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Entrelaçando as linhas do texto que nos (re)veste.

Rita Manzano

Quanto à escRITA, metade dela sou eu. Juntas seguimos, entrelaçando mensagens que (re)vestem vidas

Filhos do Maltrato

Como cada um de nós contribui no processo de formação das crianças do nosso país?


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“O jovem no Brasil nunca é levado a sério”, disse Charlie Brown Jr. em um de seus versos há algum tempo. Tanto não é levado que a imprensa – e muitos outros segmentos da sociedade - aponta sempre os malfeitos; dentre eles, os crimes. E mesmo parecendo ser consenso de que a melhor solução nesses casos é isolá-lo – se for menor de idade na Fundação CASA; se maior, na cadeia -, vale lembrar: aquele que hoje é um jovem e criminoso, antes foi uma criança e inocente.

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Nos últimos dias, a mídia divulgou o caso de um pai que impediu o filho adolescente de participar de um dos tantos protestos contra a Copa do Mundo. O jovem – entre os mascarados – afirmou querer “estudo”; discurso rebatido pelo pai ao salientar que era necessário ele - o filho – trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro para ter os direitos desejados. E em meio a uma guerra urbana, os adolescentes lutam. Mas lutam exatamente por e para quê?

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Voltando no tempo, encontramos as crianças que – segundo a psicologia genética de Jean Piaget – começam o desenvolvimento no momento em que interagem por meio da construção de estruturas lógicas sobre tudo que acontece ao seu redor. As etapas do desenvolvimento do intelecto e do conhecimento delas obedecem a uma sequência e a um tempo, indo dos conceitos básicos para os complexos. Há o desenvolvimento dos sentidos, da egocentricidade, da intuição, da lógica; favorecendo não só o físico, mas, também, o emocional e o social.

Tanto na família como na escola, ensina-se aos menos experientes – menores - o que representa a vida e a convivência social? Há bons exemplos dos mais experientes; ou seja, dos amadurecidos intelectualmente? O processo de formação se dá diante da imitação: os menores farão aquilo que os maiores realizarão. Isto acontece, também, com os exemplos de ações dos diversos setores da sociedade; a importância de ter boas ações sociais são elementos fundamentais para se reforçar os valores e os princípios adquiridos previamente com a família e com os educadores. Quando não se privilegia uma base solidificada em atenção e padrões de condutas dignificantes, cria-se o adolescente suscetível à violência.

O que se pode esperar de crianças que são espancadas, invadidas sexualmente, abandonadas, humilhadas? Adolescentes e adultos equilibrados?! E das crianças que nunca souberam o que é moral e limites? Jovens coerentes?! A criança cresce, mas não amadurece; e encontra força em pares que são sua imagem e semelhança: outros tantos meninos e meninas de comportamento antissocial – o único aprendido. Esse é o quadro de milhões de crianças brasileiras atrelado à falta de recursos públicos, à desigualdade social, ao preconceito e à falta de oportunidades.

A ousadia dos jovens marginais assusta, apavora, e a resposta é o aprisionamento. No toma lá dá cá, esses adolescentes perdem a liberdade, mas ganham vínculos mais consistentes com o mundo do crime. Construir locais para aprisioná-los não é o suficiente: primeiro, é caro; segundo, a construção de criminosos é mais rápida que a dos locais destinados a eles. E os adultos da relação passam a lutar, reaparecendo o questionamento: por e para quê?

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Fala-se muito sobre a violência, mas, infelizmente, crianças são formadas diariamente a partir dela; logo, esbarra-se em adolescentes violentos. Para conquistar a tranquilidade tão sonhada, é necessário o envolvimento de cada um de nós na educação das nossas crianças – principalmente das nascidas na periferia. A luta precisa de foco, de cara limpa, de cidadãos. É responsabilidade de cada brasileiro fazer cumprir o direito à escolarização, ao esporte e à arte. Ninguém faz nada sozinho, muito menos uma criança; é preciso segurar – firme – na mão dela para não ter medo de deixá-la livre. Vale ressaltar: são os valores e os princípios nobres que garantirão o espelhamento para o amor à vida e para o respeito entre os seres.

“O que eu consigo ver é só um terço do problema”


Rita Manzano

Quanto à escRITA, metade dela sou eu. Juntas seguimos, entrelaçando mensagens que (re)vestem vidas .
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