doze

o nome de uma história comprida que não se explica em poucas palavras

mónica aresta

escrever simplesmente pelo prazer de juntar as palavras

histórias dos dias que passam

Há dias assim, em que tudo o que apetece é a vontade de estar em sossego.
Dias em que os sons só se ouvem ao fundo, e a cabeça pousa nas mãos enquanto os dedos hesitam em traduzir em letras aquilo que a alma guarda no peito.
Há dias assim, lentos, mornos, lassos. Que não sendo quentes não são frios. São apenas eles, dias, uns a seguir aos outros, minuto após minuto.


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Aqueles dias em que saímos de nós e nos observamos como um outro, grandes ou pequenos, cheios ou vazios de tudo. Em que não somos críticos nem fãs, apenas observadores de uma realidade que – sendo nossa – nos parece estranha e quase longe.

Dias que correm como a água que chove nos vidros. Lenta. Vagarosa. Definindo em cada gota o caminho que ainda não está nem nunca foi traçado.
Dias em que tudo é pastel, desprovido de força e de cor.
Dias mornos, envoltos em mantas que não servem para aquecer, mas que também não deixam o frio entrar.
Dias estranhos, cheios de tempo parado.

(parado? não. antes fosse. porque o tempo – esse – continua a fluir sem respeito pela vontade de sossego, e o minuto em que se chorou passou à mesma, ainda que não tenha sido realmente vivido)

Dias em que os dedos percorrem a lombada dos livros lidos ou não lidos, na espera que a lembrança do que encerram seja suficiente para quebrar essa teia de não querer nada.
Dias em que se lê, e se fala, e se escreve, no desejo que de um lado ou de outro surja a frase – a imagem? a palavra? – que dissipe a água em que os olhos se afogam.


Dias em que nos deixamos e prendemos na espera.
Mesmo não sabendo do quê.


mónica aresta

escrever simplesmente pelo prazer de juntar as palavras.
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