em 35 mm

Flertando com a sétima arte.

Carlos Vitor Albuquerque

Impacto-me com tudo que o cinema me proporciona. Busco através da sétima arte insights diários e eternos.

James Dean e seus 3 diamantes cinematográficos

Uma carreira curta, apenas três filmes, uma vida conturbada, um ícone cultural, uma lenda, assim foi James Dean em sua vida dentro e fora das telas, confundindo gerações e as encantando


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James Dean faleceu aos 24 anos e se tornou sinônimo de muita coisa, um ídolo rebelde que perpassa décadas com seus poucos filmes, mas o Golden boy como era conhecido em Hollywood até hoje é cultuado entre os jovens e a turma mais antiga vinculada ao cinema. James Dean foi um amante da velocidade, ganhou sua primeira moto aos 17 anos e morreu em um acidente de carro no ápice da carreira em 1955. Foi um garoto introspectivo na infância e já atuava em peças escolares aos 14 anos. Ensaiou uma vida desregrada, foi um ser angustiado pela falta de apoio paternal e um garoto taciturno na juventude, talvez reflexo da ausência de uma figura materna por perto. James Dean perdeu a mãe quando tinha nove anos e seu pai o deixou aos cuidados dos tios, voltando a viver com o pai tempos depois quando se formou na escola e foi estudar artes dramáticas em Los Angeles, abandonando logo cedo o curso, indo morar em Nova York visando fazer parte da lendária Actor’s Studios, período da vida crucial para James Dean, onde a busca pela fama foi sua maior prioridade. Tal período foi produzido e retratado no filme feito para televisão intitulado: “James Dean” (2001), estrelado com fidelidade por James Franco, um filme crucial para quem queira saber mais sobre como foi a vida atraente e complexa de Jimmy.

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James Dean tem sua estreia no cinema ,com seu filme icônico Rebel without a cause de 1955 do cineasta clássico Nicholas Ray, (Mesmo diretor do maravilhoso Johhny Guitar), quebrando os paradigmas comportamentais dos jovens da época, o filme lançou James Dean à fama e apesar de ter morrido um mês antes do lançamento do filme, mostrou ao mundo o jeito técnico, subjetivo e teatral de suas atuações, personificando assim ao ator à figura rebelde e angustiada que sua geração (décadas de 40, 50) passava. Suas atuações foram comparadas as de Marlon Brando, seu ídolo e espelho conforme sempre afirmou, mesmo depois de conhecê-lo e ter-se decepcionado com a arrogância do ator. James Dean era a promessa daquele ano de 1955, um jovem ator que foi além de seu tempo, chamava atenção da crítica por seus rompantes e expressões faciais, modo pioneiro de atuar até então visto somente por grandes atores da geração como o próprio Brando, Paul Newman e Montgomery Clift. Dean era um ser humano completamente sensível apesar de seu temperamento difícil, tinha como sua bíblia, o livro “O pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry, sofria de insônia e forte miopia, adorava tocar bongô entre as gravações e enfrentava diversos boatos e severas fofocas sobre sua sexualidade. Juventude Transviada é um dos filmes que até hoje assisto e percebo o quão genial foi James Dean e prolífero em seu vocabulário corporal, o seu jeito de se expressar e a sua presença no campo de atuação é simplesmente único, realmente um filme atemporal, um ator superlativo.

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No filme East of Eden também de 1955, tem-se a primeira indicação póstuma do Oscar, justamente para James Dean que nunca levou nenhuma estatueta, porém seu simbolismo é mais imortal do que quaisquer peça dourada. O diretor Elia Kazan já era renomado na época da filmagem de East of Eden (1955), era conhecido por dar chances a novos rostos no cinema, se surpreendeu quando James Dean fez o teste de elenco e logo viu a capacidade inata do ator em interpretar personagens com cargas psicológicas conturbadas e atribuiu a James Dean a responsabilidade de filmar uma película com teor Bíblico e que deve ser vista com bastante atenção e reverência. Um filme pela qual sintetiza-se muito bem em uma crítica de Leonard Maltin, que cita : “Emocionalmente irresistível adaptação do romance de Jonh Steinbeck sobre a rivalidade de dois irmãos pelo amor de seu pai, afeta a geração de hoje tanto quanto as que testemunharam a estreia de Dean como estrela”.

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Em Giant, lançado em 1956, James Dean tem seu ápice de reconhecimento, dividindo a tela com um elenco estelar, indo desde Elizabeth Taylor e Rock Hudson ao premiado diretor George Stevens, pela qual Dean teve inúmeras discussões no processo de gravação do filme. Tenho esse como meu filme preferido de Jimmy, um filme de longa duração, porém de extremo aconchego ao assisti-lo, um filme que nos presenteia com inúmeras cenas clássicas, nos deixa atados do começo ao fim, e sequer nos permite perder a atenção de um piscar de olho. Assim caminha a humanidade, como intitulado no Brasil, teve um processo longo de edição, saindo somente depois de um ano de findo as filmagens. O Oscar brindou a película com oito prêmios e James Dean foi indicado novamente. James Dean morreu oito dias depois de filmado sua última cena em Giant (1956). Quem assistiu a essa película, ver o quanto era sincero a sua atuação, o quanto Dean transcendia em seus filmes, o quanto ele foi capaz de hipnotizar em sua forma humana.

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Espero para 2015 um filme intitulado Life, baseado na relação de amizade e entre Dean e o fotógrafo Dennis Stock, explorando o período em que James Dean passou com o fotógrafo em Los Angeles e Indiana, passando por Nova York antes do lançamento de East of Eden (1955). James Dean representa mais que um emblema de uma causa, de um padrão, um signo de estilo nas telas e na vida, assim encanta e se mistura à fantasia do mundo das artes, com sua figura de um eterno jovem que aproveitou cada fio de vida que lhe foi dado e sonhou, sonhou como citaria em uma de suas frases “Sonhe como se fosse viver para sempre, viva como se fosse morrer amanhã”.


Carlos Vitor Albuquerque

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