Victor Silveira

Estudante de psicologia, que aspira Filosofia e Artes Visuais. Gosta de palavras assim como de silêncios. Costuma ser o intangível do que mostra ao vê-lo.

Nietzsche e a embriaguez artística

Nietzsche e seus pensamentos mostram-se muito relevantes no contexto sócio-cultural em que vivemos: a pós-modernidade. E arte, não escapa de sua reflexão.

nietzsche1.jpgFriedrich Nietzsche morre em 1900, e talvez por ironia do destino o vanguardista se despede da existência em um recomeço secular. Século este (XX) que seria intrinsecamente influenciado por sua filosofia. O grande pensador do século do XIX dedicou-se a uma missão superior e penosa, a produção intelectual existencialista. Temas densos foram discutidos em seus livros de forma profética e restritamente singular, por sua escrita metafórica e de grande choque de locução, que até então tinha sido preconizado por Schopenhauer no séc. XVIII. Nietzsche e seus pensamentos mostram-se muito relevantes no contexto sócio-cultural em que vivemos: a pós-modernidade. E arte, não escapa de sua reflexão: “Para que haja arte, para que haja alguma acção e contemplação estéticas, torna-se indispensável uma condição fisiológica prévia: a embriaguez. A embriaguez tem de intensificar primeiro a excitabilidade da máquina inteira: antes disto não acontece arte alguma. Todos os tipos de embriaguez, por muito diferentes que sejam os seus condicionamentos, têm a força de conseguir isto: sobretudo a embriaguez da excitação sexual, que é a forma mais antiga e originária de embriaguez. Também a embriaguez que se segue a todos os grandes apetites, a todos os afectos fortes; a embriaguez da festa, da rivalidade, do feito temerário, da vitória, de todo o movimento extremo; a embriaguez da crueldade; a embriaguez da destruição; a embriaguez resultante de certos influxos meteorológicos, por exemplo a embriaguez primaveril; ou a devida ao influxo dos narcóticos; por fim, a embriaguez da vontade, a embriaguez de uma vontade sobrecarregada e dilatada. — O essencial na embriaguez é o sentimento de plenitude e de intensificação das forças..."Friedrich Nietzsche, in "Crepúsculo dos Ídolos" Nietzsche eleva à condição da arte e sua dinâmica criativa a fisiologia da embriaguez. Demonstrando ser esse o processo pela qual se intensifica a revelação criativa, que até então é retida, censurada, moralizada pela própria máquina de produção artística, O corpo não embriagado. Todavia o que se permite embriagado por sua própria excitação ganha, tamanha força, ao se colocar em processo de intensificação de apetites e afetos, descritos pelo autor como crueldade, rivalidade, vitória, destruição... Explodindo em extrema plenitude e revelando o caráter ideativo e antagônico da contemplação estética. E é nesse caráter subversivo, que pretendo discutir a arte nesse espaço. 

Victor Silveira

Estudante de psicologia, que aspira Filosofia e Artes Visuais. Gosta de palavras assim como de silêncios. Costuma ser o intangível do que mostra ao vê-lo. .
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