encontros

quando uma vida encontra outra e a palavra encontra a carne

Carlos Feitosa Tesch

Historiador, especializado em política, ética e linguagem. Atuando como professor, escritor, editor e revisor acadêmico.

MANIFESTO CONTRA OS DEGENERADOS POLÍTICOS

Se você endossou a gestão do partido dos trabalhadores, sobretudo depois do segundo mandato de Lula e se você reelegeu a presidente Dilma, você não é apenas vítima, você é cúmplice. Cúmplice do mensalão, do lava-jato, do petrolão, de assistencialismos eleitoreiros e da segregação racial/sexual institucionalmente fomentada, você deveria ser julgado, você é um José Dirceu.


croqui_congresso_niemayer_1958.jpg

Momento de vitimização política, lamentos de madalenas governistas, os mais sensatos, sim... os mais sensatos eleitores petistas, depois do desajuste fiscal, das tantas delações/denuncias, dos cortes nos programas e serviços sócias, inundam as mídias com choramingos, desculpas esfarrapadas e justificativas débeis.

Não basta pedir desculpas protocolares, como quem inadvertidamente esbarrou em alguém, nem jurar não fazer mais, como uma criança inocente. Não tome para si as vestes de uma virgem deflorada, entre lamúrias de inocência.

Esteja certo de que a culpa é sua, da sua preguiça política, da sua ignorância quanto aos projetos de governo, da sua depravação ideológica. O masoquismo político está finalmente passando e você se deu conta de ter alimentado seu a próprio algoz.

Mas você se esconde por trás do alienante sistema republicano, o voto, instrumento que transmite para outro a responsabilidade de governar e para poucos a culpabilidade dos desgovernos.

Sim, você que elegeu e reelegeu a presidente em exercício foi cúmplice de um passado sórdido e criminoso, acobertado pela nevoa da anistia, que perdoou assaltantes, torturadores, terroristas, resguardados pela farda ou pela falta dela.

Temos um governo bandido, conivente com autocracias, torturas e massacres, mas tudo vale, em nome do engodo da justiça social. Você dissimula frente um sórdido governo que se alia as ditaduras mais violentas do continente, aos governos mais bestiais, contribuindo com capital e infraestrutura para a permanência dos mesmos.

Elegeu-se uma guerrilheira bandida e especializada, que nunca lutou contra a ditadura militar, mas meramente pela implantação de outra, ainda mais violenta e danosa para o povo, perpetrada sob a mentira socialista.

Você que deu um terceiro mandato a esse “sindicato de bandidos” foi conivente com os primeiros escândalos do mensalão, das evidências de desvios na PETROBRAS e no BNDES.

Todavia, você que se utiliza da gestão do PSDB, na presidência ou nos estados, para legitimar as atrocidades do atual governo, é o pior dos degenerados políticos, um bandido “Genoino”.

Você é capaz de matar, de roubar e de cometer as maiores atrocidades, já que outros também o fazem. Sua legitimidade de precedentes é a desculpa comum dos bandidos, dos covardes, dos inimigos da sociedade.

Supostamente munido de uma ideologia de esquerda falida, sua cegueira conivente não lhe deixa perceber que poucas rusgas diferem os projetos socioeconômicos de tais partidos. Mas apenas o último, na gestão, foi sórdido o suficiente para defender uma moral nova a cada dia.

Aquém dos inúmeros escândalos ligando todo o alto escalão petista em um gerenciamento de corrupção que suplantou qualquer outro já vivenciado no passado, coroando a falência do decrepito sistema republicano brasileiro, com uma imundice que manchou todos os partidos e instituições.

A notória incompetência da presidenta, até mesmo em sequer conseguir balbuciar algumas palavras com sentindo, sua incapacidade de encarar as acusações, seus conchavos obscuros, sua omissão enquanto presidia o conselho administrativo da PETROBRAS, suas mentiras eleitoreiras e sua administração calamitosa não podem ser ignoradas.

