encha a xícara

Um gole de café e uma história pra contar

Dani Fechine

Graduanda em Jornalismo, leitora incessante e escritora do blog Escrever Para Não Implodir. Amante da literatura machadiana e admiradora da poética de Leminski. Paraibana que acredita num futuro regado a muitas histórias.
Escrever é uma necessidade que ultrapassa poesia, e eu ultrapasso a mim mesmo.

vai ter copa sim

Em meio a tantas discussões, debates e questionamentos, hoje, a única certeza que temos é que apesar de tudo: vai ter copa sim.


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O destrutível legado da copa é inquestionável. Todas as questões positivas a se pensar quando o assunto está em pauta, escorre pelos dedos como água. O turismo, em curto prazo. O estudo de uma nova língua pelos proprietários de bares, restaurantes e profissionais em geral que trabalham com o público também será algo efêmero. Isto é, a prática leva à perfeição e o esgotamento dela leva à estagnação. A perspectiva de que o Brasil irá mudar é tolice. E se mudar, será para pior.

Porém, a questão a se discutir não é mais essa. Como dito, nesta pauta já não se acrescenta mais nada. Mas vale a pena chorar um pouco pelo leite derramado, por que, vá lá, tem muita coisa errada nisso aqui. Como uma brasileira amante do esporte e da Copa do Mundo, seria hipocrisia e até mesmo egoísmo querer evitar a propagação do evento. Tudo que integra o esporte é válido. Tudo integra uma nação também vale a pena. O ponto principal é que o Brasil não é o lugar mais adequado para isso acontecer. Pra quem ver de fora, realmente, está tudo certo, tudo bem e bonito por natureza. Toda a sujeira foi varrida pra debaixo do tapete, as roupas jogadas no guarda-roupa e os sapatos guardados sem caixa. Está tudo camuflado e agora o Brasil abre os braços para receber diferentes nações.

O Brasil vive uma grande festa, mas uma festa que não está acessível a todos. O ponto de partida foi o momento em que se escolheu como sede para a Copa do Mundo, um país que não sustenta nem o seu próprio povo, imagine um mundo inteiro. O erro esteve em não protestar com força no momento em que o jogo poderia ser invertido. Gritar por escolas, hospitais e segurança pública no “padrão FIFA” não vai adiantar. Todo o dinheiro que foi investido na construção de estádios, nas reformas de aeroportos e nos transportes públicos não voltará mais. Ou pelo menos, não agora. Era, sim, uma verba suficientemente necessária para tirar um dos pés da lama. Era, sim, o mínimo que uma população carente em serviços públicos merecia. Mas venhamos e convenhamos, perdemos o momento exato de lutar pela palavra. No lugar da luta veio a comemoração. Soframos as consequências de uma hipocrisia disfarçada pelo patriotismo verde e amarelo, instigados pela bola no pé e controle na mão.

Além disso, todos esses protestos e greves que circundam o nosso país num momento de integração e interação como esse só levarão à balbúrdia e nunca a alguma solução. Não é um julgamento inválido que faço das manifestações, é apenas uma realidade que muitos ativistas se poupam em enxergar. Acorda, gigante! A porta estava aberta e a Copa do Mundo entrou na nossa casa sem pedir licença. Não estou abaixando a cabeça para as decisões políticas. Estou apenas levando adiante o único legado que o nosso Brasil ainda pode oferecer para os estrangeiros – já que pra nós, ganho nenhum irá cobrir a carência de um povo inteiro: o de que ainda somos hospitaleiros, acolhedores, gentis, bem humorados e educados. Sim, educados. Não nos deram escolas de qualidade para levar isso adiante, tenho que concordar. Mas bom senso ou nasce conosco ou não herdamos de maneira nenhuma.

Falta investimento na saúde, educação, transporte e segurança. Falta atenção com as comunidades carentes. Falta diminuir a corrupção política. Falta distribuir a renda. Falta retroceder um pouco e cair na real que não somos um país de primeiro mundo e que eventos como esse não nos caem como uma luva. Pelo contrário. Vamos pagar caro por todo esse jogo de bilhões que foram gastos nesses últimos meses. Além disso, a copa não é para todos, meu Brasil. Mas ela está aí. Os protestos também não são para todos. E mesmo assim, eles também estão aí. O que acredito é que um povo que em nada tem a ver com os nossos problemas pessoais devam levar a culpa de um mau investimento do governo. Sejamos civilizados, cordiais e honestos, porque a única certeza que temos nesse momento é simples: vai ter copa sim.


Dani Fechine

Graduanda em Jornalismo, leitora incessante e escritora do blog Escrever Para Não Implodir. Amante da literatura machadiana e admiradora da poética de Leminski. Paraibana que acredita num futuro regado a muitas histórias. Escrever é uma necessidade que ultrapassa poesia, e eu ultrapasso a mim mesmo..
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