dona efêmera e dona perpétua

Um olhar sobre coisas que passam e que ficam.

Rosita Rose

No centro da noite, no meio de um sonho, num bate-papo. E não me bastam as palavras!

Jayme Fygura e sua Performance-reivindicação

Aproximar-se, ainda que superficialmente, da obra Jayme Fygura, e dialogar com o homem escondido nos trapos e metais é uma experiência marcante e sensibilizadora, assim como se revela o artista. Sua performance não vem como um simples meio de atrair publicidade, chocar, intrigar. Ela vem também como uma forma de dar vida às muitas idéias e conceitos que surgem como uma arma contra o convencionalismo artístico.


jayme 4.jpg Imagem da internet

É na década de 1970 que a Performance passa a ser aceita como meio de expressão artística independente. Época em que a arte conceitual estava em seu apogeu, onde a performance era não raramente uma forma de demonstração ou uma execução dessas idéias.

Para Goldberg (2006), a Performance tem sido uma maneira de dirigir-se diretamente a um grande público, porém, seu principal propósito não vem a ser simplesmente um meio para chocar as platéias, mas vem a ser uma forma de fomentar o público para uma reavaliação de suas concepções sobre a arte e sua relação com a cultura. E, dependendo do tipo da performance, a presença do artista pode ser esotérica, xamanística, educativa, provocadora ou um simples entretenimento. No caso de Jayme Fygura, que decidiu viver como artista e obra de arte de maneira constante (24 horas por dia), sua ação performática poderia ser definida como provocadora. Figura interessante e um dos representantes da arte performática na Bahia, Jayme é uma obra de arte ambulante que caminha pela cidade de Salvador.

jaime 1.jpg Imagem da internet

Durante entrevista realizada em 2007, Jayme comentou que seu trabalho é “inusitante”, que a cada hora faz algo diferente, e que sua obra ainda está em andamento, inacabada.

jaime pés.jpg Pés de Jayme

Segundo o professor José Mário Peixoto Santos, em Salvador, na década de 90 e no início da década de 2000, houve um nítido interesse pela prática, pesquisa e divulgação da arte da performance, por meio dos estímulos dos eventos que aconteciam – os Salões da Bahia, realizados pelo Museu de Arte Moderna – MAM, na década de 90, por exemplo, e intercâmbios entre artistas empenhados em explorar essa linguagem artística. Jayme Fygura exemplifica, de forma clara, a ênfase à imagem híbrida que caracteriza o trabalho performático.

jayme 3.jpg Imagem da internet

A performance de Jayme surge diante de uma contestação do passado. Ele afirma que houve sim uma contestação no momento em que ele decidiu rasgar as roupas e se vestir do jeito que se veste, em tornar-se o Jayme Fygura, conhecido através de suas andanças pela cidade. As agressões, o desrespeito sofridos possibilitaram a escolha dele - o uso da temática da arte no corpo. Foi necessário utilizar seus métodos criativos para atingir sua meta, a representação de uma reivindicação perante a sociedade em que vive.

Nas palavras do próprio performer:

"A imagem é contestante. Eu só quero seguir meu caminho e mostrar minhas obras. Só que essa contestação veio do passado, do refúgio, da revolta. [...] É uma contestação. Lógico."


Rosita Rose

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