encruzilhada

O encontro entre o admirável, o erudito e o simplesmente interessante

Sandro Marcos

Viciado em atenção e notívago inveterado, simplesmente não vive sem a multiplicidade de culturas e conteúdos! Multiplicidade esta que expressa através de incursões pelos mundos da música, poesia, literatura e do amor verdadeiro.

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E se as bandas de rock durassem para sempre?

E se as bandas de rock durassem centenas de anos como as orquestras sinfônicas? Novos integrantes levando adiante um legado sem a necessidade de registros antigos como amparo a esta perpetuação. Um exercício do imaginário, tão inverossímil quanto prazeroso é o que se propõe.


Yes-Steve-and-Chris-live.jpgSteve Howe e Chris Squire (Yes).

Alguns dias atrás, Chris Squire, baixista da banda britânica de rock progressivo Yes, disse em uma entrevista à revista brasileira Roadie Crew, que por vezes imagina sua banda como uma orquestra sinfônica, durando mais de duzentos anos às custas de novos integrantes que iriam sucedendo os atuais e mantendo o legado musical do Yes sempre vivo. Mas será possível que isto seja uma verdadeira perpetuação da música do grupo? Deste ou de qualquer outro que se tome como exemplo? Ou seria uma espécie de mácula à um repertório que para muitos já atingiu a condição de sagrado? Imaginar esta sucessão de integrantes é algo tão surreal quanto inverossímil ainda hoje, mas não custa propor a questão e é isto que se faz aqui num exercício do imaginário.

R-36_Gruen.jpgMick Jagger e Keith Richards, parceria lendária.

A história dos grupos musicais, notadamente de rock, nos remete à reunião de integrantes que antes de tudo eram amigos "fora da banda". Colegas de escola ou de mesmo bairro, amigos de infância que, com interesses musicais semelhantes, se juntam e aos poucos se tornam uma banda. Então acontecem seus primeiros (e sem audiência) shows e compartilham do mesmo sonho: gravar um disco e sair em turnê para que mais e mais pessoas os vejam. Esse é o retrato lúdico que ainda povoa a maioria de nossas mentes quando pensamos em bandas de rock. E é justamente por isso que fica complicado admitir um Yes sem Chris Squire, Peter Banks (guitarra) e Bill Bruford (bateria). Tente conceber os Rolling Stones com uma parceria diferente da eterna Jagger/Richards, parece impossível! Por mais que o nome da banda se perpetue em atividade, fica a impressão de que o que estaria chegando aos ouvidos não passaria de um "fake" legitimado por contratos. O Led Zeppelin por exemplo, em 2007 fez um breve retorno à ativa para memoráveis shows, mas quando se falou nisso alguns mais puritanos questionaram a validade deste retorno pela ausência do lendário baterista John Bonham. Seu filho Jason Bonham assumiu as baquetas, os shows foram sensacionais e inclusive foram lançados recentemente em CD/DVD/Blu Ray/Vinil, com o sintomático título "Celebration Day". Pois bem, não houve ofensa ao legado do Zeppelin, mas afinal havia três integrantes originais! Os principais compositores estavam lá, Page/Plant, uma das duplas mais consagradas da história.

orquestra-sinfonica-de-londres-se-apresenta-durante-cerimonia-de-abertura-dos-jogos-olimpicos-1343420655495_956x500.jpgOrquestra Sinfônica de Londres em apresentação na abertura das Olimpíadas de 2012.

Em contrapartida, pode ser que destes "fakes" anteriormente mencionados surjam artistas que realmente tenham algo a dizer, e que o nome da banda realmente se perpetue com qualidade, sem depender de vendas de trabalhos antigos de destaque. Tudo bem, Elvis, Beatles, Curt Cobain, Jimi Hendrix e tantos outros artistas já falecidos ou com carreira encerrada continuam a arrebanhar milhares, milhões de fãs e a vender outro igual tanto em material relacionado ao seu legado musical. Mas não seria melhor ou mais empolgante poder relacionar esta audiência com a criação de material novo? Novos fãs, novas percepções artistísticas mantendo a essência original mas com "sangue novo" no comando da situação, como responsável pela criação. Uma constante publicação de novos conteúdos - de maior ou menor qualidade, tudo é possível - mataria parte da sede e acalmaria a saudade que os fãs sentem de seus heróis. ou talvez os novos integrantes apenas se oncentrassem em shows. A identidade da banda, como conhecemos, estaria ameaçada, desfalcada, sim, mas o nome seria levado adiante por pessoas vivas, sem depender da memória e dos registros passados.

402391_439294756132599_319425925_n.jpgLed Zeppelin em 2007.

Mácula, homenagem ou simplesmente caça-níqueis, não importa o julgamento que se faça pois é pouco provável que o "desejo" de Chris Squire se satisfaça. Com o perdão dos ortodoxos e radicais de plantão, mas seria deveras interessante poder acompanhar o que quatro novos integrantes "aprontariam" sob o pesado nome "The Beatles".


Sandro Marcos

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