dona efêmera e dona perpétua

Um olhar sobre coisas que passam e que ficam.

Rosita Rose

No centro da noite, no meio de um sonho, num bate-papo. E não me bastam as palavras!

Esculturas sonoras? E de pinturas?!

o texto trata do processo de criação de esculturas sonoras, realizadas entre o estúdio Dentsu e fotógrafo Linden Gledhill, que através do movimento das tintas, propiciado pelo som, realizaram esculturas de pinturas, tendo o som como elemento aglutinador. Além de expor o processo para gerar as esculturas, o texto apresenta um breve comentário sobre os elementos norteadores que permeiam a arte sonora.


Imagine um monte de tintas. Cores, muitas cores. Agora, imagine todas essas cores em movimento, como se estivessem dançando, criando várias formas entre cores e vibrações. Gostou da ideia? Então com certeza vai gostar da proposta artística que o Estúdio Dentsu, juntamente com o fotógrafo e bioquímico Linden Gledhill realizaram.

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Eles criaram esculturas de pintura, utilizando vibrações sonoras, para uma campanha das marcas de tinta de impressora Canon Pixma. Caixa de som, câmera fotográfica e a sensibilidade do artista formam os ingredientes dessa “receita escultórica-sonora”. O modo de fazer se resume em colocar as tintas em cima de uma pequena membrana acima do speaker e ligar o som. Como resultado, temos as subidas e descidas das tintas. E é no momento dessa espécie de dança que o fotógrafo entra em cena, congelando as tintas por meio da fotografia e, portanto, capturando um aspecto plástico, assumido pelas tintas.

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Mescladas umas nas outras, as tintam assumem um aspecto dançante, criando formas coloridas e muito agradáveis aos olhos. É uma verdadeira reunião de gêneros artísticos, a qual se propõe o conceito de arte sonora (sound art), que engloba a relação entre arte, música, arquitetura. Sabe-se que a partir de meados da década de 70 assiste-se a construção de uma relação mais próxima entre artes visuais e a música. O uso do som vem fazer parte de um processo que se aproxima mais do contexto de uma criação plástica do que musical. A sonoridade é material necessário para formar as composições, as formas fluidas, traduzidas pelas lentes do fotógrafo. A escultura sonora (soundsculpture), obra inserida no termo arte sonora, tem o som como elemento unificador da obra, sendo fundamental para a construção plástica da imagem construída.

Um tipo de produção como essa revela um intercâmbio que inclui tecnologias eletrônicas e digitais como instrumentos essenciais para a construção plástica. E nela o espaço é detalhe importante para a conexão entre os elementos envolvidos. O papel do espaço, nesses tipos de representações artísticas é tão importante quanto a sonoridade que deve estar presente. Ambos atuam como verdadeiros construtores da obra. Tintas e som compõem esculturas de pinturas que, lançadas para cima e para baixo, acompanham o timbre e se revelam escultóricas.


Rosita Rose

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