Do lado de fora de qualquer janela de Paris vê-se hoje a Paris do século XXI, com suas vestimentas modernas, seus políticos eleitos de forma democrática, e dentre todas as coisas, enxerga-se principalmente, a crise econômica de todo um continente que viveu nos últimos 70 anos o ápice do capitalismo. Mas, surpreendentemente, por detrás de uma das cortinas de um modesto apartamento na cidade da Luz encontra-se uma cápsula do tempo: Um imóvel que foi abandonado um pouco antes de eclodir a segunda guerra mundial e até a poucos dias nunca fora aberto.

O imóvel pertencia a Sra. Marthe de Florian, uma bela atriz e socialite francesa da Belle Époque, que se mudou para o sul da França em meados de 1944, alegando fugir da guerra e nunca mais retornou a capital. Após seu recente falecimento aos 91 anos de idade, seus herdeiros iniciaram a busca por um inventário para que seus bens pudessem ser divididos e então, o apartamento fosse reaberto.
Após 70 anos dessa cápsula do tempo fechada, a primeira equipe finalmente adentrou esse espaço surpreendente e comparou a sensação da primeira vista a entrada no castelo da Bela Adormecida onde o tempo havia parado, desde 1900. A quantidade de poeira e teias de aranhas eram incontáveis. E o silêncio esmagador.
E quando vejo as fotos, parece-me que a estaticidade das coisas encenam a história de uma década que jamais poderá ser palpada novamente de maneira tão autêntica como essa experiência pôde proporcionar.

Os primeiros itens notados por Olivier Choppin-Janvry, o homem que fez a descoberta, foi um avestruz empalhado, uma penteadeira e um Mickey mouse que datam antes da guerra.
Todos os três itens são realmente provocantes e guardam em si um toque atemporal. A penteadeira guarda histórias de amor e vaidade vividos por sua dona que atravessaram todos esses anos, assim como o avestruz empalhado querendo enganar a morte resistiu a passagem do tempo. Mas o único que realmente mantém-se vivo em essência até hoje é o eterno contemporâneo Mickey mouse.

Quando a equipe achou ter visto de tudo no meio desse baú de tesouros, percebeu que nesse incrível imóvel havia algo mais. Atrás da porta principal havia um quadro de uma bela mulher vestida de rosa. E junto do quadro havia cartas de amor amarradas com fita colorida. Um dos membros da equipe de inventário suspeitou que essa peça fosse um membro muito importante do tesouro.

Após a análise com minúcia do quadro, chegou-se a conclusão de que era um quadro de Giovanni Boldini, um dos pintores impressionistas mais importantes de Paris da Belle Époque. E que a mulher retratada era a própria Sra. De Florian, dona do imóvel, aos seus 24 anos de idade. Em suas cartas havia declarações de amor para Boldine, que era casado, mas mesmo assim a tinha como amante e musa. Após essa descoberta o quadro foi a leilão e arrematou o valor de US $ 3 milhões, um recorde mundial para o artista.
Esse imóvel guarda muitos segredos, como o coração de Sra. De Florian. Viveu ali uma linda mulher que se envolveu com um magnífico pintor que deixou como fruto para a sociedade um belíssimo quadro. Só não sabemos o porquê da senhora De Florian ter abandonado o imóvel por tantos anos, mas ter feito questão de pagar o aluguel do mesmo regularmente.
Há muitas especulações sobre sua partida. Pode ter sido para fugir dos nazistas ou para manter o amor impossível que sentia por Boldini vivo e intocado para todo o sempre.
Fonte: Telegraph
Comentários
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marcos galera
e fantastico e encantador,da para escribir unha pelicula sobre o porque sucedeu,noraboa
Elena Sales
Bonjour...Meu café da manhã hoje foi especial porque do nada dei de cara com essa linda história e como sou uma leitora voraz, uma romântica incorrigível tudo isso foi um achado maravilhoso!!!! Obrigada Obvious!!!!
