dona efêmera e dona perpétua

Um olhar sobre coisas que passam e que ficam.

Rosita Rose

No centro da noite, no meio de um sonho, num bate-papo. E não me bastam as palavras!

"Eu, a puta de Rembrandt", um romance de Sylvie Matton

Um livro para conhecer melhor Hendrickje Stoffels, serviçal, modelo, amante e, depois disso tudo, esposa do talentoso pintor holandês Rembrandt Van Rjin.


O livro é romance muito bem escrito por Sylvie Matton, esposa do cineasta Charles Matton, que realizou o filme "Rembrandt". Nas páginas, descrições de uma Amsterdã do século XVII e a figura de uma mulher admirada nas telas do artista, porém apontada como 'a puta de Rembrandt'.

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A autora, que no decorrer da leitura nos dá a certeza de que possui uma grande sensibilidade, consegue alimentar a imagem de quem seria a musa, a amante de Rembrandt, [tão repudiada na época], sem esquecer da geniosidade daquele que, com grande maestria, imortalizou sua amante através de algumas de suas pinturas.

"[...] Durante algum tempo ele viveu com Hendrickje, e essa maravilhosa mulher (exceto os de Titus, só os retratos de Hendrickje são como petrificados pela ternura e o reconhecimento do velho e sublime urso) deve, ao mesmo tempo, ter satisfeito toda a sua sensualidade e necessidade de ternura." (Jean Genet).

Saindo de Bradevoort para Amsterdã, tendo a casa de Rembrandt como destino, é onde a narrativa se desenvolve. E é impossível não imaginar, quase como numa pintura, a Amsterdã do séc. XVII. O livro tem descrições muito bem detalhadas, o que enriquece o modelo de escrita adotado pela autora.

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"Minha nova cama fica embutida na parede como em Bradevoort, mas é mais comprida. Meus pés se abrem em leque, posso me esticar, pela primeira vez na minha vida não vou dormir sentada. Conto os ossos do meu pescoço, um a um eles afundam no travesseiro. Para que as feiticeiras do diabo não me espetem com suas agulhas de fogo, coloquei aos pés da cama meus chinelos virados, com a sola para cima. Ao contrário. Mas esta noite (minha primeira noite na casa de Rembrandt) a corneta da sentinela na torre anunciando à cidade o passar do tempo me acordou de hora em hora. Entre duas chamadas, com os olhos arregalados na escuridão do quarto, eu ouvia o escoar do tempo na grande ampulheta de doze horas.(...)"

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Stoffels sofreu e foi julgada por amar aquele que foi não somente um dos maiores pintores da época, como também um grande gravador.

"Se a sentença for dada, se eu for acusada pela Igreja de ser a puta de Rembrandt, tu também, meu pobre amor, serás apontado na rua. Se os compradores não vierem mais à casa do pintor que vive com sua puta, nunca pagarás as dívidas. Irei, ouvirei a sentença do consistório. Acredito na misericórdia de Deus..."


Rosita Rose

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