entre.linhas

Entrelaçando as linhas do texto que nos (re)veste.

Rita L.M.

Quanto à escRITA, metade dela sou eu. Juntas seguimos, entrelaçando mensagens que (re)vestem vidas

Atenção: gravando

Final de novela é sempre a mesma coisa: há uma cena ou um fato que marque o enredo. Em Amor à Vida , novela de Walcyr Carrasco, se fez história a partir do beijo, elemento esse que expressa perfeitamente o amor.


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Segundo a expressão literária do maravilhoso Carlos Drummond de Andrade : “O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar”. Amor e beijo. Muitos amores e ... beijos. Sabe aquela frase que diz: “Você tem amor à vida?” Então, quando o temos, buscamos a realização de nossos desejos e enfrentamos as batalhas mais cruéis que a sociedade impõe.

Em Amor à Vida , de Walcyr Carrasco, houve beijos de todos os tipos, em várias situações, ligados a muitas temáticas. O beijo falou por si só e foi por intermédio dele que as relações começaram. Beijo real ou técnico, não importa. Realidade e ficção andaram lado a lado: olhos nos olhos, e a verdade foi selada; bastou um enredo e um simulacro para o sonho tomar forma de possibilidade.

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Melhor idade, idosos, velhos, experientes: não importa a maneira como as pessoas nessa faixa etária são chamadas. O importante, mesmo, é entender que deve ser horrível envelhecer sozinho; não ter ninguém para dividir as coisas boas conquistadas durante uma boa parte da vida. O maior medo: o protesto familiar e social; a forma como passam a ser tratadas depois que já são mais que donos do seu próprio nariz. Mas a beleza da construção desse amor que começa com a amizade e depois segue para a cumplicidade é o xeque mate em muitos novos que estão na busca da sua metade.

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10 anos a mais. O que são 10 anos a mais para uma mulher que se apaixona pelo “mocinho”? E duas décadas? Parece ser bem complicado driblar as falas que não deveriam ter passado do pensamento de determinados seres: “É seu filho?” ou “ É sua tia?”. A impressão é que esses discursos foram escolhidos como lança para ferir aqueles que se enamoram. Modelos e visões diferentes independente da idade: o que importa é ser feliz.

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E quando uma pessoa tem uma disfunção em seu desenvolvimento que afeta o comportamento, a capacidade de comunicação e de estabelecer relacionamentos? Isolar? Colocar na gaveta e abrir apenas para o banho (de sol) e para a papinha? Tudo que foge do normal tem tratamento. Até para os loucos não diagnosticados há. Todos precisam de estímulos para ultrapassar seus obstáculos e conquistar o progresso no desenvolvimento. As pessoas são diferentes e ,dentro dos limites de cada uma delas, tudo pode ser feito. Uma pessoa não é normal para você, mas - e para ela-, você é? São visões de mundo que geram (re)leituras.

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Agora, quando o assunto é beleza, o estereótipo é o magro. Certo? Errado. Para os olhos apaixonados não há peso ideal, mas sim o par. Olhares enviesados, as piadas para risos amarelos, a gozação. Gordo é igual Judas em pleno Sábado de Aleluia: todo mundo malha. A maior intenção do obeso não é emagrecer, mas sim viver. Viver a vida com paixões arrebatadoras, ter os prazeres mais intensos, amar e ser amado. Enquanto ele olhar para o espelho e o sobrepeso não for um problema, isto nunca mudará. Entre as tristezas geradas pelo preconceito ou os prazeres que a carne pode oferecer, a segunda opção é a que faz sentido para a vida seguir.

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Já o apoio que vem de um beijo carregado de significados faz qualquer diagnóstico angustiante se tornar mais leve. O caso dramático da retirada de um nódulo e, também, da mama deixa a mulher muito fragilizada, com a autoestima no chão e a morte numa proximidade nunca antes pensada. Todavia, ter alguém que transforme os medos e as angústias em possibilidades de vida, de beleza, de sensualidade faz toda diferença. Assim , o fardo vira fato objetivado: ter amor à vida para ultrapassar o obstáculo que cruzou o caminho.

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Tem transgressão? Tem. Ou teria. O tão temido beijo entre o pai e a filha sempre gera um burburinho, um certo (ou seria absoluto?!) incômodo. Polêmicas para lá e paixão avassaladora para cá: esse foi o rumo tomado, remexendo mais amores com mais beijos de paixões entrelaçadas.

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Em plena faixa de gaza, a paz foi estabelecida com o beijo. Com os beijos! O amor , mais uma vez, esteve a disposição da vida, superando as diferenças culturais e religiosas. O livramento do grande amor dos braços da morte, devolvendo a vida com um beijo tranquilizador e apaixonado, foi o suficiente para selar a união entre judeus e palestinos, os quais pertencem a mundos distintos. Na guerra, lados oposto; no amor, mesmo lado.

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Loucura, luxuria e desejos permitindo o desfrute intenso de amar e ser amado. Independente da faixa etária e dos mitos que rondam as relações entre pessoas de classes sociais diferentes, o amor mais uma vez levou ao delírio as mulheres da (em) ação.

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Os opostos se atraem, e os iguais... também. Constituir uma família, amar e ser amado, estabelecer a cumplicidade e o respeito é algo fácil para aquelas pessoas que , antes de qualquer detalhe, se aceitam como realmente são. O companheirismo que une os iguais passa a ser o alicerce do novo lar. A orientação sexual precisar ser entendida como um detalhe proporcionalmente igual a identificar a cor da pele, o tipo de cabelo, a estatura, o peso. Não há problemas na relação. O problema está em quem vê a relação como seres de outro planeta. Novamente entra o beijo repleto de ternura, de entrega e de simbiose. Dois que passam a ser um para cuidar de quantos vierem pela frente; porque construir um lar (uma família)com quem se ama é assim: conviver e buscar a felicidade da maneira que tanto deseja.

Na ficção tudo pode, tudo é permitido. Já na vida real ...

Em torno do beijo, muitas foram as polêmicas suscitadas em Amor à Vida. Das temáticas ligadas a transgressão ao preconceito, passando pelos tabus, pode-se dizer que várias reflexões devem ser feitas. A novela chegou ao fim; entretanto, os assuntos estão ai, no dia a dia, batendo no nosso ombro (ou na nossa cara), e cabe a todo ser que se diz humano ponderar, ser empático e (re)pensar valores. Afinal, o que mais importa para qualquer pessoa é a liberdade de poder escolher aquilo que a faz feliz.

“Então, o que você tem feito hoje para se sentir orgulhoso? Você poderia ser tantas pessoas, se apenas fugisse para a liberdade.”

Rita L.M.

Quanto à escRITA, metade dela sou eu. Juntas seguimos, entrelaçando mensagens que (re)vestem vidas .
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