José
Não estou duvidando, apenas levantando uma hipótese: Alguém já considerou a possibilidade de que essa historia de apê fechado por 70 anos e romance "de cinema" tenha sido criada - ou ao menos aumentada e/ou alterada - para valorizar o tal quadro? Colecionadores costumam pagar mais caro pela história envolvida do que pelas peças propriamente ditas em leilões...
tiago
Poderiamos encontrar mais destes, aqui no Brasil!
Mario
A única lástima nessa história foram os herdeiros. Essa peça deveria ter sido tombada como patrimônio histórico e mantida intocada, e não vendida aos cacos. Os pedaços nunca mais farão sentido e na verdade passam a não valer nada, mas a nossa mesquinha sociedade "moderna" só pensa no dinheiro. Arriba la estupidez humana!
Milena
Um pedaço imensamente pequeno e delioso parece ser esse imóvel.
Ela conseguio manter viva o auge de sua época, tornando suas pequenas vivencias para mim numa visão atemporal. Existiu e existe.
Fátima
Quase inacreditável que uma descoberta dessa, maravilhosa para a estória, tenha sido feita tanto tempo após esse imóvel ter sido totalmente abandonado por sua dona. Objetos de relíquia, artes e uma bela e bem guardada estória de amor, que sobreviveu aos tempos modernos.Simplesmente lindo.
Hugo
Lembrei das cenas descritas nos romances de Carlos Ruiz Zafón, como "A Sombra do Vento" e "O Jogo do Anjo".
Elena, fico feliz que tenha gostado da História. Ela mexeu comigo também, e por isso, quis compartilhar para que todos sentissem esse gostinho bom. Um grande abraço pra você.
Lourdinha Leite Barbosa
Como escritora eu fiquei fascinada pelo mistério, os amores, a beleza, a fugacidade da vida. Esa história daria um belo romance.
PAULA MOUTA
Na vida as surpresas sao tantas, que esta emocionante historia, com misterios de um Amor, so nos vem retratar que sempre o ser humano, buscou o impossivel, nem que para isso tenha de viver no silencio e na incognita. Felizmente que o mundo de hoje, em algumas coisas nos perimitiu alguns acertos bem mais práticos, os Amores de hoje, mesmo os proíbidos, sao mais abertos e nos tempos de hoje isto nao teria acontecido com tamanho glamour e encanto.
Parabéns a quem relatou a historia de uma princesa escondida no tempo de um grande artista.
maria luisa
Pena não haver mais fotografias. Daquele carinhoso e espectacular património eu não teria vendido nem um alfinete. Não consigo deixar de ser crítica à forma gulosa e vulgar como aparentemente os herdeiros receberam aquele doce.
Rafael
Que historia magnifica!!!
Cristina Porcaro
História emocionante e bem ao estilo de virar filme francês.
O amor verdadeiro precisa ser fixado em objetos, ultrapassar o coração, perdurar-em pequenos detalhes que compuseram o universo de quem viveu a paixão.
Achei muito lindo.
Renata
Do Telegraph, cujo link é colocado ao final do texto: "The painting was by Boldini and the subject a beautiful Frenchwoman who turned out to be the artist's former muse and whose granddaughter it was who had left the flat uninhabited for more than half a century. The muse was Marthe de Florian, an actress with a long list of ardent admirers, whose fervent love letters she kept wrapped neatly in ribbon and were still on the premises. Among the admirers was the 72nd prime minister of France, George Clemenceau, but also Boldini."
Acho que o quadro é da avó da sr. do apto, certo?!
Ana Luisa Kaminski
História muito bonita e tocante, poderia mesmo ser mote para um livro ou filme, ou até, servir como inspiração para outros artistas, pintores e músicos, todos que amam histórias insólitas e sensíveis, singulares!!!
