entre parênteses

O principal fica sempre protegido. Entre parênteses ou dentro do peito

Najara Gomes

Sinto como se o meu coração fosse uma gaveta enorme, que cabe tudo, desde miudezas até chumbo.

Não tem desculpas para não (re)amar

É preciso manter a mania de ver o lado bom da vida e amar sempre que puder, pois o amor nunca sai de moda. Parafraseando Clarissa Corrêa: O amor é uma tentativa eterna. E se você topar entrar nessa saiba que o amor encontrou você. Seja gentil, convide-o para entrar.


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Guardo dentro de mim uma metrópole frenética e às vezes transbordo. Nunca consegui me enquadrar em códigos de barras e nenhuma moldura cobriu perfeitamente as minhas bordas. Acredito que a vida nos balança e se faz de balança. Prometemos enxergar além das fronteiras, mas nossa perspectiva acaba indo só até onde os olhos alcançam e fim. Até quando?

Morremos no ninho com medo de voar. Juramos nunca mais amar porque sabemos o quanto uma despedida aperta.

Porque nunca é fácil abrir mão daquilo que cabe tão bem dentro da gente, pois se a forma combina, se o encaixe funciona, dá vontade de deixar encaixado para sempre. E parece que nunca aprenderemos a viver sem aquela peça tão grudada em nós, e de fato, não há ida que não leve um pedaço consigo. Tudo fica dividido e cada divisão faz questão de se mostrar vazia. Mas não é disso que se trata a vida? Abrir espaços para novas peças? Recomeçar, reinventar, reformular. Não há nada de errado nos "re" que a vida cobra de nós.

Tudo que eu sei é que a gente sempre sobrevive. Que todas as nossas metrópoles caóticas internas uma hora ou outra se acalmam, por meses ou apenas por horas, mas se acalmam. E que não precisamos nos ajustar a códigos de barras, uma vez que quem for nos ler de verdade vai nos entender mesmo que não tenhamos etiquetas, então não há o que temer.

Temos que ser flexíveis, nem tudo tem contorno, mas temos que nos contornar. Não tem aviso prévio, não existe marca no calendário, quando nos demos conta, já foi. Sendo assim, nós moldamos nossa forma. Todas as ações são determinadas pelas escolhas e se a ideia de ir dói tanto quanto a de ficar, vá e se (re)faça! Somos todos loucos frenéticos a procura de uma boa desculpa para não nos movermos. O conforto nos abraça. E para tudo existe uma desculpa: existe a desculpa para chegar atrasado naquela reunião importante. Existe uma desculpa por manchar aquela blusa preferida de uma amiga.

Contudo, não há desculpa no mundo que justifique um coração que ame sem coragem. Pode mudar a forma, ou o que for, mas sempre o preencha. Acomodar o sentimento com medo de perdê-lo é o mesmo que o mandar para longe. É melhor ter medo do escuro ou medo de olhar o que tem debaixo da cama do que ter medo de sentir. Medo de re-sentir. O ambiente para fumantes sufoca, o trânsito sufoca, mas não sentir sufoca muito mais. Ficar na fila do banco de pé cansa, assim como a linha de espera no telefone, mas não há nada mais cansativo do que uma vida monótona sem amor.

E para falar de amor, para fugir dos dogmas diários, basta sentir. Basta ter a alma repleta de infinitas peças, constantemente moldadas e contornadas. Eu erro o tempo todo. Erro em tudo que penso, assim como errei ao começar a escrever esse texto e também posso ter errado em cada palavra que escolhi. Mas de todos os erros dessa vida, que eu nunca cometa o pior de todos... que é escolher viver um vida sem amor.

[Publicado originalmente aqui]


Najara Gomes

Sinto como se o meu coração fosse uma gaveta enorme, que cabe tudo, desde miudezas até chumbo..
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