entre meios

que vão do lapso à memória

Priscila Yamany

o mundo entre telas, versos, notas musicais, páginas, capítulos e livros pode sim ser mais envolvente que aqui.

Os caras por trás das pin-ups

As pin-ups são frutos de um movimento que uniu arte, publicidade e ousadia. Sem eles, artistas e fotógrafos, e sem elas, modelos e atrizes, esta tendência não teria existido. No entanto, muito se fala sobre as beldades eternizadas durante a época. Então por que não falarmos sobre os caras que, como notórios artistas, tiveram papel fundamental nesta técnica que virou arte?


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As pin-ups marcaram época e são ícones até hoje, tanto no que diz respeito a uma das maneiras de expressar a beleza feminina quanto no que tange técnicas de fotografia e arte. Atrás das beldades que simbolizam o movimento, contudo, há verdadeiros artistas que merecem reconhecimento pelo trabalho único e precursor que fizeram.

Nomes como Alberto Vargas, George Petty e Gil Elvgren protagonizaram esta arte. Cada um com sua técnica e particularidade, os três tinham algo em comum: a alma e o espírito de grandes artistas. É a história destes três grandes homens que vamos conhecer hoje.

Alberto Vargas, o pintor apaixonado

Nascido em 1896, Vargas estudou arte na Europa e ainda muito jovem, em 1913, mudou-se para os Estados Unidos.Ao chegar em Nova York, Vargas iniciou sua carreira produzindo cartazes que divulgavam espetáculos da Broadway. Antes de ficar famoso, tinha como hobby pintar estrelas do cinema americano, sendo que uma das principais musas de Vargas foi Shirley Vernon.

Aos poucos, o pintor foi ganhando fama e, na década de 40, passou a trabalhar para a revista Esquire Magazine, desenhando pin-ups para ilustrar tanto o periódico quanto cartazes e calendários que ‘decoravam’ os aviões de guerra. Sua técnica de pintura fazia uma combinação de aquarela e aerógrafo (que hoje pode ser comparado ao grafite por utilizar um pincel que funcionava com spray compressor). A partir dos anos 60, Vargas teve seus desenhos utilizados pela Playboy.

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O interessante das ilustrações deste artista é que a maioria de suas obras retrataram um mesmo rosto: Anna Mae Clift, por quem Vargas se apaixonou e com quem se casou no ano de 1930. Com a morte da esposa, em 1974, o pintor perdeu seu interesse pela arte e passou a se dedicar a uma autobiografia. Hoje, as Vargas Girls são expostas em museus em todo o mundo.

vargas-girls.jpg Anna Mae Clift, esposa e eterna inspiradora de Alberto Vargas

Seu grande diferencial são as pin-ups mais elegantes, ilustradas com leveza e sutileza. Sua obra pode ser divida em duas partes: a inicial, mais escura, quando seus desenhos apresentavam cores fortes e mais chamativas; e a final, mais suave e alegre, quando suas pin-ups apareciam em fundos claros e com detalhes mais delicados.

George Petty e seus calendários de Pin-ups

Nascido em 1894, George Petty ganhou fama ao desenhar pin-ups inspiradas em sua esposa e filha. No início de sua carreira, Petty trabalhava como fotógrafo e ilustrador de desenhos animados. Suas ilustrações também invadiram as páginas da Esquire Magazine e da Fawcett Publications’s True, mas seu grande legado ficou registrado nos inúmeros calendários criados para diversas revistas famosas.

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As Petty Girls tinham dois traços bastante peculiares: o sorriso amplamente estampado e as pernas sempre em destaque. Divertidas, as pin-ups de Petty aparecem sempre ao lado de objetos inusitados como guarda-chuvas e telefones ou mesmo fantasiadas. Sua obra prima, inclusive, é um calendário que mostra pin-ups vestidas de fada, coelho, bruxa, cupido, entre outras fantasias que ainda mexem com o imaginário masculino.

george-petty-curvy-pin-up.jpg Os calendários são a marca registrada de George Petty

Gil Elvgren, o fotógrafo pintor

Este é, certamente, o principal nome pertencente ao movimento pin-up. Gil Elvgren desponta como um grande artista porque foi o primeiro a unir fotografia e pintura. Antes de desenhar suas pin-ups, ele fotografava modelos em cenários e em figurinos pensados por ele.

pinup-gil.jpg Janet Rae foi uma das modelos mais fotografadas e desenhadas por Gil Elvgren

Ilustrador publicitário, ramo com o qual ganhou fama e dinheiro, Gil nasceu em 15 de março de 1914 e estudou Artes Plásticas. Seu trabalho na área de publicidade marcou história de uma das maiores marcas da atualidade: Coca-Cola, para a qual produziu centenas de cartazes.

Suas ilustrações têm uma característica marcante em comum: em todas, as pin-ups aparecem em situações que revelam rostos pegos de surpresa. Para conseguir o efeito inocente e ingênuo, suas beldades foram eternizadas em momentos inusitados, como se tivessem feito alguma coisa de errado e sem querer. Seus grandes clássicos consistem em saias e vestidos erguidos pelo vento e os famosos biquinhos vermelhos.

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O grande feito de Gil era ‘melhorar’ a cena fotografada com a sua pintura. Nas imagens cruas das fotografias, é possível perceber algumas imperfeições de suas modelos. Já na sua obra final, estes detalhes desapareciam e davam lugar a seios mais fartos, cinturas extremamente finas, cabelos impecáveis e, claro, o colorido impossível de fotografar na época.

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Por isso, Gil Elvgram é considerado o mestre das Pin-ups e, porque não, um revolucionário já que hoje suas técnicas, mesmo que de outra maneira, são utilizadas para realçar a beleza feminina e esconder pequenas imperfeições. Seria Gil o pai do Photoshop?


Priscila Yamany

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