PP
Não vivam de histórias vivam da realidade....essa história é da sujeita e do pintor ( se assim for) agora tocar a viverem as vossas vidinhas e deixem-se de filmes e quem vai arrecadar uns "tostões" são os familiares da velha e não vcs hehehehe
Renata, obrigada por seu comentário. A última pessoa a manter o apartamento foi a neta da senhora do quadro, em respeito a avó. Após ambas morrerem, os atuais familiares iniciaram a busca por um inventário para dividir o patrimônio que havia dentro do imóvel. Abraços!
Ivone Dian
Encantadora historia, realmente mto romantica, fiquei impressionada, Parabens.
kika lima
sensacional! tocante...
Mauricio Rahal
Sensacional ... realmente é meia-noite em Paris.
Elvira Gentil
Comovente, sensível e lindo relato.
Quanta paixão e beleza esconde atrás desse imóvel,desse quadro.
Michail
Muito lindo...e o que mais vale é o valor histórico e sentimental de toda esta história.
ANA MARIA
Sensações muito especiais ocorrem comigo quando visito casas ou lugares antigos.Procuro imaginar como viviam as pessoas naquele lugar,seus amores,seus hábitos,o que faziam e agora não foi diferente.Emocionante imaginar tudo isso olhando para todos os objetos intocados e escondidos por tanto tempo...
Ana Porto
Alguém pode explicar por que a senhora pagava aluguel se era proprietária?
Boa noite Ana. Obrigada por ter passado por aqui! Olha, o conhecimento que obtive sobre essa história nas fontes em que recorri para escrever esse artigo foi de que o aluguel pago por ela a priori, e nos últimos anos pagos por sua neta era do local onde se encontrava o apartamento, mais especificamente em um edifício próximo a igreja Trinité em Paris, entre o vermelho Pigalle light district e Opera. Um abraço.
ALTENOLINSIPID
Apenas um breve registro
Da história quero fazer,
Os fatos, na história,
São poeira sobre o viver.
___
Se abrirmos a porta, a janela,
Os tempos novos,
que chegam,
Podem soprar a poeira
E os fatos vão alvorecer!
___
Se a fuga no tempo,
Mas também na distância ao Sul,
Buscou o passado esquecer,
Os registros do tempo outrora presente,
Preservaram, fechados, o que a história não faz esquecer.
___
Que nos sirva, assim, para exemplo,
Que a poeira dos tempos, no tempo não se desfaz,
Que os registros da poeira pousada,
Deixam traços dos passos, das pegadas,
Dos amores, das dores de quem as pegadas deixou!
Muito bonito ALTENOLINSIPID. Parabéns :)
Edson
Sem dúvida a história é muito bonita, mas muito implausível. Os contratos de aluguel tem duração determinada, ninguém aluga um imóvel e o fica pagando por 70 anos, ainda mais se o mesmo ficar fechado por tanto tempo. O proprietário do imóvel certamente o requisitaria de volta para alugá-lo novamente ao valor de mercado.
sergio
Bom artigo
ALTENOLINSIPID
Especialmente ao Edson e à Ana Porto,
Uma coisa posso dizer,
Fatos tais, não exatamente idênticos,
Mas muito similares,
Na Europa soe acontecer.
....
Se a propriedade não tinha,
Deste imóvel em que viveu,
Bem daí se pode dizer,
Da transitoriedade do amor que viveu,
Da efemeridade das alegrias em que se condoeu!
....
Na Europa, na Paris das luzes eternas,
Vivem-se amores partidos, sem luzes,
Vivem-se amores de toques bem transientes,
Que cabem numa taça de vinho bem tinto,
Sorvido num instante e sentido pro resto de nossas vidas.
....
Não há, pois, perguntas ou dúvidas,
Que se lhes possam responder,
Porque na alma amante não cabe,
A razão das indagações por vocês a nós propostas,
Que se perderam na poeira ou no pó desta história tão antiga.
