entre.linhas

Entrelaçando as linhas do texto que nos (re)veste.

Rita Manzano

Quanto à escRITA, metade dela sou eu. Juntas seguimos, entrelaçando mensagens que (re)vestem vidas

TEXT(o) UR(r)A

Há tempos, o processo de escrita sempre foi complicado. Quando crianças, engatinhamos, andamos e - algumas vezes - corremos no universo das letras, das palavras e das frases; já adulto, mergulhamos neste mesmo universo, mas sem conseguir nada(r). Como ajudar? Como transformar a dificuldade em capacidade comunicativa? Não há soluções mágicas; entretanto, vale a reflexão em busca de caminhos que realmente nos levem a algum lugar.


escrever - Obvious (9).jpg

Dias desses, fui colocada em uma situação que muitos dos meus alunos sempre reclamaram (para não dizer todos!): tive que fazer a famosa redação para provar algo a alguém. As pessoas que estão ao meu redor, diziam quase em uníssono: “Isto você tira de letra!”. Ah! sim, se eu tirar uma simples letra, ai que a casa cai mesmo; e o sentido mudará por completo.

Durante uma proposta de redação morna, sem sal (nem açúcar) e comum que me apresentaram, eu pensava sobre algo fora do contexto: como é ruim escrever sobre pressão, por obrigação, não é?! É claro que, depois de alguns minutos, eu foquei na minha “tarefa” e fiz o tal texto. Afinal, eu estava ali para aquilo e não nego que só aconteceu porque eu tenho prática na habilidade. Mas claro que eu não gostei do texto produzido. Sou assim, meio exigente com aquilo que amo. Quero sempre tudo em perfeita harmonia.

escrever - Obvious (1).jpeg

Como todo bom educador, fiquei procurando uma saída para ajudar as pessoas que precisam escrever sobre pressão; situação essa bastante comum em nosso dia a dia. E cheguei a uma solu... Não, não cheguei a solução nenhuma. Cheguei mesmo foi num ponto importante: como tudo na vida, escrever precisa fazer sentido e se faz necessário, também, despertar a fera que está dentro de o escritor.

escrever - Obvious (1).jpg

Comigo é exatamente assim: meu TEXT(o) UR(r)A. Meu texto é sempre um grito. Quanto mais feroz eu estou, mais gana para escrever eu tenho. Gosto de temperaturas altas, tudo muito temperado, e sem essa história de normal, comum. São esses detalhes que me cutucam (e com vara bem curta). Adoro desafios, e é ai que meu texto aparece. Sobre pressão? Não. Definitivamente não escrevo para agradar ninguém, escrevo por e para mim. Basta dizer: “Escreva sobre isto!” que eu travo geral. E também não me venha com a frase pronta: “Mas você escreve super bem; isto será fácil”, pois escrevo ora bem, ora muito mal; minha tecla delete que o diga.

escrever - Obvious (2).jpg

Mais um detalhe: eu percebi que meus lápis, meus bloquinhos (e cadernos), minhas canetas ... só são bem vindos para uma frase aqui, uma ideia ali, um pensamento acolá. Já não gosto mais da minha letra; acho que nunca gostei devido às várias tarefas de caligrafia que foram a mim impostas (Arghn!). Eu gosto mesmo é de digitar; acredito que datilografar também. O que é um fato: um texto manuscrito – para mim - sairá em 1 hora ou mais; já um digitado, em 10 minutos; isto para um texto de 30 linhas no máximo. Logo, fica a conclusão: eu sem meu note não sou mais ninguém.

escrever - Obvious (8).jpg

Mas, qual é o tecido que eu visto? Que você veste? Entrelaçamento de fios. Trama. Tecer. Tudo lembra textura e, para quem não sabe, a palavra tecido vem do latim textum, que significa tecido. Desta forma, existe o porquê etimológico para pensarmos que ao produzir um texto é o mesmo que tecer um lindo tecido. Entrelaçamos as palavras para dar vida a uma trama; a um enredo. Neste momento, pode-se falar que a textura de um texto nada mais é que a rede de relações que garantirão a coesão e a coerência.

escrever - Obvious (3).jpg

Voltando a minha angústia - escrever sobre pressão -, acredito que algumas luzes poderiam iluminar as cabeças de alguns educadores. Que tal as aulas de produção textual (vulgo, redação) serem no laboratório de informática e com produções semanais sobre os assuntos que mais instigaram os alunos? Atrelar o grande amigo – conhecido por computador – à fera louca para urrar ideais, pensamentos, opiniões. Tenho certeza de que os educadores não correrão o risco de ouvir: “Estou tão sem inspiração para fazer um texto!”. E sabe por que essa metodologia tem mais a dar certo do que errado? Lidaremos com o diferente e com a atividade significativa; logo, teremos a tecnologia a favor da educação e a escrita sobre aquilo que realmente domina.

Ah, Rita, mas no laboratório de informática eles ficarão nas redes sociais, não farão nada de forma séria. E mais: e o conteúdo X, Y, Z que temos que passar sobre a redação? E as propostas? O que faremos com as propostas que são pedidas no ENEM e nos Vestibulares?

Bem, meus queridos educadores, não dá para resolver tudo. Existe uma palavrinha básica entre o professor e a sala de aula: domínio. Se as aulas forem planejadas, se o professor estiver realmente entre os alunos, e se esses textos forem para um espaço virtual - onde outros tantos leitores possam ter acesso a essa produção -, eu tenho certeza que, quando nossos alunos se depararem com as famosas propostas num momento de pressão, os bons momentos vividos com o texto serão essência, e todos acrescentarão letras e mais letras numa folha qualquer para mostrar quem verdadeiramente são.

escrever - Obvious (5).jpg

É o texto fazendo sentindo, produzindo arte. Esse é o tecido que me veste. Veste-o, também?!


Rita Manzano

Quanto à escRITA, metade dela sou eu. Juntas seguimos, entrelaçando mensagens que (re)vestem vidas .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// //Rita Manzano