entre artes

Um olhar diferente sobre o mundo das Artes

Karlos Junior

..Desde criança é natural do Rio de Janeiro, músico que pode ser visto por aí portando uma flauta, também é desenhista canhoto e blogueiro que gosta de Ciência, Ficção-Científica, Cinema, Quadrinhos e tenta praticar algum esporte enquanto corre atrás de ganhar a vida pela Internet.

Música rara em liquidação

“Música rara em liquidação” é um documentário com a proposta de apresentar a visão e as impressões de profissionais e artistas da Música Independente brasileira sobre questões como mercado fonográfico, indústria do entretenimento musical, cultura do jabá e produção autoral em HomeStudios e consumo de Música em tempos de Web 2.0.


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Produzido por mim, mais dois amigos para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do Curso Superior de Jornalismo do Centro Universitário Carioca (UniCarioca), o “Música rara em liquidação” é um documentário com a proposta de apresentar a visão e as impressões de profissionais e artistas da Música Independente brasileira sobre questões como mercado fonográfico, indústria do entretenimento musical, cultura do jabá e produção autoral em tempos de HomeStudio e consumo de Música direto por compartilhamento/Download na Internet.

"Música rara em liquidação", cujo título remete à canção “Pena” do Teatro Mágico - banda considerada um dos maiores expoentes da recente cena indie nacional, traz um retrato da produção independente como um legítimo produto autoral e, sobretudo, um bem de caráter cultural e social de toda a nação brasileira. Trazendo uma série de depoimentos, o documentário está divido em três capítulos de forma a situar o espectador quanto às questões levantadas no objetivo do filme, e que serão melhor explicados nos próximos parágrafos para melhor compreensão do espectador.

“..O poeta pena quando cai o pano E o pano cai Acordes em oferta, cordel em promoção A Prosa presa em papel de bala Música rara em liquidação..”

Pena – O Teatro Mágico

"Música rara em liquidação"

1 – Gravadoras : Capitalismo Selvagem

Desde seu surgimento em meados do século XX, as gravadoras – empresas que agregavam em uma só entidade as funções de estúdio de produção/gravação, divulgação e comercialização de música, foram as principais mediadoras de consumo entre artistas e público, determinando absolutamente tudo que deveria ser produzido e transmitido pelos veículos de comunicação de massa, por meio de práticas questionáveis como o expediente do “jabá”, ou payola como ficou conhecido nos Estados Unidos – situação em que estas empresas pagavam determinada quantia em dinheiro para ocupar os espaços nas programações das emissoras de rádio e televisão com seus produtos, que podem ser resumidos aos artistas e músicas de seus catálogos, independente da originalidade e qualidade dos mesmos, com a finalidade maior inerente ao próprio sistema capitalista de otimizar a obtenção de lucro.

No Brasil, a Indústria Fonográfica ganhou força e pujança mais especificamente a partir do período conhecido como “Milagre Brasileiro”, com as gravadoras criando seus catálogos nos anos 1960 e 1970 e assinando com os artistas considerados mais populares do Brasil como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Milton Nascimento, entre outros.Estes são alguns dos nomes incluídos no bojo destas companhias, que gradativamente passaram a dificultar o ingresso de novos artistas ao seu formado mercado musical, posto que detinham, com certa exclusividade e devido aos altos custos de produção, as ferramentas e a tecnologia de gravação, além do monopólio de difusão musical atrelado aos principais veículos de comunicação do país.

Com esta indústria fonográfica estabelecida e com o poder de ditar regras e controlar os rumos do mercado musical, as majors, como são chamadas estas grandes gravadoras multinacionais – Warner, Sony, Universal, BMG, EMI e em menor proporção a Som Livre (que de livre ironicamente só leva o nome já que é controlada pela Rede Globo) passaram a filtrar os inúmeros artistas brasileiros, de acordo com seus próprios critérios e visando atender somente aos gêneros musicais comercializados por elas. Considerando um país como o Brasil, cuja riqueza cultura e musical possui uma ampla abrangência de sonoridades e manifestações, pode-se conjecturar a proporção do dano ao desenvolvimento musical do povo.

