Victor Silveira

Estudante de psicologia, que aspira Filosofia e Artes Visuais. Gosta de palavras assim como de silêncios. Costuma ser o intangível do que mostra ao vê-lo.

Sapatos e o imaginário feminino

A instância do desejo feminino. É deste potencial de “ser mulher” que todo este imaginário aponta. Já se questionava Freud: Afinal o que deseja uma mulher? Deixando em seguida a resposta para os poetas. Mas talvez se fosse hoje dissesse: Olhem para os seus sapatos.

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Desde a necessidade de proteção dos pés, à história dos sapatos foi sendo reinventada e agregando a si componentes culturais específicos ao longo dos anos. Na atualidade a palavra sapato está ligada diretamente a praticas e aspirações das mulheres, e estas demonstrações de apaixona-mento, delas (mulheres) por eles (sapatos) ganham uma conotação irracional e insana para alguns homens. Muito se ouve de mulheres que compram um sapato por semana, e algumas outras que têm pares e mais pares que ainda nem foram usadas, e passando por uma vitrine em um passeio despretensioso são tomadas pelo impulso e quando dão conta de si, já estão com as sacolas nas mãos e um semblante de satisfação inconfundível de: “Ele é meu”.

Saltos de todos os tamanhos, bicos, plataformas, cores, sejam quais forem às infinidades do design, parece que quanto maior a quantidade de possibilidades, mais infinito se torna o desejo delas por eles. 

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sapato_20110908_bo_04.jpgQuando pensamos atentamente nessa relação, que permeia o feminino, podemos notar que existe algo que atravessa o consumismo. E óbvio que o capitalismo e a indústria da moda se beneficiam em grande estilo, mas olhando além percebemos os calçados nas mulheres incitando uma estrutura subjetiva de personalidade, fetiches, desejos, sensualidade e até sexualidade. Ficam claras tendências sociais e psíquicas. E para tentar entender tal fenômeno, torna-se inevitável remontamos o quadro histórico-social dos significados atribuídos aos pés durante os anos. sindhi_shoes_20110908_bo_05.jpg

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Deixando de ser meramente um instrumento do corpo para locomoção, no movimento humanista, os pés foram percebidos como erógenos, amoráveis, respeitáveis, acarinháveis e o mais libidináveis quanto podemos imaginar. Abandonou-se então o valor de instrumento para se adotar os calçados como preservadores da sensibilidade dos pés. As mulheres em uma posição desfavorável socialmente em seus direitos sexuais e civis foram obrigadas a esconder seus pés por séculos, até que quando retornaram a cena com sua emancipação de “Segundo Sexo” (destaco aqui a importância dos movimentos feministas) os pés das mulheres estavam livres para viver suas projeções, dentro do imaginário feminino. 

As mulheres acharam nos sapatos modos de se comunicar, isto dentro da singularidade de cada uma. Iniciaram-se assim os recursos ornamentais em sua multiplicidade, criando a moda dos pés. Eles passaram a ser objeto de enfeite e destaque na cena econômica. Os sapatos ganharam alma, a alma de quem os usava. Começou então a se delinear uma infinidade de histórias de amor entre mulheres e sapatos, uma relação de entrega e cumplicidade. Este é, evidentemente, o ponto comum na história dos sapatos, que atravessou décadas, sociedades, culturas, pensamentos e ideologias, bem ali, nos pés das mulheres.

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Victor Silveira

Estudante de psicologia, que aspira Filosofia e Artes Visuais. Gosta de palavras assim como de silêncios. Costuma ser o intangível do que mostra ao vê-lo. .
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