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Polifonia cultural

Regina Soulza

Graduada em Letras pela UFPR, editora de livros didáticos, guitarrista e o que mais o futuro reservar. Foco principal: a pura expressão da Arte.

"WOMAN", DE CAROL ROSSETTI: NEM TÃO DESNECESSÁRIO E ULTRAPASSADO QUANTO POSSA PARECER

O projeto Woman, da ilustradora brasileira Carol Rossetti, despertou críticas positivas e negativas entre as pessoas. Certamente você já se deparou com as simpáticas ilustrações de Rossetti nas redes sociais e, talvez, não tenha parado para pensar na relevância desse trabalho. Para equilibrar o debate sobre ele e em resposta ao artigo “Pelo direito do homem de broxar e da mulher de ter celulite”, de Mônica Montone, exponho a vocês, queridos leitores da Obvious Magazine, um opinião diferente. Vamos ao debate!


Li o artigo da colega de Obvious, Monica Montone, e resolvi colocar em prática algo que aprendi na graduação de Letras: um construtivo debate de ideias. O tópico é o trabalho Woman, da ilustradora brasileira Carol Rossetti. expo.jpg

O projeto de Rossetti traz à tona algumas atitudes preconceituosas, dos mais variados tipos, contra as mulheres. E não é nada de feminismo barato ou de grandes questões que já foram superadas nesse assunto. São pequenas coisinhas que estão lá, acontecendo diante de nossos olhos, todos os dias, com as mulheres que dividem conosco o ambiente de trabalho. Acontece comigo, com a minha amiga, com a sua amiga, com a sua mãe, com a sua tia, com a sua namorada. Acontece, mesmo.

Woman consiste em uma série de ilustrações com mensagens positivas, incentivando as mulheres que sofrem esses preconceitos a enfrentarem o desprezo social e melhorarem a autoestima. Isso, de cara, já é no mínimo válido. Pode ser que você, mulher que me lê, não se encaixe em nenhuma dessas situações e isso é ótimo. Mas têm muitas mulheres que se encaixam e que não conseguem lidar com o problema e, certamente, podem se sentir estimuladas com essas mensagens. Como o projeto de Rossetti foi traduzido para várias línguas e circulou em mídias estrangeiras, a validade do trabalho é ainda maior. Sabemos que existem países, ainda em 2014, em que o preconceito rola solto e forte. E nas cidades brasileiras, inclusive nas mais rurais, o preconceito contra as escolhas femininas pulsa, sem exagero. Eu, que nasci em uma pequena cidade e ainda tenho muitos parentes por lá, posso afirmar isso com certeza.

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No artigo, Montone atenta para o perfil antiquado do projeto da artista mineira, partindo da premissa de que não é necessário, em pleno século XXI, que existam práticas de incentivo ao respeito mútuo que deve existir entre homens e mulheres. Mas o problema é que as situações descritas por Rossetti não são apenas nesse sentido: abordam também o preconceito a favor da moral e dos bons costumes. E isso inclui as mulheres que acusam as escolhas de outras mulheres, mesmo tendo os mesmos hormônios.

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Os argumentos para defender Woman estão ao nosso redor. É só olhar para o lado e ver quantas mulheres do seu convívio fazem dietas diariamente, são julgadas por sua vida sexual, seu modo de se vestir, suas tatuagens (SIM, suas tatuagens!), sua decisão por não ter filhos ou por ser a favor do aborto, etc. Infelizmente esse tipo de preconceito acontece tão forte ao ponto de ser preciso, em certos ambientes, esconder suas opiniões (e tatuagens) para não chocar a comunidade. E acreditar que essas coisas não existem mais, por mais inaceitável que elas sejam, é o mesmo que acreditar que Elvis não morreu.

Outro ponto que talvez escape da crítica às mensagens de Rossetti é que elas podem dar em cheio nas pessoas que carregam esses preconceitos. Então, o intuito do trabalho pode não ser apenas dar apoio às mulheres discriminadas, mas a conscientização de quem julga. Por mais que a maioria das mulheres de 2014 continue fazendo suas escolhas sem medo da aprovação social (yes!), ainda há os que precisam se envergonhar por ter atitudes preconceituosas e, agora sim, antiquadas, ultrapassadas, lastimáveis. Dessa forma, o resultado positivo de Woman seria indiscutível.

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Agora, caro leitor, você já tem os dois lados da moeda. Só é preciso dar uma conferida no projeto de Carol Rossetti e tirar suas próprias conclusões. Mas, lembre-se: além do mundo ao seu redor existe um mundão, vasto mundão, no qual coisas tristes e que você nem imagina acontecem. Não ignore o mundão, jamais.

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http://www.carolrossetti.com.br/


Regina Soulza

Graduada em Letras pela UFPR, editora de livros didáticos, guitarrista e o que mais o futuro reservar. Foco principal: a pura expressão da Arte..
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