encruzilhada

O encontro entre o admirável, o erudito e o simplesmente interessante

Sandro Marcos

Viciado em atenção e notívago inveterado, simplesmente não vive sem a multiplicidade de culturas e conteúdos! Multiplicidade esta que expressa através de incursões pelos mundos da música, poesia, literatura e do amor verdadeiro.

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A arte espiritual e psicodélica de Alex Grey

Alex Grey hipnotiza, com sua arte mostrando a realidade da anatomia, do espírito e do cosmo em múltiplas camadas ele trouxe inovação e maravilha à arte contemporânea. Deixe-se entorpecer por suas criações, um deleite em forma de imagens.


wonder.jpgWonder - Zena contemplando a lua, acrílico em papel, 1996

Alex Grey é, antes de tudo, uma boa expressão de arte moderna, de multiplicidade e inovação. Ele é capaz de maravilhar por suas criações sensacionais mas também chega a chocar por seus temas, além do caráter explícito de sua arte. Uma arte inspirada, que retrata em suas obras multiplas dimensões e interpretações da realidade como o entrelaçamento da anatomia biológica com energias psíquicas e espirituais e a representação visual da natureza da vida e da consciência. Em resumo, um deleite em imagens e um estimulante psíquico extremamente recomendado àqueles sedentos por criações sem par e por arte que desperta algo mais que a observação pura e simples.

Desde criança Alex Grey foi encorajado às artes pelo pai, um designer gráfico. Em 1975 ele experimentou LSD em uma festa, onde conheceu a mulher que se tornaria sua esposa até hoje, e teve visões de um túnel que mudava dinamicamente de preto para branco, passando por tons de cinza. Esta visão trouxe as respostas para seus dilemas, e por isso ele adotou seu sobrenome artístico atual (Grey = cinza). Alex Grey tem uma carreira repleta de grandes exibições que foram de Tókio a São Paulo, além de aparições em canais de televisão como Dischovery Channel. Também teve sua arte usada em álbuns de bandas famosas como Nirvana, Beastie Boys, Tool e String Cheese Incident, entre outras. Suas viagens lisérgicas o fizeram descobrir um novo mundo, uma nova forma de ver as coisas, a realidade. Assim adicionou, para a concepção de sua arte, esta experiência aos conhecimentos adquiridos por ter passado cinco anos em um departamento de anatomia estudando e preparando cadáveres para dissecação. Alex é mais conhecido inclusive por suas representações anatômicas de corpos humanos e as várias camadas da realidade relacionando-se com a força espiritual, mas vale citar também o teor sagrado em muitas de suas obras.

Namaste.jpgNamaste, óleo sobre linho (tela), 1994

Uma das mais famosas e cultuadas é a chamada Sacred Mirrors, uma coleção de 21 pinturas em tamanho natural que levam o observador a uma viagem pela natureza divina através da visualização, em detalhes, do corpo, mente e espírito. Em Manhattan ele criou sua “Capela dos Espelhos Sagrados” (COSM - Chapel Of Sacred Mirrors), local muito visitado onde expõe pinturas gigantescas trazendo à mente o renascentista Michelangelo; estas pinturas procuram ilustrar a evolução do corpo material (contando os citados mínimos detalhes biológicos) à grandiosidade do corpo sutil, representado por chackras, kundalini e outras energias vitais.

A arte torna-se mais interessante a partir do momento em que inspira reações, motiva criações ou deixa estupefato seu observador. Garanto que o trabalho de Alex Grey pode fazer isto com quase qualquer pessoa, crente ou não. A observação pede realmente um olhar mais demorado (com sua permissão obvious) e uma predisposição ao mergulho profundo neste mundo por ele apresentado é altamente recomendado. Tomemos como exemplo a obra Gaia, um óleo de 1986. Gaia pode basicamente ser explicada por "Mãe Terra" e é incrível o balanço que o artista conseguiu imprimir ao mostrar dois "mundos" diferentes, enfocando a árvore, com e sem a interação humana. De um lado da grande árvore o mundo sem humanos e do outro o mesmo mundo devastado pela ação da humanidade. Um trabalho esplêndido enfim.

gaia.jpg Sua história e filosofia de vida podem ser facilmente encontradas numa rápida pesquisa pela internet porém o que proponho aqui é realmente um olhar bem mais demorado em suas criações. Quem tiver oportunidade de ir à 27th Street em Manhattan nos Estados Unidos com certeza não deveria deixar de visitar a COSM e conhecer de perto toda a beleza destas obras. Eis algumas outras, respire fundo e deixe-se submergir:

alex21.jpgDying, 1998

Alex-Grey-3.jpgCosmic Christ (detalhe), óleo na madeira, 1999-2000


Sandro Marcos

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