Luiz Felipe Lopes de Sousa
Esta estoria é muito linda. Merecia que um escritor ou jornalista desenvolvesse um romance em torno do tema. Daria uma grande ficção em cima de uma estória real. Lastimo não ter a capacidade de fazer algo do gênero. Se ,]me fosse permitido sugerir, Woody Allen seria o autor ideal. Caso ainda fosse vivo, Maurice Druon, ec Secretário da Academia Francesa de Letras seria também um bom autor. Aqui no Brasil João Ubaldo, Fonseca ou Ventura poderiam ser os responsáveis. Daria um lindo romance.
Fernando
...o importante mesmo, é que lugares como esse existam e povoem nossas mentes de histórias românticas e emocionantes que dão sentido à vida...afinal são desses momentos que as emoções afloram, e que nos deixamos levar pelos sonhos e pela imaginação de como teria sido...adorei a história,adorei as fotos...
Ina Melo
Fantasmas de Amor
“ AQUI EXISTE A FORTALEZA DE NEVOAS
AMOROSAS”
Estava na Place de Tertre com um amigo quando vi se aproximar uma velha senhora pálida e diáfana, igual a lua que iluminava a noite parisiense. Ela sentou-se e perguntou se éramos namorados. Olhamo-nos e rimos: Sim, já fomos!
Ela tirou da bolsa um pacote e nos entregou. Fitas gastas amarravam os envelopes amarelecidos pelo tempo. Senti um arrepio ao recebê-lo. O meu companheiro, estava assustado e como se diz: de cabelos em pé! Na ânsia de abrir o tesouro, quando procuramos a mulher tinha se evaporado.Um sopro gelado passou em nossas nucas. Foi tão forte que nos abraçamos. Era verão de tempo morno e
agradável. Parados com o pacote nas mãos, voltamos para o hotel.
Curiosa com o acontecido fomos para o meu apartamento. Ao chegar espalhei as cartas em cima da cama. Num dos envelopes li um nome: Marthe Florian. 13, Rue de St. Lazare.Paris
Começamos a leitura. Ele leu a primeira carta e chamou à minha atenção o tom de sua voz: rouca e pronunciando as palavras quase num sussurro. De vez em quando me olhava com paixão. Quando li a segunda, me deparei com um texto belíssimo,que passo a transcrever:
“Uma corrente de vento frio penetra na poeira dos antepassados. Aqui existe a fortaleza de névoas amorosas. O tempo, inexorável não dispersa a memória metafísica dos seres amantes envergados nas energias deste quarto. Ruídos silenciosos atraem os corpos outrora carnais. O prazer dissipa-se luxuriante nos abismos infernais. Resta a aliança espiritual do verdadeiro amor dos fantasmas. Tudo vira pó, menos os momentos inerentes ao nosso olhar que nas sombras tenebrosas da inexistência humana aliviados pela liberdade de um amor sublime permanece em nossos vestígios na terra, cerra o prazer curto. A longevidade dos tempos nunca nos esquecerá porque a união do amor é sempre fora do alcance humano. Nesse mundo perdura a essência da nossa fidelidade”
A leitura continuou num clima de mistério. Nas palavras escritas fluíam as mais lindas e ardentes frases de amor jamais ouvidas por um mortal. Enquanto as cartas eram dissecadas, inconscientemente assumimos o papel dos amantes. Estávamos num sóbrio apartamento, cercado de objetos de artes, quadros e muitas quinquilharias. Pesadas cortinas de veludo impediam a entrada da luz. Como numa peça de teatro, cada ato era uma surpresa.
Foram treze cartas entrelaçadas com tórridas cenas de amor e pecado. Cansados adormecemos. Acordei com um vento gélido lambendo o meu corpo nu. Caído numa cadeira, um Mickey Mouse era a única coisa que lembrava o velho e assombrado ninho de amor.
