entre.linhas

Entrelaçando as linhas do texto que nos (re)veste.

Rita Manzano

Quanto à escRITA, metade dela sou eu. Juntas seguimos, entrelaçando mensagens que (re)vestem vidas

Gois de Palavras

Epa: gois? É isto mesmo, Editor?
Apesar de estarmos acostumados com gols (estamos?!), a flexão de número correta da palavra é gois, ou se preferir goles. Em função do barbarismo consagrado, ou do solecismo difundido, ou do atraente tom dado à língua, não vamos discutir sobre a grafia de gol, mas, sim, conhecer algumas expressões que surgiram com o grande evento que é o futebol, o qual goleia outras redes. E que venham muitos gois, goles, goooooooooooooools!


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O futebol - esporte mais popular do Brasil - é responsável, também, por ampliar o repertório linguístico do país. Expressões restritas ao universo dessa modalidade esportiva invadiram o cotidiano dos brasileiros; assim como outras tantas foram adaptadas ao contexto “futebolês”. E no jogo dos sentidos, as palavras batem um bolão e fazem gois.

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Advogado, professor de língua portuguesa e político, Jânio Quadros sempre foi considerado um exemplo ao usar as palavras da língua materna. Com uma excentricidade bastante peculiar, encontrou nos armários dos jogadores a expressão perfeita para deixar clara a sua desistência da carreira política: pendurou na porta de seu gabinete um par de chuteiras. A expressão “pendurar as chuteiras”, que até então era usada para dizer que tal jogador encerrava ali a sua carreira, passou a fazer parte dos mais diversos cenários da sociedade, assumindo como sinônimo o encerramento ou a aposentadoria de algo.

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E o jogo das relações começa: de um lado, o “futebolista”; do outro, a “Maria chuteira”. Para “entrar em campo”, ela precisa saber “encher a bola” do “partidão”, mas sem a tal “marcação cerrada” e muito menos “pisar na bola”. “Jogar limpo” é sempre a melhor estratégia para não “marcar contra” e, de repente correr o risco de ele – sempre um "fenômeno" – resolver “tirar o time de campo” bem “aos 45 minutos do segundo tempo”.

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Agora, quer ver “embolar o meio de campo”? Basta que ele – ficante, namorado, noivo, marido ... agregado - diga que a “pelada” estava simplesmente maravilhosa. Pronto: para ela – a respectiva dele – isso é “jogo sujo”. O jogador terá que “administrar o resultado” para não correr o risco do “escanteio”. E bem “na marca do pênalti”, ela “contra ataca” com um sonoro “bola murcha”. Ih! “deu zebra”.

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Se a “partida” rola assim, é sábio “jogar na defesa” até conquistar aquele “lance perfeito” para , então, “partir para o ataque”. O objetivo do jogador é o “véu da noiva”, e para isso ele “enfia a bola entre as pernas do zagueiro” e "mete 1...” , “mete 2 ...” , “mete 3 ...” , “mete 3 a 0”. Ah! Basta “ correr para o abraço” e comemorar os gois, goles, gooooools.

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Caso o “time adversário” queira “virar o jogo”, basta seguir as orientações do “capitão da equipe”, “matar as jogadas”, “mandar uma bomba contra o gol”, “fuzilar o goleiro” e ... gooooooooooool. Gol de placa!

1 gol, 2 gois, 3 goles, 4 gooools. O que importa é a “bola cheia”, rolando “maneira" pelo gramado e invadir várias vezes a rede do adversário.

O grito já está na ponta da língua ...

Escutem o apito. O jogo já começou.


Rita Manzano

Quanto à escRITA, metade dela sou eu. Juntas seguimos, entrelaçando mensagens que (re)vestem vidas .
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