Victor Silveira

Estudante de psicologia, que aspira Filosofia e Artes Visuais. Gosta de palavras assim como de silêncios. Costuma ser o intangível do que mostra ao vê-lo.

Manoel menino de Barros

O menino poeta, das imagens transmutáveis, da singela e doce liberdade de mato, de pedras, lagartos e pássaros. E uma homenagem musicalizada, exaltando seu olhar.

manoel2.jpgO encantamento que me proporcionou o conhecimento da obra poética de Manoel de Barros, mantém se imune a despaixão. Uma espécie de apego aveludado, um recanto de intimidade, despretensiosidade, espontaneidade, alívio, suspiro e descanso. É dessa forma que se dá em mim a leitura de seus livros e poesias. Uma necessidade para além de um condicionamento engendrado. Mas sim uma fuga necessária e consciente, desse turbilhão chamado vida adulta. E o estímulo é sempre o mesmo. Aleatoriamente me pego a debulhar sua riqueza do nada, pela formas e cores de seus versos.

O "Fazer-se menino". O retorno ao estado de onipotência narcísica. De constante contentamento de brincar com as palavras. O feio do que não é espelho, onde ver a si mesmo contrai a imagem de uma imensidão de desconhecimento, que gera a busca por uma não-verdade inventiva. São dessas vivências do olhar de um menino, isoladas das cordas de sociabilidades morais e culturais, que sua letra vira pássaro e verso, e voa fora das assas.

Nessa experimentação fascinante de redescoberta das palavras e das coisas, o fazer-e-desfazer, a exaltação dos despropósitos e das insignificâncias. A subversão se instaura em sua obra poética causando uma ruptura literária de densidade crítica e de transvaloração.

Manoel menino de Barros, que tornou-se o título de uma música composta em homenagem ao poeta maior, por José Eduardo Gallindo Novo, o ZeDu. Em uma inciativa da Tv Morena de Mato Grosso, a música virou um clipe, em um projeto idealizado pelo jornalista Ronaldo Balla, de incentivo e divulgação das manifestações artísticas regionais sul-mato-grossenses, sendo difundida em veículos de comunicação em massa, rádio e TV. 

O compositor conta que ao fazer uma visita a Manoel de Barros tinha a intenção de pedir uma poesia para musicalizar. "É um pedido ao qual o poeta responde sempre com a seguinte frase: Leia meus livros e disponha”.

E foi por este impulso que o músico decidiu, compor a musica homenageando e exaltando a obra mundialmente conhecida e aplaudida do poeta.

Manoel menino de barros (José eduardo gallindo novo - zedu) Néquinho Me ensinas-te a reler Re-olhar, reviver as grandezas do chão Na poesia que nasceu dos desvãos Pra brincar as palavras No estame do som Néquinho, és poeta que brota Como o musgo em silêncio De árvores a sublimar canções Existência sem medida Flor, lápis e papel Rãs, ferrugem e pedras, Manoel Manoel de barros Nasceu cuiabá Vive campo grande Viveu corumbá Rios de janeiros Cidades do mundo Sorveu água fresca E a luz do pantanal Manoel de barros Exagera o azul O desimportante Futuro nobel Manoel de barros Olhar de menino Uma garça branca No azul do céu

Veja o vídeo Clipe Aqui:

Leia mais sobre o poeta em minha visão no artigo, A irracionalidade poética de: Manoel de Barros


Victor Silveira

Estudante de psicologia, que aspira Filosofia e Artes Visuais. Gosta de palavras assim como de silêncios. Costuma ser o intangível do que mostra ao vê-lo. .
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