encha a xícara

Um gole de café e uma história pra contar

Dani Fechine

Graduanda em Jornalismo, leitora incessante e escritora do blog Escrever Para Não Implodir. Amante da literatura machadiana e admiradora da poética de Leminski. Paraibana que acredita num futuro regado a muitas histórias.
Escrever é uma necessidade que ultrapassa poesia, e eu ultrapasso a mim mesmo.

Um 1º de maio esquecido

O dia 1º de maio é marcado pela conquista dos trabalhadores e, portanto, celebrado o dia do trabalhador. Esse ano também se comemorou 20 anos da morte de Ayrton Senna, motivo que marcou ainda mais o feriado brasileiro. Porém, é a vez da literatura brasileira receber uma homenagem pelo seu dia.


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Dia 1º de maio foi um feriado em celebração ao dia do trabalhador, uma luta árdua que se iniciou com a Revolução Industrial, e após tanto sofrimento e labuta, o trabalho foi reconhecido e dignificado. Foi também lembrado os 20 anos da morte de Ayrton Senna, um herói ditado por muitos, um criador de sorrisos dominicais, de abraços comemorativos e o perpetuador da música mais instigante, até mesmo excitante, da história do esporte brasileiro. Só que o que poucos sabem e se dão conta é que o dia 1º de maio foi também marcado pelo dia da literatura brasileira.

Pois é, aquele seu pesadelo de escola, quando era obrigado a ler livros paradidáticos escritos por nossos mestres da literatura. Aquela chatice que você julgava desnecessária, sem fundamento e pouco proveitosa. Aquele gênero que pouco se vê nas estantes de casa e cuja seção da livraria pouco se habita. Aqueles romances de época, marcados pelos bons costumes e pela moral, pelas palavras rebuscadas e maquiadas de prosa e poesia.

O dia mereceu, sim, todas as palmas para os libertários do século XIX, para os que lutaram por melhores condições de trabalho, melhores salários, abolição do trabalho infantil e das cargas horários excessivas. Mereceu todas as homenagens para o brasileiro que mais nos deu orgulho e que, embora não fosse um anjo, nos fez sentir o calor da emoção de vitórias grandiosas. Mereceu, sim, os textos mais longos e belos, as fotos nas redes sociais, as hashtags subindo sem parar e as saudades de um ídolo. Mas faltou alguma coisa.

Somos tão patriotas quando nos convém, quando a Copa do Mundo toma a cena, quando um brasileiro ganha uma medalha de ouro na Olimpíada, um cinturão do UFC ou a até mesmo uma simples pole position. Somos tão brasileiros quando um dos nossos é agredido com racismo, quando temos um representante fora do país ou quando lutamos por menores preços das passagens. Mas somos falsos patriotas quando se trata de literatura. E isso desanima. Mas ao mesmo tempo estimula. Estimula a disseminar cada vez mais a leitura de textos nacionais. Particularmente, quando me pedem indicações de livros, nunca deixo de listar um nacional, um romance machadiano, um haikai leminskiano, um poema drummondiano ou qualquer conto que os faça apreciar um pouco mais do que nosso mundo brasileiro tem a oferecer.

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Portanto, o dia 1º de maio, acima de todas as comemorações e saudações, mereceu também um salve aos nossos mestres que iniciaram a arte mais bonita e sincera no Brasil: a escrita. Meu completo agradecimento a Machado de Assis, um mestre, um gênio, o Bruxo de Cosme Velho, o desacreditado Brás Cubas e ao mesmo tempo o instintivamente apaixonado Dom Casmurro. Ele que me fez amar cada vez mais essa fuga do clichê americano, esse desvio do romance tradicional. Minha admiração escandalosa a Paulo Leminski, o curitibano com verdades nas veias e uma pitada de romantismo nas palavras. Meus parabéns saudosos a Aluísio Azevedo, que me fez apaixonar por cada personagem de O Cortiço, me fez encantar com sua escrita sempre cuidadosa e instigante. E claro, ao Amado Jorge, criador de Gabriela, tão ingênua e ao mesmo tempo tão madura; de Capitães da Areia, Mar Morto; um dos escritores mais refeitos em novelas, filmes e minisséries. Um salve enorme, e com todo amor e admiração do mundo, a Carlos Drummond, a José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo, Guimarães Rosa, nosso paraibano inesquecível Augusto dos Anjos, Monteiro Lobato, Graciliano Ramos, Cecília Meireles, Érico Veríssimo e mais uma imensidão de autores, de mestres da escrita, de gênios da literatura, amantes da prosa e da poesia, admiradores da arte e da vida brasileira que, felizmente, fizeram parte da história do nosso país.

Um grandioso “obrigada” ao surgimento dessas pérolas, um obrigada ao compartilhamento do talento, a generosidade do amor, aos escritos mais lindos da minha estante e, principalmente, obrigada pelas obras fantásticas que tornam as pessoas que leem cada vez mais grandiosas.


Dani Fechine

Graduanda em Jornalismo, leitora incessante e escritora do blog Escrever Para Não Implodir. Amante da literatura machadiana e admiradora da poética de Leminski. Paraibana que acredita num futuro regado a muitas histórias. Escrever é uma necessidade que ultrapassa poesia, e eu ultrapasso a mim mesmo..
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