Victor Silveira

Estudante de psicologia, que aspira Filosofia e Artes Visuais. Gosta de palavras assim como de silêncios. Costuma ser o intangível do que mostra ao vê-lo.

Colecionadoras de Falos

Ato I: Seus olhos, de natureza eram verdes, mas quando vistos de um relance despretensioso, transformavam-se em um lago escuro...

medusa.jpgEram tantas que me perdia. E para cada uma, se fazia sempre outra. Uma magia de transverti-se de papéis de dentro para fora. A máscara que usava era apenas um detalhe do visto, diante do que se escondia por detrás de vistas alheias.

Seus olhos, de natureza eram verdes. Mas quando vistos de um relance despretensioso, transformavam-se em um lago escuro – quase negro –, de águas infinitamente geladas de uma caverna subterrânea. Daí residia sua profundez hipnótica do olhar: águas geladas e escuras.

Mergulhei no lago. Após ter sido capturado por seu verde profundo – quase negro, eu me sentia envolto por serpentes. Não era água que me molhava, mas serpentes que se enrolavam em meu corpo nu, e se moviam, esguichando suas línguas ao redor dele. Havia me tornado seu veneno.

Desmaiei sufocado pelo cheiro de peçonha, que agora fazia parte de mim, – um escárnio de minha própria pele. Não havia mais razão de estar em meu corpo envenenado e inerte. Saí então de mim, e fui ver-me de cima, do teto da caverna; quando de subido tudo reluziu a ouro. Vi então meu corpo em meio à serpentes amarelas, ser apenas mais um fio, por entre os longos cabelos vivos dela.


Victor Silveira

Estudante de psicologia, que aspira Filosofia e Artes Visuais. Gosta de palavras assim como de silêncios. Costuma ser o intangível do que mostra ao vê-lo. .
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