Viviane Mendes

22 anos. Estudante de Jornalismo. No mais, gosta de Literatura, Fotografia e Cinema.

Breve análise crítica da obra "Cais da Sagração" de Josué Montello

Fruto de solos ludovicenses, Cais da Sagração foi considerado um dos romances de língua portuguesa mais aclamados pela crítica, tendo em vista a maturidade da linguagem e a estilística bem elaborada.


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Dono de uma vasta produção literária, desde crônicas à artigos jornalísticos, Josué Montello nasceu em São Luís - Maranhão, em 21 de agosto de 1917. Foi escritor, jornalista, teatrólogo e professor. Escreveu para a revista Manchete e para o Jornal do Brasil. Trabalhou no governo de Kubitschek, do qual escreveu um livro de ensaios, O Juscelino Kubitschek de minhas recordações (1999,) relatando fatos do país e a atuação do seu governo. Assim como trabalhou na Biblioteca Nacional e do Serviço Nacional de Teatro no qual foi diretor. Suas obras foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, alemão e sueco, como também ganhou adaptações para o cinema.

Em 1954, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras ocupando a cadeira 29. Dentre suas diversas importantes obras como Janela Fechada (1941), A Luz da Estrela Morta (1948) e Os Tambores de São Luís (1975), Cais da Sagração (1971) conquistou o prêmio Intelectual do Ano pela Folha de São Paulo e pela União Brasileira de escritores em 1971 e Prêmio de Romance da Fundação Cultural de Brasília em 1972. Montello recebeu também muitas condecorações e homenagens de institutos e colegiados que fez parte.

Sob a perspectiva crítico-analítica, é notável na obra a não linearidade dos acontecimentos, uma vez que, a trama se inicia a partir das crises fortes no peito e da apneia do Mestre Severino. Já no segundo capítulo, o velho barqueiro faz pretensões de casar de véu e grinalda com uma mulher chamada Vanju, mas logo é censurado pelo padre Dourado ao saber que a mesma foi uma meretriz. A história segue com o Severino dentro da sala do Dr. Estevão que, após se submeter a uma rápida avaliação médica, é constatado uma lesão grave no coração.

Mesmo mediante as objeções do médico, o pescador teima em viajar de barco, uma vez que, além de ser o seu instrumento de trabalho, era o seu estilo de vida e uma herança de família. Lucas Faísca, um velho conhecido da cadeia, recebe a visita de Severino que, por sua vez, demonstra a sua insatisfação quanto ao diagnóstico de sua doença e aconselha o seu amigo, que está moribundo, a não se entregar, assim como mostra esse fragmento:

“- Faísca – disse ele, com energia, buscando os olhos do outro – você precisa reagir. Reaja, enquanto lhe sobra um resto de força. Se você não reage, a doença toma conta de você. O homem só morre quando se entrega. E você está se entregando. Não faça isso. Eu ainda preciso de você” (1971; pág.: 46).

Há um paradoxo na figura feminina de duas personagens: Vanju e Lourença. Esta, submissa, cuidadosa, entregue às vontades do Severino. Àquela, delicada, de beleza exorbitante. Tal divergência não é sustentada por muito tempo, posto que Severino aspirava ter um menino para dar continuidade à geração, o que o desaponta. Mesmo assim, ele insiste em ter outro filho, mas ela contesta. Não aceitando a sua condição de mãe provedora, Vanju manda Lourença cuidar de sua filha Mercedes, enquanto ela restituía o seu estado anterior: uma vida pacata e sem obrigações. Apenas entretida na vaidade.

Passado o tempo, Mercedes cresce e casa-se com Vicente, que por sua vez, este lhe dá um filho homem, mas ela logo falece. Mais uma vez, Lourença se sente na obrigação de criar o neto de Severino que, já adolescente, demonstra desinteresse em virar barqueiro. O enredo também reporta o leitor às reminiscências do protagonista e ao redimensionamento do passado. Há momentos, no decorrer da história, em que o flashback se confunde com a presente situação ali retratada. Além disso, a linguagem rebuscada, as leves pitadas de humor, as figuras de linguagem, a identidade regional e temas como valores morais e religiosos, morte constituem a trama.


Viviane Mendes

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