A arte fotográfica de Fabio Stachi e seu potencial reativo constante, onde uma ligação de energias por volumes e pressões perceptuais se coloca em ação no ato da "experiência em si" individual com suas fotografias. Dessa forma que me vejo, incansavelmente diante de seus trabalhos. E não era pra ser diferente frente ao ensaio “Clausura”. Um ensaio de duas seqüências de 3 atos, onde o prognóstico se coloca como uma ótica conflitiva do homem frente a uma crise existencial, pela via estética caótica do fotógrafo. Proponho-me a descrever minha experiência particular diante deste trabalho específico, todavia não a limito, e através das minhas impressões sei que tantas outras podem emergir, naqueles que dispostos propuserem a entregar de si na análise interpretativa de sua arte.
Em cena o corpo é disposto nas duas primeiras imagens da primeira seqüência (que estão postadas acima), em posições fetais. Onde leio um retorno arcaico e abissal, a uma origem de ausência de sentidos conscientes. Uma simbiose rítmica de luz e sombras é construída a medida que os olhos escapam da figura, o corpo disposto em cena, e alcança o fundo, o cenário retratado. Um gestual inanimado de voluntariedade é desenhado na composição visual melodicamente desde pequenos detalhes a todo o conjunto que se funde, do corpo interior ao externo do que é visto, e vive-versa. Ambos se colocam em uma dependência constitutiva, de um enternecer de pathos.
No terceiro ato, o corpo alcança uma proeminência dos atos anteriores. Um nível de tensão psicomotora é captado em um instante de repulsa desde os membros inferiores a cabeça. Uma fumaça que até então, podia ser vista em consoante com o conjunto em cena, eleva-se numa densidade inconstante e involuntária, como uma música que começa a tocar sem que a tenha colocado, é a passagem ao ato. O que era um retrato de um inconsciente pulsional, volátil, dinâmico, rítmico, melodioso, e de soberana harmonia de si mesmo, começa a se romper em um nível de realidade, sintomatizando no corpo um momento transicional, que pode ser visto na expressão facial de dor e angústia. A ligação de Clausura rompendo-se.
Nos três atos seguintes da segunda sequência, vejo um
desdobramento dos anteriores. O corpo consciente de si mesmo se coloca
desamparado em cena, conseguinte por uma estranheza do desejo, que não é mais
uma conseqüência inanimada voluntária de pathos. Agora, o "ao redor" se torna
hostil, e a sensibilidade é movida pela dor. O que se vê a seguir é um constante
e frustrado desejo de retorno a Clausura que foi rompida.

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