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Fábio Seletti

Paulista de nascimento e mineirinho de coração.

A Internet vai acabar?

A proposição da web, enquanto rede livre de compartilhamento, rapidamente é substituída pela lógica de mercado. Usuários comportam-se, cada vez mais, como consumidores. O branding tem substituído o share espontâneo. Mas o que é (ou foi) a internet, afinal?


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Título sinistro. Porém imprescindível. A necessidade parte de pressupostos simples. O que a rede era, o que acabou se tornando e aonde vai parar? Ou ainda, sendo mais básico, o que é a internet? Perguntas elementares e que precisam ser feitas incessantemente, justamente porque quase ninguém as faz. Porém, felizmente há exceções.

Uma delas é Tim Berners-Lee. Talvez seja a pessoa que fale com mais autoridade sobre assunto. E com razão. É o criador do www, ou dizendo de outra forma, é o inventor da web. Habilitou o sistema de comunicação por hipertextos, os links, e trouxe à tona a perfeita acessibilidade ao mundo virtual. Se hoje acessamos essa maravilha que é a rede de forma tão aberta, é por causa desse homem.

E ele se preocupa. Não vê com bons olhos a mercantilização da net. Aliás, hoje é praticamente impensável concebê-la de forma esclusa do modelo de mercado. Métricas, monitoramento, análises, marketing, inbound, ads. A ideia de que a internet é uma mercadoria se alastrou e conquistou os corações.

Enquanto ficamos cabisbaixos, olhando fascinados nossos smartfones, essas minúcias passam facilmente desapercebidas. Talvez nem mesmo ouvimos falar das mesmas. Mas é necessário que fiquemos atentos a essa realidade. A internet é um presente que guarda em si uma característica completamente distinta dos outros media: é a porta-voz de todos nós.

Retomando Berners-Lee, o mesmo pontua que existe a necessidade de que se criem iniciativas para a proteção da web enquanto meio revolucionário. Porém a perspectiva mercadológica tem minado essa concepção. O criador da internet deixou isso claro em apontamentos feitos aqui mesmo no Brasil, em abril do ano passado:

No encontro, o cientista frisou a necessidade da criação da Carta Magna, um texto que apontaria o que é essencial e o que deveria ser protegido para a continuidade da rede. Foi contundente naquilo que é crucial para a subsistência da web:

1) A rede deve permanecer como um sistema sem fronteiras nacionais. Para que ela continue como a conhecemos, universal;

2) Existe uma necessidade de padronização das tecnologias, para que facilite a implementação e o acesso;

3) A internet nasceu com um espírito público e como meio de utilidade pública. Partindo disso, seria necessário que esta se tornasse, cada vez mais, um sistema de governança global e que as comunidades trouxessem suas forças para uma mesa comum;

4) Neutralidade da rede. Basicamente, é o princípio da perfeita condição para que todos tenham as mesmas oportunidades de acesso. Quando a lei 12.965 de 2014, conhecida como Marco Civil da Internet, estava em votação, foi um grande reboliço no Congresso. A neutralidade foi um dos pontos mais disputados. A modificação no texto foi intensa e por vários nichos na Câmara. Foi aprovado com um parágrafo que pretende manter a ideia;

5) Privacidade. Para o criador da web e outros especialistas, esse tem que ser um dos pilares da rede. O respeito do espaço privado, seja físico ou virtual, é inegociável. Sobretudo hoje, em que muito se ouve sobre espionagem global.

Enfim, a internet está mudando. As coisas se transformam. No entanto, nem toda modificação é para o bem comum. Certas alterações causam deformidades. E esses tópicos ajudam a assinalar o que é realmente importante para a manutenção da web enquanto espaço público. Afinal, este é sagrado.

Se a rede faz parte dessa esfera pública sagrada, cabe-nos finalizar o texto com outro questionamento. Qual a internet que queremos: um modelo de negócio ou preservá-la enquanto direito?


Fábio Seletti

Paulista de nascimento e mineirinho de coração..
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