Viviane Mendes

22 anos. Estudante de Jornalismo. No mais, gosta de Literatura, Fotografia e Cinema.

Salinger: o homem que escrevia para si mesmo.

Um breve relato sobre a vida e obras do escritor norte-americano Jerome David Salinger


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Qual é a relação existente entre o assassino de John Lennon e a tentativa de homicídio do ex-presidente americano Ronald Reagen com o escritor norte-americano David Jerome Salinger? A obra "O Apanhador no Campo de Centeio".

Primeiro e único romance publicado em 1951 pelo autor e um dos best-sellers mais lidos do mundo, "O Apanhador no Campo de Centeio" relata a vida de Calvin Holden, um garoto de 17 anos, que após ter sido expulso do internato Pencey por mau comportamento, notas baixas e reprovação, retorna a casa dos pais antes do tempo e decide dar uma volta pelas ruas de New York a fim de adiar a notícia à família. A narrativa é intimista e de linguagem coloquial. Segue com algumas divagações do personagem em relação a si mesmo e ao seu futuro. Muitas vezes é sobressaltado por dúvidas e conflitos. Por essa razão, procura algumas pessoas importantes como o seu professor Spencer, sua antiga namorada Sally e sua irmã mais nova, Phoebe.

Voltando a indagação proposta acima, a obra já foi motivo de polêmicas como o assassinato do John Lennon, em virtude do Mark David Chapmam achar que era um pacifista hipócrita que escrevia sobre a miséria sem ao menos ter passado por tais situações. O livro também foi motivo de inspiração para o John Hinckley Jr.

Salinger também publicou contos em revistas famosas como Cosmopolitan e The New Yorker. O livro "Nove Estórias" (1953) reúne nove contos no qual o autor trata sobre a família Glass. Buddy Glass, um dos personagens da obra, é quem mais se aproxima da realidade do Salinger, após optar em ficar quatro décadas recluso e sem contato social, fato que aconteceu em 1954, decidindo-se mudar para uma casa em Cornish, New Hampshire.

Em uma das poucas entrevistas cedidas ao The New York Times, em 74, disse gostar muito de escrever, entretanto para si mesmo e por prazer. Depois foram lançados "Franny" e "Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira" (1955), "Zooey" (1957), "Seymour, uma Apresentação" (1959), tendo o último escrito publicado "Hapworth 10, 1924" em 1965.

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Recentemente descobriram um suposto testamento no qual Salinger alegou a publicação de cinco livros, alguns inéditos, tendo o primeiro a ser publicado em 2015. A biografia "Salinger" escrito pelo cineasta Shane Salerno e pelo escritor David Shields, foi lançada três dias antes da estreia do seu documentário, 6 de setembro, nos Estados Unidos e reúne entrevistas, fotografias, depoimentos de pessoas próximas, cartas e diários. O lançamento do livro aqui no Brasil será em janeiro de 2014, entretanto sem previsão de data. Já o documentário "Salinger" foi exibido em outubro deste ano no Festival do Rio, porém com a previsão de estreia em 14 de fevereiro.

Salinger era reservado e averso a exposição de holofotes. Gostava das suas obras livres de todo arquétipo de marketing. Quando a primeira edição do "O Apanhador no Campo de Centeio" foi publicada, Salinger passou alguns meses na Inglaterra para evitar presenciar a repercussão do livro. Chegou até a ordenar o editor-chefe, Agnus Cameron, a não divulgar a imprensa e tirar sua foto da orelha. Ele também não gostava das adaptações cinematográficas de suas obras, mas autorizou a filmagem de My Foolish Heart, de 1949, o que acabou detestando o resultado e nunca mais vendeu seus direitos autorais para o cinema.

Confira o trailer do documentário abaixo:

Talvez, quem sabe, se ainda estivesse vivo, Salinger mudaria sua opinião em relação ao cinema (ou não).


Viviane Mendes

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