personagem

The Incredible Jessica James, o longa de comédia original da Netflix, narra a história de Jessica, uma roteirista/dramaturga frustrada em vários aspectos da vida que coleciona cartas de rejeição e vive experiências que você certamente já viveu.


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O cenário é um restaurante qualquer, uma garota conversando com um cara que ela conheceu no Tinder, o local foi estrategicamente escolhido, pois ela sabe que as sextas feiras o ex (que ela ainda não esqueceu completamente) costuma ir lá. Ela apenas espera que ele entre e veja como ela esta feliz saindo com outras pessoas. Ela é Jéssica James, mas ela poderia ser você, ou sua melhor amiga, ou a moça que trabalha na cafeteria que você costuma frequentar. Ela sou eu.

É por isso que Jessica conquista nos primeiros momentos de filme. De forma despretensiosa ela vai te contanto a vida dela, te mostrando como é normal ser esquisita de vez em quando e como você pode ser incrível na simplicidade do dia a dia.

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Jessica Williams é a atriz responsável por dar um rosto a essa personagem que mostra duas facetas distintas. Uma mulher alegre, sincera, que não tem medo de se expor e deixar claro os seus desejos e objetivos, mas que também esta frustrada com o rumo que sua vida vem tomando, já que ela acabou de sair de um relacionamento que ainda não superou e coleciona rejeições para atuar na área que tanto ama, a do teatro.

Enquanto os grandes planos para o futuro não se realizam, Jéssica dá aulas de teatro para um grupo de crianças e de vez em quando faz alguns trabalhos como garçonete para pagar os boletos.

Jessica James é uma mulher negra, que vem do subúrbio de uma cidade pequena e busca conquistar um espaço na cidade de Nova Iorque, e por mais que a vida dela parece bem dirigida, ela não se contenta com o clichê. Assim como trama do longa. A premissa da garota do interior que vai em busca de um futuro melhor é um clássico com início, meio e fim mais do que previsíveis, mas essa produção da Netflix consegue fazer a curva e cair em uma trama que vai te levando a pensar em assuntos polêmicos de uma forma tão bem humorada, que nem parecem uma crítica social foda.

Aposto que quando assistir, você vai achar super legal o livro infantil que tem uma “artista performática com um pênis”, ou uma “mulher dançando no meio de um café lotado com um vibrador” que ela acabou de ganhar de presente da amiga. E você vai achar super legal pois o contexto te leva a isso e te prepara para isso.

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A personagem não tem medo de se mostrar como o que ela é, uma mulher negra, feminista, dona de sí e de sua sexualidade. Como ela mesma diz, ela é uma rainha, ou o que ela quiser e se identificar no momento. A parceira de Jéssica nessa jornada é sua amiga lésbica Tasha (que talvez você conheça como a Rachel de Master of None), com a qual ela tem alguns dos melhores diálogos do filme.

Outros personagens marcantes são Boone, um recém divorciado que acaba se envolvendo com Jessica após um encontro as cegas e Shanda, uma das alunas do curso de teatro que em alguns momentos parece um reflexo do que a própria Jessica poderia ter sido quando criança, o que em alguns momentos rende cenas bem emocionais.

Somos todas incrivelmente Jéssica

Aposto que você já se sentiu deslocada em um chá de bebê quando todas as mulheres estão super animadas fazendo joguinhos e você só consegue pensar em como aquilo é estranho, e se não passou por isso, aposto que já passou horas stalkeando o instagram de um ex para saber o que ele anda fazendo, mesmo que isso te fizesse se sentir ainda pior.

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Ao longo do filme Jessica passa por situações muito comuns entre mulheres de várias as idades, e no meu parecer, isso remete a aquela regra básica de que você só se importa com personagens nos quais você se reconhece de alguma forma. A personagem se imagina situações nas quais poderia encontrar o ex-namorado e como ela agiria naquele momento, além de coisas que ela falaria, e essa, é a minha parte Jessica. Aposto que se você assistir ao filme, também encontrará a sua parte.

Durante a narrativa a protagonista passa por vários momentos frustrantes em sua busca por encontrar o seu lugar na profissão que escolheu, e na vida amorosa, mas apesar disso, o filme não perde o tom e não cai em momentos de “coitadinha dela, como ela sofre”, momento que sempre marca alguma virada das personagem femininas nesse tipo de filme. Jessica não precisa passar por um processo de “quebra” para resolver as situações nas quais ela se envolve na trama, tudo acontece de forma muito natural, e as peças se encaixam de forma muito simples. Isso reforça ainda mais a sensação de que aquilo que você esta assistindo pode ser real, como se uma amiga te contasse aquela história. No fim do filme eu só queria encontrar a Jessica mais tarde para que ela pudesse me contar o que aconteceu depois. Quem sabe a Netflix ajuda e ela termine de contar a história depois néh?!


Cíntia Silva

Jornalista (com diploma), bisneta de revolucionário, apaixonada por: Jornalismo, Literatura, História e Coxinha (não exatamente nessa ordem).
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