ela opina

Ela fala sobre tudo. Sobretudo fala na real.

Mikaella Pedrosa

Ela é Mikaella mas pode chamá-la de Mika. Jornalista em formação e apaixonada pela profissão. Recifense que mora em João Pessoa.E ela acredita que todo dia é uma nova possibilidade de se reinventar.

Por que fazer dessas eleições uma lição?

A maioria da população mostrou que está deitada eternamente em berço esplêndido esperando que os outros pensem por ela. Para haver mudança é preciso haver desequilíbrio do sistema e isso só acontece quando a massa tornar-se pensante e reflexiva. E a nossa situação atual é exatamente o contrário. Muitos ainda estão esperando por um salvador da pátria e morrerão esperando.


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Questionei-me sobre o que diferenciava essas eleições das outras. E bastou apenas olhar o feed do facebook para encontrar as respostas: Discurso de ódio. Xenofobia. Hipocrisia. Falta de reflexão política. Talvez algumas dessas características não sejam inerentes desta eleição de 2014 porém o fato é que foram intensificadas. Mas como lidar quando o seu próprio candidato não consegue manter o nível mínimo de respeito em um debate? Como uma população pode respeitar suas diferenças se os nossos futuros representantes não se respeitam?

A falta de respeito tem sido um dos maiores problemas desta eleição, principalmente dos eleitores. E isso é preocupante pois ao invés de nos unirmos, estamos nos desconjuntando. Ódio por ódio. Comentários carregados de ignorância não nos dão esperança de um Brasil melhor, nos envergonham. “Nordestino não sabe votar”, “bolsa esmola gera vagabundo”,”pode ser gay mas longe de mim”. Após tantos comentários abusivos foi criado um blog que expõem e denunciam os discursos de ódio nas redes: http://essesnordestinos.tumblr.com/

De repente a população que ano passado não se sentia representada por seus líderes políticos e que foi as ruas protestar, resolveu defender seu candidato a unhas e dentes. O que eu realmente não consigo entender o porquê. Percebe-se o nível raso de consciência política dos eleitores e idolatria de candidatos que constroem suas campanhas em mais acusações do que em propostas, apenas o ataque pelo ataque.

Todo esse comportamento negativo me remete a ideia de que esse período eleitoral se transformou em um jogo, os eleitores em torcidas organizadas e os debates em um ringue. O que mais está sendo observado a cada debate são os ataques pessoais em primeiro plano e propostas de governo em décimo. Uma mistura de ironia e ódio transformam o que deveriam ser debates em embates. E o brasileiro no meio dessa confusão está cindindo em duas metades e o ódio eleitoral está fazendo de tudo para tornar o dano irreparável que perdurará por muito tempo na sociedade.

Neste contexto, é evidente de que uma mudança no cenário político ainda vai demorar muito para acontecer. E isso me deixa particularmente estarrecida. O Brasil ainda não tem condições de fazer um debate aprofundado sobre seus reais problemas para saná-los. E um desses motivos é o conservadorismo que se esconde nas ideologias dos candidatos. A maioria da população mostrou que está deitada eternamente em berço esplêndido esperando que os outros pensem por ela. Para haver mudança é preciso haver desequilíbrio do sistema e isso só acontece quando a massa tornar-se pensante e reflexiva. E a nossa situação atual é exatamente o contrário. Muitos ainda estão esperando por um salvador da pátria e morrerão esperando.

Como lição aprendemos que o progresso existe tanto quanto o regresso e que para mudar o país leva-se tempo. E que não é pregando o ódio e impondo opiniões que vamos progredir. Para transformar uma sociedade é preciso amadurecê-la, pois enquanto a maioria não for politizada a minoria será sempre injustiçada. Transformar o país sozinho é utopia, unir-se é a palavra de ordem. Mas com o país dividido nosso sonho de melhorá-lo será adiado por mais um tempo. E viva o regresso!


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