doze

o nome de uma história comprida que não se explica em poucas palavras

mónica aresta

escrever simplesmente pelo prazer de juntar as palavras

"before I die"

[ou aquilo que eu gostaria (mesmo) de fazer antes de morrer]


Há dias encontrei, na net, a descrição de um projeto fantástico e pesado ao mesmo tempo. Chama-se "Before I die", está (muito bem) apresentado aqui, e já deu livro.
Numa tradução simples, pode-se dizer que tudo começou quando Candy Chang, uma artista que gosta de fazer instalações em espaços públicos, decidiu cobrir uma parede de uma casa abandonada (em Nova Orleães) com tinta de ardósia, tornando-a num enorme quadro para escrever.
Para além de cobrir a parede com tinta, a artista acrescentou ainda uma frase, repetida inúmeras vezes: "Before I die I want to" (antes de morrer, quero...).
No dia seguinte, a parede estava totalmente coberta com os desejos de centenas de pessoas.

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"Before I Die", parede na Q Street, NW, Washington DC. Fotografada por Elvert Barnes Photography (foto do Flickr, licença Attribution-ShareAlike 2.0 Generic)


E são coisas como estas que me fazem parar para pensar.


De vez em quando, caem-nos na vida situações que nos obrigam a refletir, a fazer ou desfazer planos, a pensar mais longe.
Quando a morte, a doença ou a separação rondam, dou por mim a pensar naquilo que ainda me falta fazer (tantas coisas, tantas) e naquilo que REALMENTE ainda quero fazer.

Aquilo que, se soubesse ter apenas dois minutos de vida, faria.
Aquilo que, se tivesse de ser a última coisa que dissesse, diria.

Nestas vezes destes quandos, pego em caneta e em papel.
(esse último desejo, essa última vontade, essa última manifestação do meu "eu", nunca poderia ser transmitida pelas teclas de um computador.
a alma sai-nos pelo movimento da mão, pela caneta no papel.
pelas lágrimas que o mancham, pelo cheio da pele que fica)


Nessas vezes desses quantos, só me apetece dizer
"amo-te".

"Amo-te com todas as minhas forças,
com toda a minha alma,
com todo o meu coração.
Amo-te desde que te senti, desde que te vi,
desde que a minha vida passou a ser a tua vida.
Amo-te desde o momento em que chegaste,
e amar-te-ei até o dia em que partir
."


E na minha mente, pelos meus olhos fechados, passa a imagem daquelas que são a minha vida, o meu mundo: as minhas filhas, uma e uma, os pedaços de mim, aquelas a quem e para quem escrevo tudo o que deixo gravado por aí.
Mas, depois, o momento passa.
O medo (o susto?) desvanece-se.
A vida continua.

É um riso, é um beijo, é um abraço.
É a vida, aquela que se vive e não a que se alimenta
nas memórias e nas letras que (ainda) quero deixar.

E passo. Deixo para outra hora, para outro momento, para outro medo.

Se eu me for, entretanto...
... entregam-lhes este texto por mim?


mónica aresta

escrever simplesmente pelo prazer de juntar as palavras.
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