entre.linhas

Entrelaçando as linhas do texto que nos (re)veste.

Rita Manzano

Quanto à escRITA, metade dela sou eu. Juntas seguimos, entrelaçando mensagens que (re)vestem vidas

Elas X Elas: olhares cegos e vozes mudas

Ela escreve, mas não mostra. Ela fala, mas não expressa. Ela lê, mas não assume. E assim segue a humanidade: fingindo que não vê e não fala sobre o assunto. Páginas com trechos ardentes e personagens sedutoras e misteriosas fazem dos livros eróticos uma fonte de inspiração para escritores e leitores que colocam a criatividade a serviço do prazer.


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Origens imprecisas e um desenvolvimento tardio: assim é a literatura erótica feminina. Nenhuma romancista soube, ainda, criar o equivalente a Aretino, Chorier, Sade, Flaubert e Nerciat; simplesmente pela própria natureza do erotismo da mulher ser muito menos cerebral que a dos homens.

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As mulheres experimentam sensações sexuais muito mais viscerais e intensas, mas os homens têm a aptidão natural de converter os sentimentos em ideias e imagens. A emoção aparece em estado de êxtase máximo com uma capacidade avalassadora de não conseguir colocar em palavras os sentires; já a razão traduz com perfeição os movimentos, as sensações, os pensamentos e os atos. Pode-se dizer que é uma divergência harmoniosa, que se completa. Entende?!

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Entretanto, muitas mulheres – mais do que se possa imaginar - ousam em dizer tudo; fazem as revelações ( as mais espantosas?!) sobre a natureza humana; registram desejos, fantasias e taras. Dessas muitas, pouquíssimas atrelam discurso ao nome e à imagem tanto ao ler como ao escrever sobre erotismo e pornografia. Há um grandioso grupo que no anonimato trancam seus textos em gavetas ou em sites; leem somente embaixo do lençol obras que estremecem as entranhas e realizam por um momento o que sentem vergonha de dizer / de fazer.

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Tempos de liberação, de autonomia, de direitos iguais para a mulher. Tempo de rever alguns conceitos; nem que seja apenas para formar as filhas, as netas, as sobrinhas, as alunas, as ... A tempo para fazer e agir de forma diferente. E o primeiro passo pode ser dado com a leitura.

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Conheça cinco de alguns tons que não estão nas entradas das livrarias. Tons escritos por Elas e que não podem ser esquecidos; muito menos ignorados. Elas escreveram, e Elas leem.

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História de O - Pauline Reage Uma novela sadomasoquista que veio a público poucos anos antes da morte da autora. Publicada em 1954, em francês, é uma fantasia de submissão feminina de uma fotógrafa parisiense de moda que é vendada, acorrentada, chicoteada, marcada, feita para usar máscara, e ensinada a estar sempre disponível para o sexo oral, vaginal e/ou anal. Trata-se de um clássico do gênero erótico na linha de Vênus in furs, pois o sadomasoquismo é seu ponto forte. É sobre uma jovem que no início joga como dominada, mas quanto mais resiste à tortura, mais gosta de ser escrava. Anos antes do movimento feminino, essa história ensina as mulheres a assumir o controle de seus desejos sexuais e não permitir que ninguém faça escolhas por elas. Em fevereiro de 1955, o livro ganhou o prêmio francês de literatura Prix des Deux Magots, embora isso não tenha evitado que as autoridades francesas acusassem o editor de obscenidade. As acusações foram rejeitadas pelos tribunais, mas um boicote publicitário ocorreu durante longos anos. Isso porque a sociedade não teve cabeça aberta o suficiente para entender o caminho que a sexualidade pode tomar em seus momentos mais escuros.