Ao meu lado o amigo dormia com uma linda expressão de homem saciado. Abrindo os olhos e sorrindo ele perguntou: Você tem medo de fantasmas? Ina Melo. Paris, Place de Tertre. Ag.012
Lindíssimo Ina. Que talento com as palavras e emoções. Parabéns!
RAMES DAVID EID
linda historia...
linda mesmo...
maravilhosa...
Miriam
Que pena não haver mais fotos detalhadas! Vejo lindos gobelins nas cadeiras, um fantástico espelho com enfeites dourados, uma porta atrás da penteadeira (seria do mesmo apartamento?), uma lareira com enormes potiches chineses à direita e muitos outros objetos e quadros espalhados. Minha curiosidade não está satisfeita.
Que volta ao passado e aos amores escondidos!
lucia M.V.Andrade
Uma história romântica que agrada muito, apesar de ter coisas que não são explicadas, assim mesmo gostei de ver o passado., com a sua poeira do tempo, fotografado
Marisabel Mello Flores
Achei a reportagem muito interesante! Realmente daria um bom romance e/ou filme! Apesar de ter coisas não explicadas eu senti quanto terminou o relato das fotos! Eu queria ler mais! Tanto que li todos os comentários! Parabéns Rafaela tu conseguistes passar um certo mistério e aguçar minha curiosiade! Obrigada e abraços!
Lucia Netto
Cada um vê de sua forma!! Gostei de dois comentários lógicos: de Alexandre Cebrian Valente, que viu com seu olho profissional:
"História linda para se recriar um filme..." , e de Mário: "A única lástima nessa história foram os herdeiros. Essa peça deveria ter sido tombada... mantida intocada, e não vendida aos cacos..."
Realmente, estou com os dois: Filme e preservação!!
Cesar Silveira
Acredito que deveria de ser prozido um filme a respito. Creio ser um caso inédito por diversos aspectos. Por exemplo, quem recebia e atualisava os aluguéis? Esta pessõa ou imimobiliaria, claro que sabia onde estava a locataria1 aLEM DE INTEREÇANTE PARECE CONTOS DE FADA.
LUCIA MARINA GALVÃO
UMA HISTÓRIA SIMBOLICA E AO MESMO TEMPO BELA!
POR CERTA SERÁ UM BELO ROTEIRO PARA UM BOM FILME.
É O PARADIGMA DA MENTALIDADE DOS DOIS ULTIMOS SÉCULOS, ONDE "l'AMOUR TOUJOURS L'AMOUR" IMPERAVA.
QUE AINDA NÃO TINHAM DESCOBERTO QUE É O PRAGMATISMO QUE REGE AS RELAÇÕES AMOROSAS E SOCIAIS, QUE É A VERDADEIRA MOLA MESTRA QUE FAZ FUNCIONARA A CONVIVÊNCIA HUMANA, ONTEM, HOJE E POR CERTO SEMPRE.
ESTA, TENHO CERTEZA, NÃO É UMA HISTORIA DE VIDA RARA. EXISTEM MUITAS DELAS POR AÍ.
EM SUA MAIORIA PROTAGONIZADAS POR MULHERES. POR QUÊ SERÁ?
Fernando
...cada vez que leio o relato desse apto fechado por mais de 70 anos, me arrepio, e me transporto para a Paris dos anos 20, que mesmo sem ter conhecido,deixo-me povoar pelas sensações de prazer e de paixões avassaladoras, que me completam, num turbilhão de alegria e de tristeza...afinal...a tristeza também nos traz uma forte e terna sensação de beleza e de prazer...
Téka Assunção
É uma belíssima história de Amor ! Realmente, fazer um filme , será maravilhoso. E a atriz poderia ser Jane Seymour, (Em algum lugar do passado). Conheço uma história semelhante, em "família", de um grande e verdadeiro amor, com lindas cartas secretas de Amor. Parabéns para Ina Melo. E principalmente para MARTHE FLORIAN !
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