encruzilhada

O encontro entre o admirável, o erudito e o simplesmente interessante

Sandro Marcos

Viciado em atenção e notívago inveterado, simplesmente não vive sem a multiplicidade de culturas e conteúdos! Multiplicidade esta que expressa através de incursões pelos mundos da música, poesia, literatura e do amor verdadeiro.

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Darwin!, uma jóia do rock progressivo italiano

Um disco sublime em sua essência, um grande álbum do rock progressivo italiano sobre a evolução humana. Capaz de fazer frente aos medalhões ingleses do estilo.


bancodetalhe.PNGDetalhe da capa de Darwin!

O Rock Progressivo Italiano ganha espaço na Encruzilhada e começa bem; o álbum escolhido é simplesmente um dos melhores já lançados na Itália neste estilo. Banco Del Mutuo Soccorso é uma banda que começou em Marino (Roma) em 1970. Conquistou enorme respeito na cena prog da Europa na década de 1970, sendo inclusive comparada a medalhões do estilo como Pink Floyd e Emerson, Lake & Palmer, por exemplo. O disco Darwin! foi lançado em 1972, mesmo ano do debut autointitulado pelo selo Ricordi (SMRL 6107) e é uma obra de alto nível em toda a sua extensão. Um disco conceitual que versa sobre a evolução humana e o faz com competências sonora e lírica exemplares! Aliás, as letras abordam desde o surgimento dos seres vivos até a Revolução Industrial!

Banco_del_Mutuo_Soccorso_1973.jpgBanco del Mutuo Soccorso (1973).

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“Viagem sonora” talvez seja um termo bastante clichê para se referir a este disco, entretanto a magnitude artística da obra torna difícil imaginar classificação mais adequada. O álbum gravado por Gianni Nocenzi (Clarinete, piano e teclados), Pier Luigi Calderoni (bateria e tímpanos), Marcello Todaro (violão, guitarra e vocais), Renato D’Angel (baixo acústico e elétrico), Vittorio Nocenzi (órgão, sintetizador, teclados e clavinete) e Francesco DiGiacomo (vocais) é repleto de criatividade exacerbada, onde a mistura de beleza e complexidade sobressai, tendo não músicas completas, mas apenas passagens intrincadas típicas do progressivo, e ainda momentos belos e tranquilos. Tudo isto pautado pelo já mencionado excelente trabalho lírico sobre a evolução humana.

O início é arrebatador com L’Evoluzione, quase 14 minutos do que parece ser uma síntese do que de melhor existe no rock progressivo/sinfônico italiano: teclados ora pomposos, ora em combinações impressionantes com as guitarras, estas muitas vezes valendo-se de efeitos, e vocais muito bem interpretados por Francesco. Ela começa como uma singela balada e se transforma numa canção cheia de groove; energética é a palavra para esta mudança. Não há como não colocar esta música em destaque no álbum, sensacional! Outro destaque positivo é o trabalho de teclados dos irmãos Nocenzi que protagonizam duelos sensacionais de Hammond, além de passagens lentas inspiradíssimas.

banco_1_1354923760.jpg

O disco é uniforme em sua já mencionada qualidade, mas é interessante destacar a música 750,000 Anni Fa … L’Amore?, onde Francesco interpreta um tema todo amparado apenas pela “cama” do piano e Miserere Alla Storia, com instrumentos de sopro e trechos intrincados em contraste e o piano aparecendo no meio da música para um solo esplêndido e bem colocado. Some-se neste caso o trabalho do baixo de Renato D’Angel, pulsante durante toda a música. Ela se encerra soturna e misteriosa com o violão dedilhado e o baixo alterando sua marcação.

Darwin! foi relançado pela própria Ricordi em cassete e vinil nos anos de 1976 e 1978 respectivamente. No Japão destaque para as versões em LP de 1979, pelo selo Seven Seas e em CD de 1987, pela Nexus International. Não foi lançado em versão brasileira sendo que a versão mais recente é a remasterizada em CD pela RCA/Sony Music em 2011. Um álbum sublime, que não pode faltar na coleção de um bom fã de rock progressivo e uma excelente opção para quem quer começar a curtir o estilo!

front.jpg

Por fim, um trecho da letra traduzida da canção L’Evoluzione, evidenciando o belo trabalho lírico:

Tente, tente pensar um pouco diferente / De nada grande fui inventado, mas a criação se criou sozinha / Células, fibras, energia e calor; roda dentro de uma nuvem a terra / Intumesce ao calor, estende os membros / Ah, a mãe está pronta e parirá / Já arqueia o colo, Deseja um filho e o terá / Filho de terra e de eletricidade / Camadas cinzas de lava e de coral / Céus úmidos e sem cores / Eis, o mundo está respirando / Musgos e líquens verdes, esponjas de terra / Fazem da serra o broto do que virá...

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