entre meios

que vão do lapso à memória

Priscila Yamany

o mundo entre telas, versos, notas musicais, páginas, capítulos e livros pode sim ser mais envolvente que aqui.

Em que planeta você vive?

Depois de ler o Pequeno Príncipe, é impossível ficar indiferente ao mundo onde vivemos. A verdade é que os planetas visitados pelo Principezinho são bastante familiares e nos mostram os vícios, a falta de sentido e a incoerência de certos hábitos e costumes. Por isso, descobrir em que planeta vivemos e o que podemos fazer para melhorá-lo é o primeiro passo para deixarmos de ser pessoas grandes e estranhas.


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Durante a sua jornada, o Principezinho passa por diversos planetas, cada qual com suas estranhezas. Seus passeios nos trazem uma conclusão: sim, as pessoas grandes são muito esquisitas.

Ao passar de um planeta a outro, o Pequeno Príncipe nos faz pensar sobre o quanto somos sozinhos, cada um em seus mundos, com suas manias e obsessões.

Antes de iniciar a leitura, a pergunta que não queria calar era: por que este livro é tão famoso? E a resposta veio sem pressa, nas últimas linhas, com novos questionamentos, agora sobre nossas vidas, nossos medos e angústias.

No entanto, dentre todas as questões que só uma boa leitura pode trazer, a que se destaca é: hei, em que planeta você vive?

O Principezinho passa por 7 planetas. O primeiro deles é o 325, habitado por um rei. Sozinho, único habitante de seu mundo, o rei governava tudo à sua volta. Para justificar a sua falta de controle absoluto, o monarca de seu planeta solitário dava apenas ordens razoáveis.

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Para ser obedecido, ele dançava conforme a música, ou seja, ordenava somente o que poderia ser cumprido por seus súditos. O Pequeno Príncipe, embora chateado, tem uma longa conversa com o rei, que o tenta convencer a ficar. Sua recompensa seria um cargo, ministro ou embaixador. O nosso viajante, porém, não vê sentido em suas palavras e parte para o segundo planeta.

O mundo número 326 era habitado por um vaidoso. O Principezinho fica pouco tempo ali, pois logo se aborrece com a necessidade angustiante que o habitante do planeta das vaidades sentia em ser aplaudido, admirado. Na sua ânsia por elogios, o vaidoso queria apenas louvores, não respondia a perguntas e insistia em receber elogios.

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Como o nosso viajante é curioso, logo se cansa e parte rumo ao terceiro planeta. Este mundo era habitado por um bêbado, que bebia para esquecer que tinha vergonha de beber. Isolado, sua única companhia era a bebida e o Pequeno Príncipe segue sua viagem, deixando o beberrão sozinho, entregue ao seu vício.

O planeta seguinte era habitado por um empresário, que não tinha tempo para conversas. Afinal, estava muito ocupado contando o número de estrelas que possuía. Sua posse sobre todos os pontinhos luminosos no céu servia para para torná-lo rico.

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O empresário era um homem sério, que não se preocupava com futilidades e que já sofrera de reumatismo por falta de exercício. Durante a sua conversa com o dono das estrelas, o Princepezinho faz questões como: de que adianta ter as estrelas, se não é possível carregá-las consigo. A conclusão do diálogo entre os dois é que o empresário não fazia nenhum sentido às estrelas que possuía. Com ele ou sem ele, elas continuariam onde estavam.

Depois de chegar a esta conclusão, o viajante chega ao quinto planeta, habitado por um acendedor do único lampião que ocupava aquele mísero mundo. O habitante do lugar era responsável por cumprir um regulamento: ali, os minutos eram dias e a cada sessenta segundos, o lampião devia ser apagado e aceso.

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Piedoso em relação à terrível tarefa que o acendedor devia cumprir, o Pequeno Príncipe lhe faz uma sugestão, indicando uma maneira de fazer o tempo durar mais. Sua ideia, porém, não seria muito útil, já que não ajudaria o acendedor a descansar e deixar de lado a sua função e realizar o seu maior desejo: descansar.

Este foi o habitante com quem o Principezinho mais simpatizou. No entanto, seu mundo era pequeno demais e não havia espaço para dois.

O sexto planeta era o maior de todos e habitado por um geógrafo, responsável por registrar as descrições feitas por exploradores. Mesmo tendo uma função muito importante, o geógrafo não sabia dizer quantos oceanos, rios ou vulcões havia em seu planeta. Com ele, o Principezinho aprende que a Geografia não se importa com as flores, pois elas são efêmeras.

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Depois de uma longa conversa, o viajante pergunta ao geógrafo qual planeta ele deveria visitar. E após esta indicação, que o Pequeno Príncipe chega à Terra. O narrador nos mostra que este não é um planeta qualquer. Por ser muito, mas muito grande, o mundo chamado Terra abrigava cento e onze reis, sete mil geógrafos, novecentos mil negociantes, sete milhões e meio de beberrões e trezentos e onze milhões de vaidosos.

A narrativa continua, linda e envolvente. No entanto, esta leitura será apenas sobre os planetas pelos quais o Principezinho passou. Notaram a semelhança? Não é à toa que a Terra pode ser considerada um abrigo de diversos planetas, cada qual com seu habitante. Agora, nos resta descobrir em qual planeta cada um de nós vive e encontrar as respostas do Pequeno Príncipe.

Se o leitor perceber que certas coisas não fazem sentido e se identificar com a solidão de cada um dos personagens encontrados no livro, chegou a hora de parar e repensar o planeta onde vivemos. Talvez, cada um mudando um pouco o seu mundo, o universo pode ser um pouco melhor, sem muita gente estranha, não é?


Priscila Yamany

o mundo entre telas, versos, notas musicais, páginas, capítulos e livros pode sim ser mais envolvente que aqui..
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