entre meios

que vão do lapso à memória

Priscila Yamany

o mundo entre telas, versos, notas musicais, páginas, capítulos e livros pode sim ser mais envolvente que aqui.

Não é só uma foto colorida

Os motivos por trás dessa 'colorização' do Facebook, por alguém que quer que as pessoas sejam livres para amar.


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Sou dessas que não leva muito a sério o que é dito em redes sociais como o Facebook. Na verdade, era. Como plataforma que reúne milhares de pessoas, com o intuito de comunicar e, consequentemente, sociabilizar, nem o Facebook, nem outra rede tão popular deve ser ignorada, já que, com elas, é possível ter um diagnóstico, mesmo que superficial, sobre a quantas anda a consciência social.

Nesta última semana, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi legalizado, lá nos Estados Unidos. O fato, que já aconteceu aqui no Brasil em 2013, na Irlanda no mês passado e no México há poucos dias, deve sim ser comemorado, independentemente de onde e quando tenha acontecido - até porque está acontecendo tarde demais. Apenas com a notícia vinda da Terra do Tio Sam, contudo, é que houve tanto reboliço - notoriedade. Em poucas horas, milhares de pessoas utilizaram um aplicativo para colorir suas fotos de perfil no Facebook com os tons do arco-íris. Minutos mais tarde, outras milhares de pessoas criticaram o ato, revelando assim sua opinião.

Até aí tudo bem. As pessoas têm o direito de dizerem o que pensam. É verdade. Não só é verdade, como devemos aproveitar o ocorrido para conhecer com quem estamos lidando diariamente, assim que o login é feito na plataforma, seja ela qual for. Como dizem, é nessas horas que vemos quem são os amigos verdadeiros. E os amigos verdadeiros são aqueles com quem mantemos afinidades e com quem é possível dialogar sem sentir vergonha alheia ou raiva, sentimentos comuns quando alguém solta coisas como "tanta fome no mundo e vocês aí preocupados com o casamento gay" - assim mesmo, sem vírgulas ou, pior, com outras irregularidades que vão além do textual.

A questão é: não é só o casamento gay. Não é só uma foto colorida. Não são apenas esses elementos que estão em jogo. Em vez disso, a tolerância, o respeito e, principalmente, a capacidade de entender que tudo isso faz parte de um processo histórico e não apocalíptico como costumam dizer alguns membros da família tradicional brasileira.

Colorir a foto significa levantar uma bandeira. Significa encarar pessoas que ainda insistem em um discurso de ódio, quando, na verdade, a ideia é investir no amor. No direito que as pessoas têm de se amar. E como bônus, permite ainda que sejam detectadas as pessoas que, por teimosia mesmo, não se informam, muito menos se atualizam, e parecem sentir saudade da Idade Média, ou de qualquer outra época durante a qual as pessoas eram impedidas de serem felizes (alguém pediu intervenção militar?), sem mesmo ter passado por todo esse sofrimento, justamente graças a pessoas como essas, que colorem suas fotos e lutam pelos seus direitos e os do próximo.

Agora, causa incômodo e pode continuar causando por muito mais tempo. O importante é que, mesmo com gestos pequenos como esse, aos poucos, as coisas se ajeitem. Quem sabe, nas próximas décadas, não precisaremos ter que explicar, pela enésima vez, que as pessoas são livres. Não para odiar, muito menos para julgar e condenar quem simplesmente precisou lutar por direitos mínimos, que a maioria já tem desde o berço. E sim que todos são livres. Livres para amar.


Priscila Yamany

o mundo entre telas, versos, notas musicais, páginas, capítulos e livros pode sim ser mais envolvente que aqui..
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