Contudo, você finge desconhecer a recessão, a falência econômica e social e a inigualável carga tributária, culpando a imaginaria crise internacional.

Você consegue ignorar um rombo de 120 bilhões, o descarado encobrimento e a falta de transparência dos gastos públicos, desde o cartão corporativo até o sigilo outorgado sobre os negócios do BNDES, da CAIXA e do Banco do Brasil, em um claro descumprimento da lei de responsabilidade fiscal.

Temos um governo asqueroso, um governo que mentiu nas campanhas e assumiu tal fato, assim como assumiu a manipulação de dados fiscais, debilmente alegando um complexo de Robin Hood.

Um desgoverno que fracassou em todos os âmbitos, que alimentou o ódio entre os diferentes setores da sociedade e se valeu disso como escudo e plataforma eleitoreira, reinaugurando o cabresto.

Como desconsiderar a responsabilidade de um gestor na decadência de uma empresa? Como inocentar, então, o maior dos gestores da maquina pública pela falência da mesma?

Todavia, a constatação da sua falência cognitiva não pode ser acobertada pelo simplório argumento da ignorância, você não terá o atenuante que possuem os tolos e os ingênuos.

Você é um cínico em enxergar a abertura de uma investigação acerca dos atos presidenciais como uma rixa entre PSDB e PT, uma mera briga entre Cunha e Dilma, ignorando o direito potestativo e as investigações paralelas de governos estrangeiros e do próprio TCU e TSE.

Eduardo Cunha foi o redentor dos petistas, um grotesco messias pelo avesso, quando cabisbaixos, prostrados em desalento já professavam sua máxima culpa, os governistas encontraram um demônio amigo a quem culpar.

Aqueles que se opõem a abertura do processo de impeachment padecem de inigualável falência cognitiva, uma profunda fraqueza moral e uma covarde ambivalência ética.

Você defende a prerrogativa de colocar um indivíduo político acima da lei, ninguém é tão imaculado que não possa ser acusado, que não tenha que se defender diante de indícios de culpabilidade, ainda mais quem se assenta no alto do poder executivo e é responsável pela gestão de toda uma Nação.

Mas nenhum indicador de responsabilidade nos crimes contra o dinheiro público é suficiente, pois sua dúbia moral chama de golpe os processos democráticos legais, conforme convenham, lhe permitindo esbravejar pelos milhões na Suíça de um, pedindo sua cassação, e consentir contra a abertura de uma investigação acerca dos bilhões desviados sobre a gestão de outro.

Você prefere acreditar que existe uma grande conspiração de todos os índices do mercado internacional e da própria economia nacional que suplica pelo fim desta maquina recessiva. Parece não perceber que a abertura do processo de impeachment não resulta na automática cassação do investigado.

Não, você não é tão estúpido assim, a verdade é ainda mais sórdida... Você tão somente não quer reconhecer sua estupidez política, não quer que apareça a sua suposta conivência com esses bandidos autodeclarados “movimentos sociais”, onde seus líderes enriquecem com dinheiro público, dinheiro gasto também para pagar artistas, propagandas e sustentar conchavos de quem teme ser investigado.

Talvez seja a sedução da beleza vazia dos discursos daqueles que aparentemente legiferam em defesa das minorias, atribuindo a outros um falso altruísmo que sua consciência por si só não é capaz de realizar; não existe “roubar dos ricos para dar aos pobres” na política, ainda mais sob a vigia do Estado, você não está Nottingham e nem é um dos homens da floresta de sherwood.

Já não sei se é melhor crer na sua estupidez ou na sua corrupção humana. Talvez uma síndrome de Estocolmo, um complexo de animal doméstico, algo que possa ainda preservar em você uma gota de caráter... Uma possibilidade de futura lucidez.


Carlos Feitosa Tesch

Historiador, especializado em política, ética e linguagem. Atuando como professor, escritor, editor e revisor acadêmico..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// //Carlos Feitosa Tesch