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Aquariana inquieta e publicitária apaixonada por moda, TV, cinema e nas coisas boas da vida :)

Jóyce Bandeira

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Sentimentos na gaveta

Sentimentos são como roupas, nós só precisamos encontrar as pessoas certas para vesti-las.


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Aquela menina já amou. Já escreveu cartas apaixonadas, chorou ouvindo músicas românticas, sentiu aquele arrepio ao ouvir o nome do amor e aquele frio na espinha ao sentir seu perfume. Ela realmente se entregou, abriu os braços e aceitou sentir e viver cada sentimento que aquilo trazia. O olhar, o sorriso, a boa conversa, o toque e os carinhos que a transportavam para um universo paralelo cheio de luz e paz. Como era bom ter aquele sorriso, como era bom sentir o sangue quente e o coração disparado a cada novo sentimento. Isso é adrenalina apaixonada, é vida!

Infelizmente amar não é tão simples quanto a gente espera. A conta nunca fecha e nem sempre o "eu + você" é igual a "nós”, às vezes o "eu + você" resulta em você, sozinha, com todos aqueles sentimentos fervendo dentro de si. E aquela menina se sentiu assim, caindo numa escuridão sem fim com milhares de sentimentos no peito sem a menor ideia do que fazer com eles. São tão valiosos para se jogar fora, mas tão fortes que é impossível manter no peito.

Sentimentos são como roupas que vestimos em outras pessoas, às vezes elas são apertadas demais e sufocam, outras são tão grandes que cabem mais de um, ou então simplesmente não servem. Acontece, não existe nada que obrigue alguém a aceitar "a camiseta do amor" só porque alguém acha que ela serve em você. Sim, todos nós queremos amor, queremos carinho e atenção, mas qualquer forma não serve, precisa ser do nosso tamanho. E a menina estava lá com vários sentimentos para vestir, mas nenhum serviu, nenhum deu certo. "Será que eles servem em alguém?" E assim nasce a insegurança. Esse sentimento é o mais devastador no guarda-roupas do sentimentos, ele enlouquece, entristece e desanima. Deixa o mundo preto e branco. E quando finalmente conseguimos superá-lo e vesti-lo sem mais causar dor, como aquele suéter que odiamos, mas é o mais quentinho para o inverno, ainda temos outros milhares de sentimentos encabidados e esperando para serem vestidos.

E assim nascem as corajosas e as precavidas. As corajosas se abrem outra vez e permite que outras pessoas experimentem seus sentimentos. Se não servir? Não tem problema! Agora está mais forte e não existe insegurança. As precavidas vão mais devagar, analisam as medidas e os formatos para saber se vai servir antes de oferecer seus sentimentos.

Mas aquela menina não sabe o que fazer, ela ainda olha para o guarda-roupa tentando descobrir o que fazer com tudo aquilo, e então com todo o carinho ela dobrou cada sentimento e guardou na gaveta.

A gaveta não é secreta e nem está trancada. O quem tem lá não é segredo e nem proibido, só está guardado até que aquela menina - um dia - tenha coragem de vestir seus sentimentos em alguém.


Jóyce Bandeira

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