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Artes e afins

Roger Deff

jornalista, rapper, "fazedor" de artes e afins

Conglomano - A proza urbana e a musicalidade setentista de Dokttor Bhu e Shabê

Rappers de Belo Horizonte apresentam álbum recheado de influências literárias, cultura pop e o bom e velho funk setentista.


dokttor_shabe_blog.jpg-w=jpg A fórmula que une o groove do funk setentista às rimas do rap está longe de ser uma novidade, mas a receita está muito distante de perder o fôlego. É, desde sempre, o casamento perfeito. Prova disto é o álbum Conglomano (2013), dos mineiros Dokttor Bhu e Shabê. O trabalho tem como base o suingue da música negra brasileira dos anos 70, com letras que passeiam com desenvoltura por relações amorosas (O Amor é Meu), questões ambientais (Apocalipse) e flertam com a melancolia e o devaneio (Insônia), trazendo referências que abarcam cultura pop, literatura e, claro, sem perder a conexão com o Hip-Hop, cultura da qual os dois MCs são autênticos representantes.

O álbum de estreia dos “paladinos” (como eles mesmos se intitulam) não deixa dúvidas quanta à autenticidade da proposta. Dokttor Bhue Shabê bebem de fontes como Public Enemy, Gerson King Combo e Marcelo Yuka mas o resultado é muito particular e traduz uma identidade marcante, resultado da parceria bem sucedida entre os dois artistas. “Conglomano”, a palavra que dá nome à obra, é um neologismo criado pela dupla que quer dizer “conglomerado de irmãos”. O termo traz à tona o espírito colaborativo do trabalho que contou com as participações de amigos como Tom Nascimento, Radical Tee, Monge Mascavo, DJ Giffoni, Roger Dee, Daniel Sanábria, Marcus Nascimento, Ricardo Cunha, Leandro Said e Célio Soró, costurando parcerias entre músicos oriundos de escolas bem distintas.

Fortalecendo a estética funk/soul, o álbum foi mixado por Celson Ramos, músico que já trabalhou em discos de nomes como Sandra de Sá e Berimbrown. No fim, Conglomano é um convite à psicodelia, ao questionamento e ao groove, sem cair em armadilhas genéricas e cumpre muito bem a missão de “levar o ritmo aonde há disritmia.”

*Foto: Netun Lima


Roger Deff

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