Além do controle dos meios de produção e da prática do jabaculê, tornou-se comum em meados dos anos 1980, o expediente do “contrato de gaveta” ou “contrato de geladeira” – situação em que as majors assinavam contratos com novos artistas, grupos e bandas com potencial de rivalizar com seu casta fim de livrá-los de qualquer concorrência. Nestes contratos, embora os artistas estivessem comprometidos a apresentar suas produções às gravadoras as mesmas, em contrapartida, não se comprometiam a lançar qualquer material e com isso mantinham estes novos artistas presos por contratos que previam multas e rescisões milionárias, caso estes lançassem suas obras por outras gravadoras ou selos menores, ou mesmo de forma independente. Tais políticas vigoraram no mercado durante muito tempo, oprimindo a maior parte da classe musical, que sem ter como viver de sua arte buscou naturalmente outras formas de sobrevivência. Este cenário perdurou com maior força nas décadas passadas pré-internet com o aval dos grandes ídolos nacionais e com o consentimento tácito do público que comprava assiduamente os LPs e CDsde seus ídolos, sucessos das rádios e televisão. A arte contudo, fora do âmbito comercial, e sobretudo a música dos artistas outrora oprimidos pelo sistema continuava se afirmando e se manifestando livremente, em todos os cantos do país e ganharia na Internet e no desenvolvimento e barateamento das novas tecnologias, seus mais importantes aliados para alcançar um inédito público de ouvintes ansioso por novidades e propostas alternativas de música. A despeito do que suponha qualquer gravadora, o cenário mainstream estava prestes a mudar com a crise fonográfica que se anunciava a partir da década de 1990.

2 – Faça você mesmo

A ideologia do “Faça você mesmo”, um datado manifesto do movimento punk dos anos 1970, nunca foi mais atual graças às novas e acessíveis tecnologias que permitiram aos músicos “amadores” a possibilidade de gravar suas produções em seus próprios estúdios caseiros (homestudios), sem a necessidade de submeter suas obras ao crivo de um produtor de mercado ou à direção artística de qualquer gravadora. Enquanto a revolução das tecnologias barateou esmagadoramente os custos dos equipamentoscom os mesmos se transformando em softwares nas mãos de técnicos, produtores e músicos, a Internet caminhava para se tornar uma mídia de massa entre a década de 1990 e os anos 2000, permitindo uma inédita difusão de arte e cultura em uma via de mão dupla e muita comunicação.

O surgimento do mp3 nesta época torna-se o fenômeno “divisor de águas” na lógica de consumo de música na indústria estabelecida, em especial para as novas gerações, as quais o Long Play é considerado item de museu e o CD caminha para a obsolescência. De fato, o mp3 abalou irreversivelmente toda a lógica de negócios da indústria fonográfica, já que centenas de milhares de internautas em todo o mundo começaram a simplesmente trocar e compartilhar músicas no formato de arquivos digitais. E mesmo contrária no início e persistindo durante algum tempo, a indústria acabou cedendo diante da impossibilidade de deter a força e a disposição dos internautas em compartilhar música.

Para o artista antes rejeitado pelas grandes gravadoras, marginalizado e oprimido pelo sistema mercadológico, a Internet e o mp3 vieram para suprir a necessidade de mídia, possibilitando o encontro direto entre artista e público, em que ambos buscavam-se mutuamente e iniciavam suas relações ídolo-fã, permitindo ao ouvinte ter acesso gratuito à sua arte e contribuindo financeiramente a posteriori comprando ingressos para shows. O fato do artista de hoje não precisar estampar uma chancela de qualquer gravadora para ter seu material apreciado pelo público é um claro demonstrativo de como a visão do público e o próprio mercado se transformaram e se adaptaram às novas realidades.

