encruzilhada

O encontro entre o admirável, o erudito e o simplesmente interessante

Sandro Marcos

Viciado em atenção e notívago inveterado, simplesmente não vive sem a multiplicidade de culturas e conteúdos! Multiplicidade esta que expressa através de incursões pelos mundos da música, poesia, literatura e do amor verdadeiro.

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A sociedade e seus estereótipos

Um panorama sobre os estereótipos que habitam os costumes e o imaginário social como um todo. Hippies, metaleiros, muçulmanos, a própria mulher e outros exemplos de como o preconceito pode ser nocivo ao generalizar pessoas.


url.jpg"O Nerd": Exemplo clássico de estereótipo social.

Certas sociedades, sejam ocidentais ou orientais, recentes ou milenares e tradicionais, representadas por cidades inteiras ou por pequenos grupos de pessoas tendem a espelhar em alguns de seus membros – acentuadamente marginais - o que imaginam de pior em matéria de depreciação pessoal ou de grupo. Os estereótipos historicamente habitam as cidades e os grupos de convivência em qualquer nível, não obstante serem ricos ou pobres, muçulmanos ou judeus.

Ian-hippie.jpegRepresentação de um Hippie.

Mais uma abordagem psicossocial que uma impressão preconceituosa individual, aestereotipagem tradicional parece não ter data de validade, ou seja, não há qualquer indício de que um dia caiam em desuso os estereótipos mais comuns. Alguns deles, como foi dito, se restringem a grupos pequenos, muitos outros atravessam as fronteiras das nações - muitas vezes se referindo a elas próprias - e povoam o grotesco imaginário de sociedades distintas. Exemplo aleatório e marcante são os Hippies, que de movimento contracultural, passou facilmente a estereótipo com o comportamento dos jovens que fizeram parte do movimento nos Estados Unidos na década de 1960, sendo atribuído a quaisquer pessoas que se deseje denegrir em função de consumo de drogas, falta de banho, etc.

A estereotipagem é uma generalização de características ao definir um ser pelo comportamento ou atitudes de outros. O aspecto visual, talvez obviamente, é o mais empregado para a “identificação” e segmentação dos estereótipos. Mas vem desde muito tempo a segregação por motivos nada nobres e não é difícil ligar a questão dos estereótipos aos leprosos expulsos da convivência social no passado.

768px-Lázaro_leproso.jpgRepresentação hagiográfica clássica de São Lázaro, o leproso.

Mudam os locais, avança o tempo e continuamos a exercer a generalização, continuamos a classificar o metaleiro como agressivo, o mendigo como ladrão, a moça com pouca roupa como mulher fácil; são tantos os exemplos que chega a ser nocivo apresentá-los em detalhes. Entretanto faz-se necessário agrupar alguns exemplos principais de formas e tipos de estereotipagem:

Gênero: Talvez a mais antiga e, infelizmente, a mais abrangente. Ou alguém conhece um país onde a mulher não é ou nunca foi discriminada e teve atribuídos a ela preconceitos relacionados a fogão, volante ou procriação? Entretanto cabe também mencionar que o homem também sofre este tipo de preconceito e generalização, pois não é raro de ser ver homens que cuidam da casa serem também açoitados moralmente pelos preceitos pseudo-sociais que ditam que o homem deve trabalhar fora (caçar?!) para trazer ele o sustento à família.

Socioeconômico: Aqui também se faz presente uma das formas mais antigas de estereotipagem, aquela que apregoa características tidas como inerentes a pobres, ricos e toda sorte de classes neste entremeio.

Raciais e étnicos: Sem a menor dúvida, o mais asqueroso exemplo é este. A História nos mostra casos graves de nações tomadas pela crença vil de que tal raça ou etnia é superior a outra. E não é difícil de nos depararmos com a prática de estereotipagens como a do “negro ladrão”, “índio preguiçoso”, irlandês bêbado, italiano escandaloso, brasileiro selvagem e desorganizado e muitas mais.

mendigo.jpgMendigo: Ladrão? Vagabundo? Apenas uma opção? Estas são algumas formas de estereotipagem deste sujeito social.

Há também aquelas de comportamento onde entrariam gays, lésbicas e bissexuais, de cunho religioso, onde católicos e evangélicos protagonizam os lados de vítimas e agressores no ocidente - judeus e muçulmanos idem no oriente - , bem como outras vertentes menos abrangentes, mas ainda muito nocivas ao convívio social. É praticamente impossível, dado o caráter tradicional e histórico dos estereótipos, imaginar um mundo sem este tipo de generalização. Está além da compreensão psicanalítica plena, do entendimento sociológico e mesmo dos controles morais exercidos pela religião e jurídico exercido pelo estado.

01323282_5A7D7B2B6C_edit.jpgA figura da "piriguete" ganhou força recentemente no Brasil: mulher de pouca roupa que é fácil e fútil.

Não reside aqui neste artigo a tentativa de listar características de um ou outro estereótipo, até mesmo por temor de que sirvam para que a prática se prolifere; o que se pretende é fazer pensar com mais cuidado sobre o quão burra e negligente socialmente falando é a generalização de comportamento, seja de qualquer origem. O indivíduo deve ser observado – ou deveria – e seu caráter enquanto membro de uma sociedade completa é que deveria pautar as opiniões sobre ele.

Pertencer ou não a um mesmo grupo, compartilhando ideias comuns e compiortamentos deveria ser uma opção daqueles que desejassem, não uma imposição de uma siociedade cada vez mais preconceituosa e burra, que, ao passo que vai, não demorará a classificar de ovelha o pastor que as lidera apenas opor estar junto delas.

Seguem abaixo mais algumas ilustrações do que se pode chamar de exemplo de vítima da estereotipagem social:

skins_210710_357.jpg O Headbanger (Metaleiro no Brasil): Agressivo ou usuáio de drogas são comuns adjetivos atribuídos a eles.

politico-1.jpgO político, no Brasil e no mundo, talvez seja o mais "popular" estereótipo. Ou você conhece algum que não roube (sic)?

musul.jpgMuçulmano: Principalmente nos EUA após 11 de Stembro de 2001 o muçulmano tornou-se um quase sinônimo de terrorista.

judio ortodoxo 12442-69710.jpgJudeu: Pão-duro mesmo? Ou empreendedor?


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