doze

o nome de uma história comprida que não se explica em poucas palavras

mónica aresta

escrever simplesmente pelo prazer de juntar as palavras

perdidos e achados

Recomeçar
v. tr. e intr.
Tornar a começar. = REINICIAR


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É sempre estranho quando a vida nos coloca, à frente, amigos que já foram há algum tempo e que entretanto deixaram de ser. Opções de vida diferentes, percursos diferentes, experiências diferentes. Pessoas diferentes.
(re)Encontrar amigos que não se vêm há muito é estranho. Já não somos o que éramos, já vivemos separados, aquilo que nos foi fazendo ser não é - impossível - aquilo que o outro viveu.

E fica a estranheza. O não saber como agir.


Como os legumes que se congelam e assim permanecem, frios e secos, definhando durante tempos e tempos, também as amizades congeladas - quando recuperadas - não voltam a ser o que eram. Perdeu-se algo. Perdeu-se tempo. Perdeu-se vida.

E fica a estranheza. O não saber como agir.


Tenta-se partir do ponto onde se ficou? Tenta-se, em dois ou três dedos (de conversa e de mão dada) voltar a fazer a ligação que havia antes? Volta-se atrás? Segue-se em frente?
Recuperar as ligações com pessoas que continuam importantes mas que deixaram de fazer parte é difícil, e delicado. Sente-se a obrigação de explicar, de esclarecer, de justificar, de quase pedir desculpa.
E pedir desculpa é sempre um mau início. É recomeçar onde não se parou.
Porque quando as pessoas são e fizeram parte de nós, continuaram a crescer connosco.

Mesmo que tenham deixado de fazer parte.


mónica aresta

escrever simplesmente pelo prazer de juntar as palavras.
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