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Delta de Vênus - Anais Nin Prostitutas que satisfazem os mais estranhos desejos de seus clientes. Mulheres que se aventuram com desconhecidos para descobrir sua própria sexualidade. Triângulos amorosos e orgias. Modelos e artistas que se envolvem num misto de culto ao sexo e à beleza. Aristocratas excêntricos e homens que enlouquecem as mulheres. Estes são algumas das personagens que habitam os contos – eróticos – de Delta de Vênus. Escritas no início da década de 40 sob a encomenda de um cliente misterioso, essas histórias se passam num mundo europeu-aristocrático decadente, no qual as crenças de alguns personagens são corrompidas por novas experiências sexuais e emocionais.Discípula das descobertas freudianas, Anais Nin aplicou nestes textos a delicadeza de estilo que lhe era característica e a pungência sexual que experimentou na sua própria vida. Mais do que contos eróticos, Delta de Vênus oferece ao leitor histórias de libertação e superação.

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O Caderno Rosa de Lori Lamby - Hilda Hilst O livro - em grande parte escrito na forma de diário - apresenta uma menina de oito anos que vende seu corpo incentivada por seus pais proxenetas. A obra é, sim, obscena e põe em cheque a moralidade dos leitores, pois é quase impossível realizar uma leitura frígida dos relatos de Lori Lamby. Mas, apesar do impacto inicial causado pelo tema da pedofilia, o livro vai muito além. A própria literatura é alvo de obscenidades: gêneros intercalados, cartas, relatos, citações pervertidas de grandes autores como D. H. Lawrence, Henry Miller ou Georges Bataille e um Caderno negro dentro do Caderno rosa de Lori. Aquilo que, a princípio, aparece no texto como possíveis e singelos erros de escrita de uma criança recém-alfabetizada aponta para um estudo lexicológico, para uma etimologia das sensações fazendo soluçar a gramática. "O Caderno Rosa de Lori Lamby" ainda guarda um segredo sobre o verdadeiro narrador da história. Apesar de a obviedade do título sugerir que a pequena Lori Lamby é a narradora-personagem de seu caderno, é possível levantar dúvidas a esse respeito já que seu pai - gênio incompreendido - resolve escrever "bandalheiras", seguindo o conselho de seu editor. Nesse ponto, reside o aroma de crítica ao mercado editorial e a sua avidez por best-sellers e temas consagrados como a pornografia.

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SM sem Medo - Wilma Azevedo A escritora apresenta o Sadomasoquismo erótico de uma forma útil, jamais escrita em língua portuguesa. A partir do contato que teve com o assunto em sua prática profissional, Wilma pode desenvolver uma apresentação do sadomasoquismo de maneira útil a todo tipo de leitor: leigos que apenas queiram saber as variações que se escondem atrás do já conhecido nome “sadomasoquismo”; pessoas que têm estes desejos, mas não conseguem compreendê-los ou, antes, cometem atos que sentem insanos e destrutivos e podem passar a compreendê-los e assim conseguir viver de modo equilibrado. Aos profissionais de educação, professores e pedagogos para uma compreensão dessas expressões sexuais sem que o sejam por meio de tabus e mitos que apenas aumentam o estigma e preconceito quanto a seus semelhantes; profissionais de saúde, psicólogos, médicos, enfermeiros que necessitam ter conhecimentos da realidade humana sem escudarem-se em seus próprios pensamentos e medos, mas aproximando-se das pessoas que os procuram na forma de autoridades no campo da saúde. Nessa obra, todos temos meios de poder melhorar os relacionamentos humanos e aprender a viver os desejos com todo o vigor, mas compreendendo os próprios limites e, também, os das outras pessoas.

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A Vida Sexual de Catherine M. - Catherine Millet Nesse despudorado livro de memórias da crítica de arte francesa Catherine Millet descreve com detalhes sua movimentada vida sexual. A autora conta como, depois de perder a virgindade aos 18 anos, passou a viver o “sexo pelo sexo”, entregando seu corpo ao prazer com diferentes parceiros, homens e mulheres, orgias de mais de 100 pessoas, buscando o sexo em clubes privados, beira de estrada e espaços públicos. Catharine narra relações sexuais como algo tão natural como respirar.


Rita Manzano

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