Com milhares de músicos produzindo diretamente em casa e distribuindo no momento seguinte ao público conectado na Internet, que hoje já conta com o maior tempo de audiência fazendo frente às mídias tradicionais (televisão, rádio e impresso), torna-se evidente a desnecessidade do músico, artista e banda de se sujeitar aos ditames de uma major para atingir seus objetivos. O músico é essencialmente sua própria gravadora, seu produtor e seu relações-públicas.

Os artistas independentes são quase unânimes em afirmar que as gravadoras tendem a desaparecer com o tempo, embora estas empresas ainda devam perdurar por algum tempo em um futuro onde a única coisa certa é o doravante e irreversível ingresso do mundo para se conectar à rede mundial de computadores. Para estes artistas, a independência da indústria fonográfica e o apoio do público traz alívio quanto à integridade de suas propostas musicais, uma vez que gravadoras e produtores não poderão fazer prevalecer sua vontade sobre a dos músicos no tocante à composição de suas obras, mas também traz o bem vindouro ônus da profissionalização, pois que a tecnologia e o conhecimento disponível hoje resultam no fim do amadorismo em seus processos de trabalho e na qualidade de seus materiais. Em suma, um trabalho independente não fica “devendo” em nada se comparado a um mesmo trabalho oriundo de um grande selo ou gravadora.

Por tudo isto, o “Faça você mesmo” mostra-se uma força motivadora muito maior impulsionando trabalhos genuinamente autorais do que os já batidos subprodutos de gravadoras, fato este que felizmente vem sendo amplamente bem aceito e recebido pelo público brasileiro.

3 – Admirável Mundo Novo

Quando falamos em Admirável Mundo Novo, estamos tratando exatamente dessa nova era tecnológica que todo dia se renova e todo dia traz novidades inclusive no campo da música.

Outrora tínhamos o rádio somente, onde ouvíamos apenas o que fazia parte da programação, as músicas escolhidas eram de acordo com interesses de grandes gravadoras e as rádios só reproduziam o que era de fato importante pra elas. Depois, evoluímos um pouco e tivemos o LP, que tocava em casa, num aparelho de som, logo virou um compacto disco e aí então já podíamos ouvi-lo em qualquer lugar através do walkman, depois veio o moderno, para época, disk man, o mesmo era portátil, pequeno, fácil de usar.

Conforme avançamos, observamos que assim como os celulares, os aparelhos de música compactos foram cada vez mais ficando menores e mais fáceis de usar e colocar músicas, até que os celulares, num dado momento também dominaram esse mercado, ou seja, ficou possível ouvir no celular a música que quiser. Graças à internet, que nesse meio tempo entrou com tudo nas nossas vidas, nos possibilitando a troca de arquivos.

Além de plataformas online onde é possível disponibilizar seus conteúdos de maneira pública, existem também diversos sites de compartilhamento de informações, dessa maneira ficou muito mais democrático ouvir música, uma vez que o próprio ouvinte pode criar suas listas de reprodução e/ou escolher os videoclipes que quiser ver.

Essa democratização da cultura, neste momento falando especificamente de música, trouxe muitos benefícios, já que não mais temos uma ditadura, ou seja, não é mais a empresa que decide o que você vai ouvir, mas é você que escolhe o que quer ouvir daquela empresa, ou que banda você quer ouvir.

Ficha técnica

Título Original: “Música rara em liquidação”

Tema: A cena musical independente em dias de crise na indústria fonográfica

Tempo de duração: 21:31

Direção: Carlos Milton (aka Karlos Junior), Carlos Quintino, Lidiane Oliveira Produção: Carlos Milton, Carlos Quintino Edição: Carlos Milton, Luis Mendes Roteiro: Carlos Milton, Carlos Quintino, Lidiane Oliveira. Género: Documentário. Classificação: Livre.


Karlos Junior

..Desde criança é natural do Rio de Janeiro, músico que pode ser visto por aí portando uma flauta, também é desenhista canhoto e blogueiro que gosta de Ciência, Ficção-Científica, Cinema, Quadrinhos e tenta praticar algum esporte enquanto corre atrás de ganhar a vida pela Internet..
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